Crítica | Batman, Batman e Robin, Detective Comics e Batman – O Cavaleiro das Trevas: Anuais #1 (Novos 52)

 

Batman – Anual #1 
Roteiro: Scott Snyder e James Tynion IV.
Arte: Jason Fabok.
Arte Final: Peter Steigerwald.

estrelas 5,0

Assim como o título Primeira Neve indica, a edição #1 anual dos Novos 52 deixa a ação um pouco de lado e se dedica a fazer um resgate ao passado de Victor Fries, o Sr. Frio. Após ter estado no Asilo Arkham por um bom tempo, Victor arquiteta sua escapada e foge com dois planos em mente: resgatar sua amada Nora e se vingar de Bruce Wayne, que os afastou.

Nem é preciso dizer que relativo pouco tempo de carreira, Scott Snyder prova levar jeito para a coisa e desenvolve seus roteiros muito bem. Isso não é algo que se percebe somente nesta edição, mas em todo o seu trabalho nos novos 52. Neste anual, em especial, o roteirista consegue expressar, de maneira bastante convincente, todos os anseios, dilemas e ilusões de Victor Fries. Por alguns momentos, quando a trama é relatada pelo ponto de vista de Sr. Frio, é inevitável sentir pena do cientista e uma ponta de raiva de Bruce Wayne.

A arte de Jason Fabok também não fica atrás. Os traços são precisos, expressivos e riquíssimos em detalhes. No entanto, a potência de sentido que da arte de Fabok seria reduzida em larga escala sem a presença das cores de Peter Steigerwald. O jogo que o ilustrador faz com o contraste e a dicromia misturando tons quentes a tons frios, além de dialogar com toda a história, trabalha com o instinto de dualidade presente tanto em Fries quanto em Wayne.

É interessante perceber a autonomia que o roteirista ganhou nos novos 52 para propor novos caminhos aos personagens, bem como novos plots, a exemplo do que aconteceu com a história de Nora Fries, aqui tratada como Nora Fields. Com um desfecho surpreendente que questiona tanto os valores quanto as prioridades de Victor Fries, Snyder fecha o círculo de uma história curta, simples e muito boa.

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 Batman e Robin – Anual #1
Roteiro: Peter J. Tomasi.
Arte: Ardian Syaf e Vicente Cifuentes.
Arte Final: John Kalisz.

estrelas 4

Assim como acontece na maioria das tramas que envolvem Batman e Robin, salvo algumas exceções, a história que o este anual traz é mais leve e apela para o uso da comédia e do sentimento em família. O que Peter J. Tomasi nos conta é o jogo duplo de Damian Wayne que leva o pai para a Europa sob o pretexto de fazer com que Bruce conheça mais sobre o seu passado e assim possa criar alguma aproximação familiar com seu filho que, de quebra, ficaria sozinho em casa e livre para patrulhar as ruas de Gotham vestido com os trajes do Batman.

O roteiro é bem competente no que se propõe e mostra alguns lados pouco abordados de Bruce Wayne. Neste momento, o rapaz se mostra mais emotivo e menos controlador em relação ao filho. Damian, em contrapartida, faz as vezes do rapazote que pensa ser homem, cuja rebeldia sem causa consegue ser incrivelmente irritante.

Assim como o roteiro, a arte é segura e constante, desempenhando de maneira competente seu papel na revista. Os ilustradores não são tão ousados, mas também não precisam disso, uma vez que a premissa é uma revista mais descontraída.

Não há muito a surpreender o leitor no anual #1 de Batman e Robin, mas sob maneira alguma a leitura pode ser considerada uma perda de tempo. Pelo contrário, ler essa história arranca gargalhadas, entretém e serve como um ótimo passatempo.

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Detective Comics – Anual #1
Roteiro: Tony S. Daniel
Arte: Romano Molenaare, Andrew Dalhouse e Pere Perez.
Arte Final: Sandu Florea.

estrelas 2

Muito, mas muito longe da excelência, o que ganhamos neste anual é uma trama mal trabalhada, pobre em detalhes discursivos, cuja rasa narrativa pouco se desenvolve e estaria praticamente estagnada não fosse por alguns solavancos que são dados quando a história vai chegando ao fim.

A trama se desenvolve em torno da fuga de Roman Sionis, o Máscara Negra, que, após recuperar alguns dos seus truques de persuasão, escapa do Asilo Arkham obstinado a recuperar suas máscaras e reorganizar a Sociedade da Face Falsa. Quem entra no seu caminho para conseguir utilizar os poderes da máscara e controlar pessoas estratégicas em Gotham City é o Chapeleiro Louco. É aí que se inicia o papel do Morcego, que deverá conter essa disputa e enviar os criminosos de volta a Arkham.

Apesar de ter um desenvolvimento problemático, acredito que a maior falha está no argumento da história. Tony S. Daniel não apresenta novidade alguma, tanto em relação aos vilões retratados, quanto à situação que relata. Novamente alguém escapa de Arkham, tenta se reerguer e dá mil pistas do paradeiro após a fuga. Será que eles realmente esperam que isso passaria despercebido aos olhos de Gordon e Batman? Não sei quem este roteiro subestima mais, se o personagem, ou o leitor.

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Batman – O Cavaleiro das Trevas – Anual #1 
Roteiro: Gregg Hurwitz.
Arte: Syzmon Kudranski.
Arte Final: John Kalisz.

estrelas 1,5

Aos leitores que buscam no anual de Batman – O Cavaleiro das Trevas algum tipo de salvação para as desastrosas publicações que vêm chegando às bancas, eu deixo de antemão minhas sinceras condolências, já que pouca melhora é percebida. A verdade é que Batman – O Cavaleiro das Trevas começou com o pé esquerdo. Competindo com outros arcos melhores desenvolvidos, a série não conseguiu espaço muito menos aceitação de público.

Neste roteiro mais clichê que Caio Fernando Abreu em página de Facebook, Gregg Hurwitz relata a noite em que Pinguim, Espantalho e Chapeleiro Louco foram convidados para um falso encontro de dia das bruxas. Lá, percebem que foram atraídos para uma possível armadilha e tentam descobrir o motivo de estarem ali reunidos.

Não há problemas na arte da revista. Os desenhos e as cores são de boa qualidade, até porque isso é uma constante em todas as revistas dos Novos 52. O que incomoda é de fato o roteiro que nada acrescenta de novo à história, tem pouco poder de entretenimento e parece caminhar sem que nunca saia do lugar.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.