Crítica | Batman: Ano Um (1987)

estrelas 5

Senhoras e Senhores… Vocês comeram bem. Comeram a riqueza de Gotham… Comeram seu espírito! O Banquete acabou! De hoje em diante…
Nenhum de vocês estará a salvo!
– Batman

Cavaleiro das Trevas, o Cruzado Encapuzado ou simplesmente… O Maior Detetive do Mundo! Pois é… Batman fez sua fama desde a década de 30 (nossa, quanto tempo não?) nas mãos de Bob Kane e Bill Finger. Desde lá atrás, o personagem só evoluía e conquistava mais fãs ao redor do mundo. Porém, de vez em quando, a casa das ideias precisa dar um reboot em seu universo e nosso morcegão predileto não escapou de ter sua origem recontada, claro que, sem desmerecer toda a base e conceito passados por seus originais criadores.

É aí que entra a dupla que deixaria sua marca por gerações: Frank Miller e David Mazzucchelli!

Quem eu sou e como vim a ser

A trama não se prende tanto ao que ocorreu no passado de Bruce Wayne nem do que andou exatamente fazendo fora do ninho (ou caverna, se preferir). O começo deste épico conto já traz pontos fortes ao leitor que é conduzido por duas narrações: a do próprio Bruce Wayne e de James Gordon, o futuro e famoso comissário bigodudo de Gotham City.

Gordon, é um honesto policial que fora transferido junto com sua esposa gestante para uma Gotham cheia de corrupção ao mesmo tempo em que Bruce Wayne, retorna ao lar após anos de estudos e treinamentos mundo a fora. Notamos rapidamente que ambas são pessoas bem diferentes, marcadas pelo passado, mas seguindo uma linha ética praticamente inquebrável. Determinados a tornar a sombria cidade num lugar mais limpo, mesmo que no começo não saibam muito bem como.

O trabalho em ambos os personagens é perfeito. São acima de tudo homens normais, mas incorruptíveis. Miller não deixa de fora outros importantes personagens como Harvey Dent, Selina Kyle e até mesmo referências ao Super-Homem!

Como dito antes, Batman é um ser humano aparentemente comum, suscetível a falhas e em começo de carreira as vemos serem cometidas, uma a uma, cada qual deixando cicatrizes não só físicas, mas também psicológicas, moldando o príncipe de Gotham até perceber que é preciso fazer os vilões temerem ele. Como? Parece tão claro como na imagem abaixo.

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“Eu me tornarei um morcego.”

 Declaração de guerra… A aurora negra

Como o próprio título da mini-série diz, este é o primeiro ano de ações do Batman e é do segundo capítulo ao terceiro que o clímax dispara em alto nível. Políticos e mafiosos intimidados pelo misterioso vigilante colocam nas ruas seus melhores homens sob o comando de Gordon para caçar o morcego.

Por algumas vezes, Batman é acometido por falhas que como ele mesmo diz, só escapou por “Sorte. Sorte de principiante”.  E é aí que também surgem as indagações na mente do até então tenente Gordon se estaria realmente do lado certo.

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Muita tensão quando os “amiguinhos” do Morcegão vêm para lhe ajudar. No quadro a esquerda, Gordon reflexivo: “Ele é um criminoso, eu sou um policial. É tão simples. Mas… Mas eu estou numa cidade onde o prefeito e o comissário usam policiais como assassinos contratados. Batman salvou aquela velha. Até pagou o terno. A peça metálica em minha mão está mais pesada do que nunca.”

Interessante também é ver como as capas dos capítulos desenhadas por Mazzucchelli ornam perfeitamente com o que querem dizer. Aliás, todos os desenhos dele e seus quadros são excelentes, de maneira minimalista ao mesmo tempo em que é bem expressiva. Posso lhes dizer com toda certeza que do meio para o final da terceira parte é de arrepiar!

Amigo em apuros

O final deste arco fecha na parceria das duas personas chave da história. Pois se achou que era um conto só do homem morcego, enganou-se… Inocente leitor. Traições, chantagens, sequestro e união. De repente tudo chega numa harmonia e ver o desespero dos “vilões” em tentar destruir essa “dupla dinâmica” é de certa forma hilário. Nos faz parecer estar dentro do manto de orelhas pontudas ou atrás dos óculos de Gordon. Frank Miller e David Mazzucchelli mostram novamente que são eles a verdadeira dupla dinâmica que trouxe a nós, também, o espetacular arco A Queda de Murdock em 1986, que você pode ler aqui.

Mas não se engane. Miller não faz de Batman: Ano Um, um xerox do que foi a queda e ascensão do Demolidor na Marvel, todavia, traz como características dessa parceria de argumento e arte, uma abordagem sobre drogas, prostituição e o quanto o ser humano pode ser corruptível ou se seus objetivos podem ir além de qualquer valor oferecido para se corromper, temas delicados para a época, ainda mais sendo retratados em quadrinhos de super-heróis.

Acredito que o mais importante e que eleva o conto a ser mais pé no chão (fora os temas citados) é o fato de nossos heróis não terem de lidar com um super vilão, mas sim a sociedade má formada de Gotham City, tendo como desafio todos os políticos e policiais corruptos da cidade no objetivo de exterminar ou minimizar a corrupção que paira sobre ela. É simplesmente coesa e incrivelmente perfeita para deixar de ser vista por qualquer batfã!


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Batman: Ano Um
Batman: Year One
Publicação original: Batman #404 – 407 (EUA, fev. – mai., 1987)
Publicação no Brasil: Abril Jovem (1987) – Panini Comics (2011 – encadernado)
Roteiro: Frank Miller
Arte: David Mazzucchelli
84 páginas

ERIK BLAZ. . . .Tudo começou quando o meu pai Odin me baniu de Asgard para Midgard... Então eu fui mordido por um vampiro, quando me atacaram com kriptonita e para piorar a situação, vendi minha alma para Malebolgia (em troca de algumas HQs), enquanto meus dons mutantes de controlar o clima surgem pouco antes de ser o escolhido para portar um anel energético e obter a Equação Anti-Vida e assim, salvar todo o multiverso! Mas também possuo uma paixão pela Arte em suas mais diferentes formas e gêneros...Desenho, Pintura, Gravura, Montagens, Teatro... E claro, um louco por histórias em quadrinho e filmes antigos, sem falar na arte de comer muito e dormir pra caramba :'D