Crítica | Batman e Mr. Freeze – Abaixo de Zero

estrelas 2,5

Antes de tecer observações sobre Batman & Mr. Freeze – Abaixo de Zero, recomendo veementemente que você, leitor, revisite a crítica que fizemos de Batman – A Série Animada. Essa dica não somente está atrelada ao fato de que um produto deriva do outro, mas, sobretudo, porque eles se atravessam narrativamente, plasticamente e contextualmente.

Após a imensa popularidade alcançada com a série animada, chegava o momento de expandir alguns horizontes e alçar voos maiores, com planos ainda mais audaciosos para o Morcego. A grande aceitação e o retorno de boas críticas à série animada foi essencial para que a DC compreendesse o quão promissor poderia ser o campo de produções em animação. Dessa maneira, na busca de conseguir atender ao apelo dos fãs que queriam ver o Batman estrelando na televisão por mais tempo, nasce a série As Novas Aventuras do Batman que apresentava o Morcegão em ação, dessa vez em companhia de Robin e da Batgirl.

Pouco a pouco, a DC foi percebendo que expandir seu universo em episódios televisivos seriados talvez não fosse suficiente. É daí que surgem seus dois primeiros longas animados que servem de referência às emblemáticas sequências e novas adaptações do Cavaleiro das Trevas que viriam a seguir. Em 1998, cinco anos depois do precursor Batman – A Máscara do Fantasma, o filme Batman & Mr. Freeze – Abaixo de Zero foi lançado diretamente em vídeo.

A trama, bastante esperada e óbvia, se desenvolve em torno de mais uma tentativa de Victor Fries em salvar sua esposa mantida viva através de criogenia. Na ocasião, Fries levava uma vida solitária no ártico junto a Nora quando um submarino de uma expedição exploradora destrói a capsula refrigerada que garantia a sobrevivência de sua esposa. Atormentado com a possibilidade de perdê-la, Freeze parte para Gotham em busca do médico Dr. Gregory Belson, que assegura que a única maneira possível que Nora tem de sobreviver é por meio de uma doação de órgãos. A incompatibilidade da maioria dos doadores em função do raro tipo sanguíneo de Nora faz com que Fries busque algum doador vivo e primeiro alvo compatível é Barbara Gordon, a Batgirl.

Justamente por ter um roteiro básico e uma trama fechada, é difícil assistir ao filme sem fazer grandes ou completas ligações à série animada. O longa se apresenta muito mais como um produto extensivo da série do que como um filme com autonomia narrativa. Essa tendência, que pode ser observada ainda hoje em grande parte do que é produzido como telefilme e em outras produções spin off, dá margem para questionarmos a real relação entre Batman & Mr. Freeze e o seu público.

Caso o filme se apresentasse como uma obra independente, o longa poderia alcançar espaços maiores e trazer à tona outras discussões e aspectos impossibilitados pela sua dependência em relação à série animada. No entanto, já que Batman & Mr. Freeze se propõe a funcionar como um spin off de uma série mais ampla, seria muito mais interessante trazer uma história mais aprofundada e um debate relativamente novo, pouco abordado midiaticamente e, então, desconhecido por seu público.

Ainda que apresente um desempenho bastante ssatisfatório em sua produção técnica, o roteiro deixa a desejar desde o momento em que aparenta ser um episódio grande demais e não um filme de longa metragem. O argumento simplório da narrativa e seu fechamento mais do que esperado é um importante índice do momento experimental no qual a DC se encontrava. A empresa, então especializada na indústria de quadrinhos e recém-chegada ao universo dos dispositivos audiovisuais animados, tinha um longo desafio pela frente. Diante da competência com que executa seu universo animado, é evidente que Batman & Mr. Freeze foi apenas o resultado de uma empresa que, naquele momento, não queria muito mais do que se testar e experimentar.

Batman & Mr. Freeze – Abaixo de Zero (Batman & Mr. Freeze – Subzero, EUA, 1998)
Direção: Boyd Kirkland.
Roteiro: Boyd Kirkland e Randy Rogel.
Elenco: Kevin Conroy, Michel Ansara, Loren Lester, Mary Kay Bergman.
Duração: 67 minutos.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.