Crítica | Batman vs. Robin

estrelas 3,5Sabemos que o Batman pode fazer de tudo um pouco e não precisa de super poderes para isso. É bilionário, filantropo e um playboy. Similar a outro herói, mas não vamos falar dele. Tem uma empresa que gera recursos para Gotham e pretende revitalizar a cidade. Porém, algo que ele não sabe bem como fazer é ser pai.

Desde que Damian entrou em sua vida as coisas complicaram bastante. Bruce se viu obrigado a aumentar a vigilância e a segurança da Mansão Wayne para evitar que o moleque saia sem ser percebido, no entanto, seus esforços estão sendo em vão, pois ele sempre acha uma maneira de fugir. E foi em uma dessas escapulidas que Damian acabou em uma cidade abandonada seguindo o rastro de crianças desaparecidas e deu de cara com o Dollmaker, o notório psicopata que capturava as crianças transformando-as em fantoches vivos. Ainda que o Batman tivesse pedido para ele não fazer nada impulsivo, o garoto acaba entrando em uma luta contra o vilão e seus fantoches mirins e é salvo por Batman, apesar de insistir que não precisava de ajuda. O morcego se vê preso entre muitos fantoches, enquanto Dollmaker escapa e Robin vai atrás dele, entoando na cabeça as palavras do pai “justiça, não vingança.” Ao duelar novamente com o psicopata, Robin hesita em matá-lo e é então que uma estranha figura aparece e termina o serviço. Ele vai embora dizendo que o menino deve confiar mais nos seus instintos. Nesse exato instante o Batman chega e começa a brigar com o filho acreditando que ele matou o vilão. O menino nem se explica muito, diz que não foi ele e que o Batman não confia nele.

Em casa a situação não melhora e os dois não conseguem manter um diálogo. Bruce prefere poupar o menino de algumas informações, enquanto ele acha que o pai além de não confiar nele, não o quer por perto. Essa briga constante acaba afastando-os cada vez mais e levando Robin a procurar outro tipo de ajuda, do Garra, mesmo personagem obscuro que matou Dollmaker. O que o menino não sabe é que tudo faz parte de um plano maior arquitetado pela antiga sociedade Corte das Corujas que trafega secretamente por Gotham há vários anos e planeja tirar o Morcego de cena.

Batman vs. Robin é a 23º animação da DC Comics e certamente muito mais sombria que a anterior O Filho do Batman que nos apresentou o Damian. A relação entre pai e filho é praticamente inexistente e os dois são como óleo e água. Bruce quer o melhor para o filho, mas não sabe agir como pai e acaba se portando de forma ríspida e incisiva, aumentando ainda mais a raiva do menino que está perdido depois de ter tido tantos tutores e consequentemente, o empurrando para longe. Somado a essa relação, aparecem os membros da Corte das Corujas, com seus experimentos macabros para apimentar a história.

Jay Oliva que também dirigiu Liga da Justiça: Ponto de Ignição, transformou o arco que iniciou o reboot do Batman nos Novos 52 ao acrescentar o Damian a história e agilizar um pouco algo que levou pelo menos oito ou nove quadrinhos para ser concluído. Oliva ainda utilizou de cenas similares aquelas pertencentes ao quadrinho, mostrando certa fidelidade a trama original.

A animação difere bastante da anterior por usar uma paleta de cores mais frias, claramente remetendo a relação conturbada entre pai e filho. Mesmo dentro da mansão as cores escolhidas não passam acolhimento e a Batcaverna, nem precisa falar nada.

Contudo, o ponto forte em Batman vs. Robin reside na dificuldade que pai e filho tem para estreitar os laços que existem entre eles. Afinal, para eles, as palavras pai e filho não passam disso, palavras, que tal qual afeto, confiança e respeito, precisam ser conquistadas. E vê-los galgar esse caminho aos tropeços, aprendendo um com o outro, bem interessante.

Batman vs. Robin (Batman vs. Robin – EUA, 2015)
Direção: Jay Oliva
Roteiro: J.M. DeMatteis
Elenco: Stuart Allan, Troy Baker, Kevin Conroy, Trevor Devall, Robin Atkin Downes, Griffin Gluck, Grey Griffin, Sean Maher, David McCallum, Jason O’Mara, Peter Onorati, Andrea Romano, Jeremy Sisto, Weird Al Yankovic
Duração: 76 min

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.