Crítica | Batman – Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior #9

Edição #9

estrelas 1,5

Graphic novel completa

estrelas 2,5

Obs: Contém spoilers. As críticas dos números anteriores podem ser lidas aqui. Leiam, também, as críticas de todo o Millerverso de Batman, bem aqui.

Então quer dizer que, depois de absurdos 19 meses de espera para Frank Miller e Brian Azzarello acabarem uma história de apenas nove edições, o resultado é esta coisa pífia aqui? Uma graphic novel que tem como propósito rejuvenescer Batman, traindo a essência de O Cavaleiro das Trevas e, em seguida, colocá-lo como mero coadjuvante em sua própria história em que sua efetiva participação em nada – eu repito: nada! – interfere no final? É isso mesmo?

batman_o_cavaleiro_das_trevas_iii_9_capa_plano_criticoEsperava no mínimo algo grandioso e bem pensado – ainda que completamente exagerado – como a chuva de kriptonita que os roteiristas usaram na edição #5. Mas não, nada disso. Batman usa um sonar para mandar morcegos contra um exército superpoderoso de kriptonianos. Morcegos, caros leitores! E toda sua ação se resume a isso, pois cada página do resto da história é uma sucessão de artifícios idiotas para encerrar rapidamente as pontas soltas.

Aqueles que conhecem a expressão deus ex machina perceberão que o artifício literário – que migrou para o cinema e para os quadrinhos – é usado de forma desavergonhada pela dupla Miller/Azzarello literalmente a cada página virada, destruindo qualquer traço de lógica e verossimilhança na história. Um exército de kriptonianos, que deveria dar algum trabalho, é eliminado pela sucessão de morcegos comuns, brigas internas, Superman convenientemente escondendo a extensão de seu poder, Eléktron ressurgindo no lugar e hora certas e Lara observando tudo calada e só agindo de verdade no último segundo. E isso porque nem abordarei a chegada aleatória do Lanterna Verde e, pior ainda, a da Mulher-Maravilha assim bem discretamente, só para fazer uma composição simpática com todos os heróis de volta à ativa.

Podem parecer comentários amargos, de alguém sem paciência por ter esperado tanto tempo e recebido tão pouco, mas a grande verdade é que, olhando para trás, mesmo considerando alguns bons momentos ao longo da história, eles de forma alguma conseguem compensar os aspectos negativos e esse final frustrante é só a cereja estragada no bolo solado. Muitos reclamam de O Cavaleiro das Trevas 2, mas claramente mais pelos garranchos desenhos de Miller (algo proposital, como mencionei na crítica, ainda que muitos não aceitem) do que pela história em si. Agora, nessa terceira história, não há problemas com os desenhos, já que Andy Kubert e Klaus Janson fazem um ótimo trabalho que, em vários momentos, emula a composição gráfica de Miller na graphic novel clássica de 1986, mas a história, que já não era particularmente especial ou memorável, ganha um desfecho frustrante e enfurecedor que acaba reduzindo fortemente a potencial qualidade da obra como um todo.

Além disso, na história secundária, Miller e Azzarello provam que essa escolha em quebrar cada edição em duas histórias semi-separadas não fazia sentido prático algum. Mesmo que a aqui presente seja a que contenha a melhor arte de Miller em Cavaleiro das Trevas III, o que vemos é um mero epílogo que restabelece o status que desse universo super-heroístico de forma a parecer que absolutamente nada de importante aconteceu nele desde que Miller trouxe para o mundo um Bruce Wayne mais velho saindo de sua auto-imposta aposentadoria. É como se Miller tivesse uma estranha vergonha do que fez ou, pior ainda, como se quisesse agir de forma SEM-vergonha, rebootando seu próprio Millerverso de forma que as histórias de Batman nessa realidade, nesse futuro, possam literalmente recomeçar do zero. Em outras palavras, aquilo que era especial, diferente, ousado, torna-se genérico, igual e chato.

Quase dois anos se passaram desde que, esperançoso, adquiri a primeira edição de A Raça Superior. Depois desse tempo todo, só tenho a dizer que esse aí não é o Batman de Frank Miller, mas sim, apenas, uma cópia vagabunda e fora de foco do herói. Uma pena. Pelo menos sempre teremos a história original para reler e apagar o gosto ruim na boca…

Batman – Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior #9 (DK III: The Master Race #9, EUA – 2017)
Roteiro: Frank Miller, Brian Azzarello (ambas as histórias)
Arte: Andy Kubert (história principal), Frank Miller (história secundária)
Arte-final: Klaus Janson (ambas as histórias)
Cores: Brad Anderson (história principal), Alex Sinclair (história secundária)
Letras: Clem Robins (ambas as histórias)
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 07 de junho de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics (ainda não lançado por aqui na data de publicação da presente crítica)
Páginas: 54 (as duas histórias mais páginas extras com capas variantes e esboços)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.