Crítica | Batman, Detective Comics, O Cavaleiro das Trevas #3 – Novos 52

Batman # 3
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte Final: Jonathan Glapion
Cotação: 3,5/5

A Décima Primeira Hora é uma edição de busca. Praticamente encurralado pela história e pelo modus operandi da Corte das Corujas, Batman junta pedaços de histórias e se recusa a crê-las como verdadeiras, mas não tem muita alternativa para acreditar em outra coisa. Para um cientista e exímio lutador, acreditar em uma lenda urbana deve ser a última opção, mas há momentos em que a falta de dados leva qualquer um para os caminhos menos óbvios possíveis e é exatamente isso que Scott Snyder vem fazendo nessa história da Corte das Corujas.

Embora essa terceira edição não seja tão impactante quanto as anteriores, talvez pela linha unicamente investigativa, sem nenhum atrativo extra como vínhamos tendo, a boa qualidade da revista se mantém, e um cerco se fecha em torno do Morcegão. A caça à Corte fica cada vez mais difícil e mais medonha à medida em que aparecem indícios de que a organização age em Gotham City desde os tempos coloniais! E o prólogo da revista não deixa dúvidas quanto a ação da organização contra a família Wayne, quando vemos Alan, o tataravô de Bruce Wayne, surtando no meio da rua com medo dessas tais corujas.

Um nome surge: O Garra. Esse parece ser o perseguidor de Bruce e de Lincoln March, o candidato a prefeito de Gotham e grande entusiasta do projeto de Bruce Wayne para a reconstrução da cidade. Agora é mais que evidente: a Corte das Curujas sempre esteve infiltrada na metrópole da corrupção e do crime, e nos lugares mais improváveis à primeira vista.

A ótima arte de Gregg Capullo, que mantém quadros subjetivos e um capricho tremendo nos detalhes é um outro ponto notável dessa edição. Esperamos ansiosamente para ver o que acontece em Encarando a Corte, a sequência dessa aventura.

.

Detective Comics # 3
Roteiro: Tony S. Daniel
Arte: Tony S. Daniel
Arte Final: Sandu Florea
Cotação: 5/5

Há apenas uma única queixa a ser feita em relação a essa terceira edição da Detective Comics, mas ela é tão insignificante perto da grandiosidade da história que parece besteira citá-la, mas é preciso, então vamos lá. O ponto de partida da revista é o encontro do Morcego com o Criador das Bonecas (não entendo por quê renomearam o vilão, eu achava “Mestre dos Bonecos” muito melhor), e do ponto em que paramos na edição passada, vemos Batman com um lado do corpo parcialmente paralisado e o efeito se propagando rápido pelo restante corpo. Mesmo assim, e sem nenhuma justificativa para isso, o herói consegue se livrar de seus algozes, foge do cativeiro e ainda consegue levar o Boneco-da-Caixa como refém. Convenhamos que é um furo, especialmente pela altíssima qualidade do roteiro de Tony S. Daniel, mas o que vem depois dessa parte nos faz esquecer o pequeno deslize inicial e viajar pelo tenebroso mundo de Barton Mathis, o Criador das Bonecas.

A trama fica ainda mais intricada nessa edição, porque nos parece que Olívia, a garotinha aparentemente indefesa, está do lado do “papai” Mathis. Ficou um pouco ambígua a relação entre ambos, mas uma das duas coisas é certa, ou a garota é mesmo filha do Criador ou ela tornou-se filha dele, após acompanhar as atrocidades feitas com as vítimas. Essa questão da mudança psicológica pela observação e convivência com alguém é um ótimo ponto de partida para uma discussão longa que pode envolver diversos pontos da psicologia, psicanálise, pedagogia e áreas afins.

O suspense que o roteirista estabelece frente aos vários núcleos de ação é algo soberbo, porque ele não se perde uma única vez e ainda consegue segurar as pontas de uma sequência a longo prazo, como vemos na última página, com a aparição dos Coringas.

Outro fato incrível é que o próprio Tony S. Daniel desenha a revista, e quando vemos o trabalho pronto, após a excelente arte-final de Sandu Florea, não tem como não se apaixonar. Além de uma representação visceral dos rostos do Criador das Bonecas e seus ajudantes, temos uma notável contextualização de cenários, objetos, ângulos e cores (de Tomeu Morey), tudo o que uma arte excelente deve ter. A diagramação das páginas obedece aos propósitos dramáticos e narrativos, não se importando apenas com o ritmo interno da história mas com sua construção total. O cuidado é recompensado pelo resultado final, que vem ganhando merecidos elogios e a justificada preferência dos leitores.

.

Batman – O Cavaleiro das Trevas #3
Roteiro: Paul Jenkins, David Finch
Arte: David Finch
Arte Final: Richard Friend
Cotação: 1,5/5

Paul Jenkins e David Finch devem ter sérios problemas em pensar histórias normais e passá-las para o papel. Em três edições, a única coisa que conseguiram foi melhorar a arte da revista, que nessa terceira edição está realmente bacana, com exceção das duas inúteis páginas em que Bruce Wayne conversa com Jai, num daqueles jantares-flerte típicos do ricaço mulherengo. A história ainda permanece insatisfatória, porque gira, gira e não chega a lugar algum. Aqui, a participação de Flash e a suspeita de Hera Venenosa como autora da substância que transformou o Cara de Barro em Coringa não faz sentido algum.

A história narrada não tem unidade. A coelha que aparentemente ministrou a dose do veneno em algum ponto obscuro da história serve mais como tara masculina do que como personagem interessante do roteiro, e para piorar, a mistura inadvertida de cenários sem ligações com a história ou que apresentem alguma importância para o que está sendo contado é um incômodo (e dos grandes) a mais. A arte melhorou muito em relação às outras duas edições, mas o roteiro ainda continua não valendo coisa alguma. O que há com esses roteiristas?

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.