Crítica | Batman: Ano Um (2011) – Animação

estrelas 3,5

Jim Gordon é um tenente recém transferido que acaba de se mudar para Gotham junto com sua esposa que espera o primeiro filho do casal. Enquanto isso, após passar alguns anos fora aperfeiçoando suas habilidades, o magnata Bruce Wayne retorna a à cidade com objetivos bem determinados: dedicar-se a fazer justiça na metrópole da violência e corrupção.

A animação é uma adaptação do clássico arco homônimo escrito por Frank Miller e ilustrado por David Mazzucchelli. O filme se desenvolve ao longo do primeiro ano em que Bruce Wayne resolve se tornar o herói Batman e, ao mesmo tempo relata a adaptação de Gordon à áspera realidade de Gotham City.

Àqueles que já leram a história original de Miller, Batman: Ano Um não reserva nenhum tipo de surpresa ou novidade. A animação é basicamente uma transposição exata da história em quadrinhos à televisão, o que tem seus aspectos positivos e negativos.

A história de origem é, sem dúvida, muito bem construída. Além de imprimir na personalidade de cada personagem uma complexidade que só poderia ter a dimensão que possui por se voltar ao público adulto, Miller conseguiu recriar sua própria versão sobre o surgimento do Homem-Morcego de uma maneira madura, e descentralizada. O grande feito da animação está simplesmente em incorporar, numa nova mídia, um trabalho já pronto e muito bem sucedido.

No longa, temos basicamente os mesmos diálogos da HQ, a manutenção da trama linear e uma adaptação de excelente qualidade dos desenhos originais de Mazzucchelli. A composição gráfica de cada cena está sempre em consonância com o sentido que o roteiro sugere. Dessa forma, percebemos o tato com que as lembranças de Bruce são expostas, tal como o misticismo presente na cena em que o morcego personifica a figura do medo pretendida com a criação do Batman.

Assim como no roteiro de Frank Miller, o diferencial da história retratada está na posição do protagonista. Ainda que suas histórias sejam contadas paralelamente, a figura de Gordon tende a eclipsar à do Batman em si. Isso desloca um pouco o papel que cada um tem na trama e amplia o grau de visão de quem assiste ao longa.

Para além disso, a animação em nada altera a narrativa da história em quadrinhos, o que é um tanto decepcionante e deixa o espectador à espera de um pouco mais de ousadia por parte do roteirista Tab Murphy e dos diretores Sam Liu e Lauren Montgomery. Não há como o filme ser ruim tomando como referência uma das mais qualificadas histórias em quadrinhos sobre o Batman, mas é claro que o propósito que concerne à adaptação, em seu sentido mais experimental e produtor de novas apreensões, se perde.

Batman: Ano Um (Batman: Year One, EUA, 2011)
Direção: Sam Liu e Lauren Montgomery
Roteiro: Tab Murphy
Elenco: Bryan Cranston, Ben McKenzie, Eliza Dushku, Jon Polito, Alex Rocco e Katee Sackhoff
Duração: 64 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.