Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas #5 a 9 (Novos 52)

estrelas 2

Desde o início de O Cavaleiro das Trevas nos Novos 52 estivemos de frente para uma revista pouco convincente e de narrativa fraca, especialmente se a compararmos com outras publicações do Morcegão nessa nova fase: Batman, Detective Comics e Batman & Robin, por exemplo.

Esse arco inicial denominado Knight Terrors, acompanha a descida do Vigilante de Gotham ao submundo da cidade, onde se defronta com seus maiores medos, intensificados pela administração de um veneno ou toxina em seu corpo, o mesmo que fez com que houvesse a grande fuga do Asilo Arkham no início da saga e causou o aumento físico dos vilões.

Uma das piores coisas de toda essa história é a necessidade dos autores em trazer outros heróis da DC para contracenar com o Batman, como se o Morcego não fosse o bastante para segurar sozinho uma história de envenenamento e perturbações psíquicas. Ou seja, além de uma incessante, confusa e desnecessária galeria de vilões em cena — a maior parte deles com papeis de isopor em relação à trama como um todo –, as edições apresentaram uma boa quantidade de heróis, com destaque, nessa parte do arco, para o Flash e Superman.

E a pergunta que não quer calar: qual é a necessidade disso?

As idas e vindas do roteiro não permitem ao leitor se concentrar num único ponto da história simplesmente porque eles se alteram demasiadamente. É claro que fica em pauta a questão do veneno, a ação dos vilões e a luta do Batman (e os heróis que não deviam estar aqui) para controlar os efeitos em si e nas pessoas à sua volta. Todavia o texto pega tantos atalhos e se encaminha para tantas rixas antigas e “possibilidades chocantes” que o máximo que consegue fazer é irritar o público.

As únicas edições que escapam parcialmente desse mar de complicações são as de número #8 e 9.

A primeira começa com um tipo de investigação comum ao Batman, ao lado do Comissário Gordon. A arte de Ed Benes é detalhista nos primeiros planos e em páginas duplas, contrapondo-se aos traços mais grossos e concepção quase minimalista dos quadros em plano geral, o que dá uma aparente constituição mal cuidada aos desenhos, visão que combina perfeitamente com o tipo de crime violento aqui investigado. O drama do Comissário Gordon e o fator mais detetivesco do texto de Joe Harris fazem dessa 8ª edição da revista a melhor de todo o arco, mesmo que tenha a estranha participação do Chapeleiro Louco e Tweedledum & Tweedledee.

No caso da edição #9, salva-se a sua parcela de contribuição para o crossover com a Noite das Corujas, tendo eventos acontecendo às 22h55 e à 0h. O que mais se destaca aqui é a preparação para o encontro do Morcego com Lincoln March, alguém que se revelará de extrema importância para o Cavaleiro das Trevas em Batman #10.

No quesito “maiores bizarrices” poderíamos citar praticamente o arco inteiro, mas vou me ater apenas à inacreditavelmente patética revelação da identidade da Coelha Branca como sendo Jaina Hudson. Tudo no final da edição #7 cheira a roteiro-chavão e apelo estúpido ao público. Veja a página final da reviste e tire suas próprias conclusões.

Não, isso não é brincadeira! Você está olhando para a página de uma revista do Batman!

Diante dessa situação pontuada de bizarrices e que (ainda pior!) não se resolveu por completo, chegamos ao final desse arco de 8 edições com a sensação de que tudo o que fizeram nessa história foi para denegrir a imagem do Batman. Essa é a única conclusão racional a que eu posso chegar.

E para dizer que não existem coisas boas em todo esse bloco de histórias (fora as edições cujos textos são menos estranhos, já citadas acima), vale destacar a arte das edições #4, 5, 8 e 9. As minhas páginas favoritas de todo o arco estão dispostas na aba abaixo, clique se você desejar ver.

Minhas páginas favoritas dessa parte do arco

Eu gostei bastante desse momento de luta do Morcego contra o Espantalho (mas só desse momento mesmo), porque mostra um fator de delírio que foi incrivelmente ilustrado por David Finch e é a única coisa que faz sentido dentro da proposta fixa na relação herói-vilão e elementos do arco. Aqui estão as páginas (todas da edição #8).

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Batman: The Dark Knight (New 52) – EUA, março a julho de 2012
No Brasil: Batman – O Cavaleiro das Trevas, 2012 – 2013
Roteiro: Paul Jenkins, Joe Harris, David Finch, Judd Winick
Arte: David Finch e Ed Benes (apenas edição #8)
Arte-final: Richard Friend e Rob Hunter, Jack Purcell (apenas edição #8)
Cores: Jeromy Cox e Sonia Oback (apenas edição #9)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.