Crítica | Batman – Bruce Wayne: Assassino?

estrelas 3,5

Umas das primordiais regras do Homem-morcego é nunca matar. É claro que, em algumas poucas ocasiões, esta cláusula pétrea já foi quebrada, em geral não intencionalmente – afinal, essa é uma das grandes diferenças entre o herói e um vigilante qualquer. Mas será que Bruce Wayne, levado por um lado passional, seria capaz de cometer um assassinato? Tal pergunta é levantada no arco Bruce Wayne: Assassino?, que coloca em dúvida a fibra do homem por trás de Batman.

bwassassino2-pcA história é dada a largada com a morte de Vesper Fairchild na mansão Wayne. Bruce e Sasha Bordeaux, sua guarda-costas e aprendiz, descobrem o corpo logo após saírem da batcaverna. Segundos após, ambos são rendidos pela polícia que acabara de chegar no local. Wayne e Bordeaux são indiciados, sendo praticamente condenados pela mídia e a polícia antes mesmo do julgamento. Com o Morcego encarcerado e impossibilitado de fazer qualquer coisa que comprometa sua identidade secreta, cabe à bat-família inocentá-lo. A trama, portanto, procede através das revistas individuais de cada um deles e o foco em Batman realmente só aparece brevemente, em geral, nas edições próprias do herói e Detective Comics.

Apesar de contarmos com a evidente ênfase nas investigações por trás do assassinato, Bruce Wayne: Assassino? Nos traz poucas revelações acerca dos verdadeiros acontecimentos. A intenção dos roteiristas (e são vários, incluindo Ed Brubaker e Devin Grayson) é manter a dúvida se Bruce é mesmo inocente ou não. Sob essa via, a história segue de maneira ideal, nos questionando a cada página se ele realmente seria capaz de cometer tal ato. Infelizmente, a falta de qualquer avanço pode causar uma ligeira insatisfação, nos passando a sensação de que a história, de fato, não anda para a frente. Dito isso, os verdadeiros progressos em termos de ação ocorrem nas revistas Batman e Detective Comics.

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Algo me diz que ele não está muito feliz…

O arco, contudo, nos traz um distinto elemento que nos mantém presos a cada revista. Este é o foco na psique de cada membro da bat-família. Como dito no parágrafo anterior somos questionados sobre as ações do Morcego. Mas essas indagações se estendem para Bárbara, Dick, Tim até mesmo Alfred. Cada um deles demonstra seus motivos para confiar ou não nessa figura misteriosa que é Wayne e, aos poucos, eles começam a demonstrar suas ressalvas em relação ao homem – seja por parecer apático, seja pela sua aparente falta de confiança em cada um deles. Para expandir essa questão temos a retomada de pontos centrais da história do herói, como a morte de Jason Todd no dramático Morte em Família.

Independentemente dessa ênfase, porém, a história nos traz momentos realmente marcantes com Bruce na prisão. Sua impotência naquele lugar é chocante e podemos sentir sua crescente raiva diante não só das provocações dos prisioneiros, como da visão da mídia sobre ele. Nestes pontos através não só do roteiro, como da arte, é deixado claro o poder de auto-controle do herói, que, no fim, atua a seu favor para tirar nossa dúvida sobre ele ter tirado a vida de Vesper Fairchild.

Nas mãos de diversos roteiristas e artistas, o arco Bruce Wayne: Assassino? conta com uma notável coesão. Temos um evidente tom central que permeia a cada uma das revistas e nos mantem com a distinta sensação de, realmente, estarmos diante de diferentes pontos de vista sobre o mesmo ocorrido. De Dick Grayson a Tim Drake temos diferentes olhares sobre o Morcego, essa figura paternal a quem eles próprios admitem não conhecer direito.

Então: Bruce Wayne é assassino ou não? A resposta vem somente no arco seguinte – Bruce Wayne: Fugitivo.

Batman – Bruce Wayne: Assassino? (Batman – Bruce Wayne: Murderer?, EUA, 2002)
Publicado originalmente em: 
Batgirl #24, Batman #599, Batman: Gotham Knights #25-26, Birds of Prey #39-40, Detective Comics #766-767, Nightwing #65-66, Robin (vol. 2) #98-99.
Roteiro: Ed Brubaker, Chuck Dixon, Greg Rucka, Devin Grayson, Kelly Puckett
Arte: Rick Burchett, Rick Leonardi, Steve Lieber, Trevor McCarthy, Scott McDaniel, Roger Robinson, Damion Scott, Pete Woods
Editora: DC Comics.
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 264

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.