Crítica | Batman: Xamã

estrelas 3,5

Não é preciso ser assim tão batmaníaco para saber que a DC Comics encarou um “reinício” para a cronologia do Batman após a Crise nas Infinitas Terras. O ponto de partida com Ano Um foi um sucesso enorme e chamou a atenção de muitos leitores, criando um clássico imediato. Mas depois das edições #575 a 578 (melhor conhecidas como Ano Dois), a linha do tempo do Morcegão enlouqueceu novamente, com um salto de pelo menos cinco anos em torno dos eventos que o envolviam até ali.

Quase que para mascarar esse vazio existencial de histórias, a DC empreendeu um projeto que chamou de Legends Of The Dark Knight, ou seja, uma série mensal publicada a partir de novembro de 1989, que traria à tona as primeiras aventuras do Homem-Morcego. No final das contas, a série teve boa parte de suas publicações fora da cronologia principal, taxadas de “Túnel do Tempo” pela editora, mas mesmo assim, são responsáveis por uma interessante caracterização e informações válidas sobre o personagem, mesmo que se passem, muitas vezes, em uma linha do tempo “não oficial”.

Batman: Xamã foi o primeiro arco dessa série, com 5 edições publicadas entre novembro de 1989 e março de 1990. A história começa com uma série de acontecimentos aparentemente profundos e o leitor tem a falsa ideia de que o ainda não autodeclarado Batman vá ter a sua experiência espiritual. Ao longo dos anos, em algumas vezes, sabemos que o Morcego de Gotham teve sua cota de contato com o insólito mundo dos espíritos, milagres, abduções e coisas do tipo. Até com um artefato divino já colocaram o Batman para “brincar” (O Cálice, de Chuck Dixon e John Van Fleet), mas isso nunca foi muito a cara e o mundo do Cavaleiro das Trevas. E talvez seja por tal motivo que toda abordagem não prática para ele seja tratada com desdém pelos roteiristas.

A pergunta é: se o Morcego não foi criado para lidar com causas sobrenaturais, por que diabos colocam ele nessas aventuras? Por que não deixar isso com a Batwoman, que já está mais acostumada com o submundo do submundo do submundo de Gotham? Mas enfim, cá está o Batman tentando encontrar um falso Xamã após ter tido contato com um verdadeiro em algum lugar ao norte do Alasca.

A aventura é excelente no início, mas o pecado do final tem a ver com seu ceticismo e o modo como a experiência espiritual é sempre jogada para o lado ou posta como inferior ao seu método científico.

A caçada inicial é um verdadeiro enigma, guiado com cuidado por Dennis O’Neil e com uma ótima arte de Hannigan e Beatty (com exceção de alguns desenhos sonsos dos coadjuvantes), mas ao passo que a investigação avança e os reais problemas da vida superam o enlevo espiritual o Morcegão, o roteiro cai em sua própria armadilha: surgem muitas pontas e o modo como elas terminam sendo amarradas não é nada elogiável.

Batman: Xamã traz uma visão peculiar sobre a construção da Batcaverna, o modo como o Batman se torna o Batman de verdade e sua evolução investigativa ou mesmo de enfrentamento físico com seus inimigos. A leitura é válida, mas termina relativamente caótica, o que estraga um pouco a experiência do leitor. Uma revelação mais simples teria servido muito bem e dado outra cara à obra. Mas isso são só conjecturas.

Batman: Xamã [Lendas do Cavaleiro das Trevas #1 a 5] – EUA, 1989 – 1990
Roteiro: Dennis O’Neil
Arte: Edward Hannigan
Arte-final: John Beatty
Cores: Richmond Lewis
Editora: DC Comics
Páginas: 30 (cada número)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.