Crítica | Batman: Pequena Gotham Vol.1

estrelas 4

Versões “infantilizadas” de histórias em quadrinhos, tanto na Marvel quanto na DC se tornaram bastante popular entre os leitores a partir dos anos 2000. Ao mostrar seus personagens durões e seus vilões ecabrosos sob um ponto de vista não amedrontador ou exatamente ameaçador, essas grandes editoras conseguiram mexer com o lado infantil dos adultos e fascinar adolescentes e crianças pela forma como os desenhos e os textos dessas aventuras brincam com os universos já bastante conhecidos de suas publicações.

A série digital — e posteriormente impressa — Pequena Gotham (Li’l Gotham, no original) é um alto ponto dessa relação entre a fofura do universo infantil e a seriedade e violência do universo adulto. Ilustrada e escrita por Dustin Nguyen em parceria com Derek Fridolfs, Pequena Gotham apresenta como enredo histórias bem humoradas, com forte apelo metalinguístico, piadas internas, referências soltas aos filmes da Trilogia Batman (2005 – 2012), quadrinhos clássicos e a série clássica de TV. Baseando as edições em feriados ou comemorações importantes do calendário estadunidense, temos as seguintes abordagens nas edições que compõem este primeiro bloco da série, publicado originalmente entre junho e novembro de 2013:

  • Dia das Bruxas e Ação de Graças (Li’l Gotham #1)
  • Natal e Véspera de Ano-Novo (Li’l Gotham #2)
  • Dia dos Namorados e Ano-Novo Chinês (Li’l Gotham #3)
  • Dia de São Patrício e Páscoa (Li’l Gothan #4)
  • Cinco de Mayo (Li’l Gothan #5)
  • Dia das Mães e Dia dos Pais (Li’l Gothan #6)
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Uma outra forma de enxergar o Dia das Bruxas em Gotham.

A edição brasileira, publicada pela Panini em março de 2015, conta com um bônus ao final do encadernado, com as seguintes histórias: Questão e Resposta (Detective Comics Annual #11 – parte 2) uma ótima brincadeira com o Charada fazendo perguntas e irritando todo mundo em um cenário que parece ser o dia mais movimentado já visto no Asilo Arkham; e a super sem graça O Rally dos Vilões (Batman Annual #27 – parte 2), que deveria trazer uma espécie de prisão em massa dos vilões icônicos de Gotham, mas acaba sendo uma crônica moral e patética. Ambas as histórias receberam o subtítulo “um pequeno conto de Gotham” e foram publicadas em 2009, tendo a mesma dupla de Pequena Gotham na criação.

O interessante de todas essas 6 primeiras edições da série é que não temos uma única trama ruim. A primeira revista é ótima, a segunda e terceira um pouco fracas e as edições 4 a 6 são maravilhosas. Os traços leves e a finalização aquarelada da maioria dos números (há uns poucos quadros que não seguem esse estilo artístico) ajudam a criar o imaginário tenro pretendido por Nguyen, que não deixa de fazer piadas com o cânone do Cavaleiro das Trevas, como a quantidade de Robins ao longo da história, a loucura esperada de determinados personagens e as estranhas relações sociais que tanto os heróis quanto os vilões de Gotham estabelecem.

O humor e a simpatia dos personagens se renovam a cada edição devido à temática dos feriados que, até aqui, funcionou muito bem, embora eu acredite que isso talvez se esgote como linha direcional dos enredos mais adiante. De todo modo, o cenário, as fantasias, os núcleos narrativos, tudo é muito interessante e muito divertido dentro desse âmbito dos feriados. A partir da edição #4, um novo fôlego é adicionado à publicação: a ligação entre os eventos correntes nas revistas do Batman nos Novos 52.

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Quantos heróis são necessários para fazer um jantar de Dia dos Pais para Alfred?

O grande bônus das aventuras, apesar de pequeninos tropeços como a aparição rápida de um ou outro personagem que vem apenas para quebrar o ritmo do roteiro, são as edições #5 e 6, as melhores do bloco. Nguyen e Fridolfs conseguem trabalhar questões mais sérias sem perder o caráter infantil que marca a série e tornam os diálogos cada vez mais ácidos entre todos os lados em conflito — inclusive os conflitos internos dentro da Batfamíia — aumentando de forma sóbria e muito inteligente a interação entre o lado bom e o lado mal da cidade.

Cheio de passagens icônicas, tiradas impagáveis (Batcaverna X Baitacaverna / Batpai / Batgordo / Mordomaço, etc.), boas cenas de luta e textos leves, porém, nada bobos, essas primeiras edições de Pequena Gotham farão qualquer leitor rir com gosto e apreciar muitíssimo a leitura. A não ser que a pessoa não goste de diversão ou seja um vilão cósmico super-malvado sem coração e sem infância…

Batman: Pequena Gotham (Li’l Gotham #1 a 6) — junho a novembro de 2013
Lançamento no Brasil: Panini, março de 2015
Bônus: Detective Comics Annual #11 (II) e Batman Annual #27 (II), 2009.
Roteiro: Dustin Nguyen, Derek Fridolfs
Arte e cores: Dustin Nguyen
132 páginas 

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.