Crítica | Batman Contra o Capuz Vermelho

estrelas 4

Por ter sido lançado diretamente em Home Vídeo em 2010, Batman Contra o Capuz Vermelho representa um momento elementar na linearidade das animações produzidas em sobre o Homem-Morcego pela DC Comics. Ainda que a qualidade das produções animadas da DC tenha sido, até então, impecável, a partir de do longa animado dirigido por Brandon Vietti, as adaptações em relação ao Morcego nas telinhas, ganhariam uma nova roupagem.

Em Batman Contra o Capuz Vermelho, é possível observar um anseio maior em utilizar alguns quadrinhos fundamentalmente como base para o roteiro da animação. Justamente por essa diferente opção, quem assina o roteiro do filme é Judd Winick, roteirista responsável pelas publicações de Batman de 2004 a 2006, intervalo no qual o dilema entre o Capuz Vermelho e o Morcegão foi abordado. Para além disso, o longa faz ainda fortes referências ao clássico Morte em Família. A partir de Capuz Vermelho, outros importantes eventos ganharam adaptações animadas, como foi o caso de Batman Ano Um e O Filho do Batman.

Em linhas gerais, a trama de Batman Contra o Capuz Vermelho parte de uma premissa básica, que utiliza da mais simples fórmula de construção narrativa. Temos, assim, o arcabouço clássico do herói/vilão/anti-herói, que, inclusive, lembra bastante a estrutura de Batman – A Máscara do Fantasma, primeiro longa de animação do Morcego, ainda bastante permeada com o contexto da Série Animada.

Batman empreende uma constante luta entre a mais alta máfia de Gotham que, tende a surpreendê-lo dia após dia. A trama tem início quando os vilões passam a ter algo potencialmente mais letal a temer. Um novo vigilante de Gotham, intitulado Capuz Vermelho, tem objetivo em mente: expurgar a máfia e a vilania de Gotham utilizando de métodos muito menos nobres do que os de costume do Cavaleiro das Trevas.

Logo percebemos que firmar-se em uma premissa mais simples não é a intensão do roteiro. Batman Contra o Capuz Vermelho resguarda um grande dilema ético e põe o Morcego à prova. O resgate a eventos delimitantes do passado e suas implicações no momento em que a história se desenvolve é um recurso utilizado com a sutileza necessária para que o público que desconhece a trama principal possa caminhar junto ao filme.

Com um roteiro extremamente consistente e convincente, Batman Contra o Capuz Vermelho dá um novo rumo às animações da DC. A partir daí, o contexto se adensa e passa a tratar de dilemas ainda mais sérios. Ainda que sem as clássicas vozes de Kevin Conroy e Mark Hamill, o filme desponta como uma das mais bem produzidas animações da DC. É extremamente valioso acompanhar os questionamentos de Batman em relação ao seu código de conduta e sua procura de base firme em meio a um abismo de nostalgia e remorso.

Batman Contra o Capuz Vermelho (Batman Under The Red Hood, EUA, 2010)
Direção:
Brandon Vietti.
Roteiro: Judd Winick.
Elenco (vozes): Bruce Greenwood, Jensen Ackles, John DiMaggio, Neil Patrick Harris, Jason Isaacs, Wade Williams.
Duração: 75 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.