Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas 3 #1 / Dark Knight III: The Master Race #1

estrelas 3,5

dkiii_capaFrank Miller está de volta mais uma vez à sua abordagem sobre Batman, que iniciou com a irretocável e altamente influente graphic novel Batman – Cavaleiro das Trevas, em 1986. A continuação, O Cavaleiro das Trevas 2, lançada 15 anos mais tarde, desapontou igualmente os fãs e a crítica, ainda que, se vista sob o ângulo correto, ela não seja não ruim quanto dizem.

Quase 15 anos se passaram de novo e a segunda e igualmente aguardadíssima continuação de sua obra seminal é lançada, mas, desta vez, Miller abriu espaço para a contribuição de terceiros, algo muito provavelmente oriundo de seu estado de saúde e, também, de exigência da DC Comics, que não quer arriscar outra recepção negativa. Tanto é assim que Dark Knight III: The Master Race #1 é a grande aposta da editora em 2015, depois de um ano complicado em termos de vendas. E a aposta é alta, já que o primeiro número ganhou dezenas de capas variantes para colecionador algum botar defeito, uma equipe variável de mentes criativas e toda a pompa e circunstância que um lançamento deste bem particular millerverso de Batman merece.

Planejada para ser uma obra em oito edições contendo duas histórias cada uma, a principal e uma paralela, focando em diferentes heróis, The Master Race tem tudo para ser grandioso e talvez redimir Miller perante os olhos de seus fãs. Neste primeiro número, escrito por ele e por Brian Azzarello (100 Balas), já é possível detectar uma espécie de equilíbrio entre as duas histórias anteriores. O tom apocalíptico de O Cavaleiro das Trevas 2 dá espaço a uma narrativa que em muito lembra o ressurgimento de Batman em O Cavaleiro das Trevas, dando mais foco ao personagem, sem muitas distrações. Ao mesmo tempo, somos reapresentados à Mulher-Maravilha – desenhada no “estilo Miller” por Andy Kubert, com arte-final de Klaus Janson – e seus dois filhos, Jonathan, ainda pequeno e carregado nas costas pela Amazona mesmo quando enfrenta um vilão em meio à selva e super-poderosa Lara, que herdou os genes gregos da mãe e kryptonianos do pai. Onde está Superman? Bem, contar seria estragar a história para quem ainda não leu, mas basta dizer que, ao menos pelo momento, ele é carta fora do baralho.

Apesar de a ação com a Mulher-Maravilha e Lara ocupar uma boa quantidade de páginas, o foco fica mesmo, como disse, com mais um reaparecimento de Batman em Gotham City, três anos depois da última vez, artifício narrativo que, confesso, já está cansando. No entanto, parece que há algo errado nas ações do Morcego, pois ele passa a atacar policiais e não vilões. O que está acontecendo, afinal de contas? Há uma revelação final para lá de óbvia, mas que muda o status quo se Miller e Azzarello continuarem nesse caminho, sem reverter para o que era antes, algo que, muito sinceramente, duvido que eles tenham coragem de fazer.

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Ação e contemplação nos traços de Kubert e Janson.

De toda forma, a história funciona bem ao repaginar a bagunça exagerada que o próprio Miller fez em O Cavaleiro das Trevas 2 e trazer a narrativa para algo mais centrado, mais correlacionável. Não há pistas, ainda, sobre qual é a “Raça Suprema” do título, mas, considerando o final do volume anterior, com Superman acordando para o fato de que ele é diferente dos demais humanos, minha aposta fica com os seres super-poderosos, especialmente os kryptonianos – com a ajuda dos habitantes da cidade engarrafada de Kandor, que tem proeminência na história de 2001 e que volta a receber atenção aqui.

Com Kubert e Janson na arte e Brad Anderson nas cores, a aparência deste primeiro número é, pela falta de uma palavra melhor, comum. E vejam, comum não significa ruim; é apenas o que é, uma arte bonita, mas que é padrão, que não chama a atenção especialmente por essa ou aquela razão. Ainda que a impressão de “mesmo universo” seja mantida, graças à manutenção do uso da mídia como elemento unificador, o resultado final não traz nada que possa ser objeto de uma conversa acalorada entre leitores. Claramente a DC Comics não quis arriscar aqui e entendo perfeitamente essa pegada. Mas Kubert, muito provavelmente guiado por Miller, um mestre em distribuir quadros, faz um belo trabalho nesse quesito, algo que fica particularmente evidente no conflito das páginas finais entre Batman e vários policiais. São sequências fortes, muito violentas (mas não exageradamente) e distribuídas com elegância e inteligência. As cores de Anderson tentam emular o trabalho anterior de Lynn Varley, mas misericordiosamente sem se perder no exagero dos splashes digitais. Há uma contenção bem-vinda nesse ponto.

dk iii capa 2A segunda história é focada em Eléktron, um dos heróis que Batman resgatou em O Cavaleiro das Trevas 2. É muito interessante notar o título completo – Dark Knight Universe Presents: The Atom #1 (ou, em tradução livre, “O Universo Cavaleiro das Trevas Apresenta: Eléktron #1”) -, pois é a primeira vez que esse “universo Cavaleiro das Trevas” é oficialmente usado pela DC Comics, deixando bem clara a característica Elseworlds desses trabalhos de Frank Miller.

Desenhada por Frank Miller, mas com uma importante arte-final de Klaus Janson que segura o lápis do autor dentro de confins mais “normais”, ainda que o toque de Miller se faça mais do que presente, especialmente na postura de Ray Palmer, a história é simples e objetiva, com uma narração em off do personagem que discute seu papel histórico na Liga da Justiça e como herói diante de gigantes como a Santíssima Trindade da DC. Há conexão direta com o que lemos na história anterior, especialmente com Lara e a cidade de Kandor, mas nada efetivamente acontece nas breves 12 páginas desse conto. De toda forma, a porta é aberta para interessantes possibilidades.

Ainda é difícil julgar, mas esse “novo começo” de O Cavaleiro das Trevas parece ter começado bem, ainda que a DC esteja jogando um jogo seguro ainda, sem arriscar muita coisa. Resta saber o que Frank Miller maquinou nesses últimos 15 anos e o quanto dessas maquinações a DC permitirá que chegue às páginas de The Master Race.

DK III: The Master Race #1 (EUA, 2015)
Roteiro: Frank Miller, Brian Azzarello (ambas as histórias)
Arte: Andy Kubert (história principal), Frank Miller (história secundária)
Arte-final: Klaus Janson (ambas as histórias)
Cores: Brad Anderson (história principal), Alex Sinclair (história secundária)
Letras: Clem Robins (amba as histórias)
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 25 de novembro de 2015
Páginas: 54 (as duas histórias mais páginas extras com capas variantes)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.