Crítica | Batman – Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior #4 / Dark Knight III: The Master Race #4

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estrelas 3

Obs: Pode conter spoilers dos números anteriores, cujas críticas podem ser lidas aqui

o_cavaleiro_das_trevas_III_4_capaO quarto número de Cavaleiro das Trevas III lida com o primeiro grande embate entre Superman e sua filha Lara, responsável pela desminiaturização dos habitantes da cidade engarrafada de Kandor e a libertação de fanáticos religiosos super-poderosos liderados por Quar sobre a Terra. Há uma grande história aí, mas o que vemos na edição é uma versão resumida e apressada do que ela realmente poderia ser.

Mas o que Frank Miller e Brian Azzarello nos entregam não é de forma alguma ruim, longe disso. Apenas não é espetacular como poderíamos esperar dessa grande aposta da DC Comics. Claramente tentando criar ligações com seitas religiosas extremistas responsáveis por atos terroristas mundo afora, os roteiristas usam Lara como a jovem manipulada por seres inescrupulosos com objetivos inimagináveis. E Superman, também bem dentro de seu feitio de grande escoteiro, recusa-se a revidar os ataques. Com isso, o grande embate é encurtado, ocupando pouco menos do que a primeira metade da primeira história (cada número de DK III contém duas histórias).

O que realmente ajuda no impacto da luta é a arte de Andy Kubert com a finalização de Klaus Janson, que alcança seu ponto mais alto até agora na minissérie. A violência do espancamento do Superman reverbera por cada quadro, cada página, com especial destaque para a chocante página sem personagens em que vemos apenas o caminho nevado e ensanguentado para a Fortaleza da Solidão. Superman não tem chance e a última esperança sobre a Terra contra os destruidores kriptonianos acaba ali mesmo. O enceramento da luta é, talvez, fácil demais, simplista demais, e, claro, abre portas para a volta do personagem muito brevemente. Uma conveniência de roteiro para acelerar o passo, infelizmente.

Quando as atenções se voltam para Batman e Carrie Kelley, que assistem a tudo sem poder agir de forma efetiva, Gotham City recebe um ultimato: ou entregam Batman em 36 horas ou a cidade será apagada do mapa. Incomodou-me o prazo concedido e o fato de as dezenas (centenas, talvez) de kriptonianos nem mesmo tentarem achar o Homem Morcego com seus poderes, tarefa que não deveria ser terrivelmente complicada. Além disso, a escalada da situação parece caminhar para um final desbalanceado, com algum artifício ou personagem deus ex machina chegando para solucionar o problema, o que é muito diferente do plano cuidadoso que vimos em Batman – O Cavaleiro das Trevas e até mesmo em sua continuação.

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Outra questão que também me fez coçar a cabeça em termos narrativos é a Mulher-Maravilha ter sido jogada para escanteio na minissérie, restringido-se a ficar remoendo pensamentos em sua cidade perdida. A conveniência do roteiro fica escancarada nesse ponto, com a Amazona simplesmente aceitando o controle kriptoniano sem uma justificativa razoável, sem nem mesmo ajudar Superman a convencer a filha dos dois que o mundo é bem mais complexo do que sua mente jovem imagina.

Mas, novamente, a arte de Kubert-Janson traz momentos excelentes, como a caracterização de Bruce Wayne novamente como um gigante entre os homens e uma breve, mas magnífica aparição do Flash, que termina com uma poderosa e dolorosa splash page. Com uma arte assim, os atalhos tomados por Miller e Azzarello passam a ser suportáveis. Lógico que, muito provavelmente, assim que a minissérie acabar (são oito números), é possível que, em retrospecto, o resultado do conjunto seja bem diferente da percepção por edição, mas não há muita solução para isso no momento.

o_cavaleiro_das_trevas_III_4_p2A segunda história é focada em Batgirl, mas não a Batgirl que conhecemos e sim Carrie Kelley tomando finalmente esse manto. Ela tem uma missão a cumprir dada por Batman e o que vemos é uma sequência sem fim de luta dela contra habitantes de Gotham que querem entregar Batman de todo o jeito para os kriptonianos. Assim, não há muito o que se falar sobre o roteiro sem revelar a aparição final, que provavelmente ajudará no desfecho da história maior. No entanto, Miller é o responsável pela arte aqui e, se o leitor não tiver gostado do que ele fez em O Cavaleiro das Trevas 2 certamente não gostará do resultado aqui. Particularmente, aprecio a arte tresloucada mais “recente” de Miller, justamente por perverter lógicas e expectativas, mas, aqui, o atroz uniforme presenteado para Kelley é completamente inaceitável. Quer dizer então que, por ela ser uma mulher, as botas, luvas, “sunga”, máscara e capa precisam ser rosas? E, para completar, o resto do uniforme precisa ser verde “neon”? Essa foi uma das escolhas mais inusitadas e feias para o esquema de cores de um uniforme de super-herói desde que fomos apresentados ao azul e roxo do Gavião Arqueiro original. O que Miller pensou aqui? Em chocar seus leitores com seu mau gosto? Pois conseguiu…

O Cavaleiro das Trevas III continua seu caminho para firmar-se como uma boa, ainda que não particularmente memorável, história do Homem Morcego dentro do Millerverse. Mas quem sabe os quatro números restantes não são explosivos o suficiente para mudar minha opinião completamente (para o mal ou para o bem)?

DK III: The Master Race #4 (EUA, 2016)
Roteiro: Frank Miller, Brian Azzarello (ambas as histórias)
Arte: Andy Kubert (história principal), Frank Miller (história secundária)
Arte-final: Klaus Janson (ambas as histórias)
Cores: Brad Anderson (história principal), Alex Sinclair (história secundária)
Letras: Clem Robins (amba as histórias)
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 27 de abril de 2016
Páginas: 53 (as duas histórias mais páginas extras com capas variantes)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.