Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça – Edição Definitiva

estrelas 3,5

Ninguém esperava que Batman vs Superman: A Origem da Justiça fosse recebido do jeito que foi. Um massacre da crítica em seu final de semana de lançamento, Ben Affleck virando meme com sua cara de triste e uma divisão radical entre os fãs; uns achando que se tratava de um grande filme incompreendido, outros que era realmente uma grande bomba. Escrevi em minha crítica original como saí decepcionado e frustrado da sessão de imprensa, enquanto Matheus Fragata defendeu com honra a qualidade do filme em sua análise com spoilers. Mas independente das opiniões, uma coisa sobre o filme é absolutamente certa: nem a Warner esperava esse resultado, tanto que a versão definitiva foi confirmada antes mesmo do lançamento do longa dos cinemas. Raios, até mesmo uma cena inédita foi divulgada uma semana depois.

É a tentativa da Warner e de Zack Snyder de mostrarem que “dá pra fazer melhor”, e a verdade é que esses 30 minutos adicionais realmente são benéficos à produção, no geral. Mas antes de nos debruçarmos sobre o material inédito, fica o aviso: se você não gostou da versão de cinema do filme, é bem provável que esse novo corte não faça milagres na sua cabeça, ainda mais porque alguns defeitos (a situação Martha, o CGI exagerado, a introdução forçada da Liga da Justiça) só melhoram se a Warner fizer o filme de novo. Mas ele definitivamente conserta alguns elementos falhos e nebulosos da versão anterior.

De cara, vamos à situação da África. No corte de cinema, era uma narrativa confusa e que não fazia muito sentido; só sabíamos que Lex Luthor visava incriminar o Superman, de alguma forma que só era clara com alguma leitura à parte e muita elaboração. Isso tudo é muito melhor explicado na edição definitiva, que expande a sequência onde Lois Lane e Jimmy Olsen (Michael Cassidy) chegam no lar do general e, mais importante, nos revela que a personagem de Wunmi Mosaku – que aparecia testemunhando contra a interferência de Superman no tribunal – é de fato uma atriz contratada pelo vilão para sujar a imagem do Homem de Aço. Isso conserta uma boa porção do primeiro ato, garantindo bons diálogos que certamente vieram de Chris Terrio (dada sua experiência com Argo) e uma participação ainda mais ativa do bandido Anatoli Knyazev (Callan Mulvey).

Depois, temos Henry Cavill. É impressionante como o ator tinha muito mais cenas aqui, tornando o equilíbrio do Superman bem justo com a quantidade de cenas em que o Batman de Ben Affleck aparece, e, dessa forma, pavimentando um caminho mais lógico para o iminente confronto dos dois. Claro, a luta ainda se dá pelo banal motivo de Lex sequestrar a mãe de Clark, mas uma inimizade entre este e a figura do Batman vai crescendo através de cenas em que o vemos como repórter em Gotham City entrevistando cidadãos sobre as ações do vigilante, levando-o até mesmo para a família do criminoso marcado a fogo que vemos capturado no primeiro ato – e sua brutal execução por outros prisioneiros. Reforça muito bem o lado demasiado sombrio do Cavaleiro das Trevas, conferindo até mais razão para o Homem de Aço no confronto.

Entre outros pequenos momentos acrescentados aqui e ali, vale apontar a presença de alívios humanos. Como a mídia desempenha um importante papel ao longo da narrativa, vemos mais cenas através de televisores e pessoas comuns os acompanhando: uma dupla de policiais que assiste a um jogo de futebol entre Metrópolis e Gotham antes de uma batida, garçons vendo o programa Daily Show (ponta de Jon Stewart, que ainda apresenta o Daily Show nesse universo) antes de seguirem para a festa onde Bruce Wayne reencontra Diana Prince e até uma série de civis acompanhando a repercussão do atentado ao capitólio, questionando entre si o que o Superman teria a ver com isso. Aliás, falando nisso, uma boa explicação para o fato de Superman não ter impedido a explosão: a cadeira de rodas era feita de chumbo, o único material que bloqueia a visão raio-X do personagem.

Na briga titular, não temos muito de novo. Superman leva uns socos a mais, Batman derrapa pelo chão em algumas tomadas adicionais… É mais perceptível no resgate de Martha, onde sangue digital é acrescentado a diversos momentos, criando ali mesmo um Batman ainda mais brutal e violento do que havíamos visto. Porém, vale dizer que a nova censura R não é muito exagerada.

Antes que eu me esqueça: muito se falou e noticiou sobre a participação de Jena Malone no projeto. Enquanto uns acreditavam que ela seria a versão Carrie Kelley do Robin e outros apostavam fortemente que ela seria a Barbara Gordon, a decepcionante verdade é que Malone é uma simples analista forense cujo nome nem nos é revelado (mas os créditos finais a identificam como Janet Klyburn, nome que como bem nos apontou um de nossos leitores, está relacionada com os Laboratórios S.T.AR.).

Não tenho certeza se a Edição Definitiva de Batman vs Superman: A Origem da Justiça vai converter aqueles que tenham desgostado em adorador do filme, mas sem dúvida alguma conserta uma série de lacunas de roteiro e narrativa, sendo, assim, um filme bem melhor do que aquele lançado em março. Ainda é um início inchado para a Liga das Justiça nos cinemas, mas esta definitivamente é a versão que deve ser vista.

Obs: O filme já encontra-se disponível para download oficial no Itunes.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça – Edição Definitiva (Batman v Superman: Dawn of Justice – Ultimate Edition, EUA – 2016)

Direção: Zack Snyder
Roteiro: David Goyer e Chris Terrio
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Gal Gadot, Holly Hunter, Jeremy Irons, Scoot McNairy, Diane Lane, Laurence Fishburne, Tao Okamoto, Callan Mulvey, Michael Cassidy, Wunmi Mosaku, Ezra Miller, Jason Momoa, Jena Malone
Duração: 181 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.