Crítica | Baywatch: S.O.S Malibu

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estrelas 3

Generalizando bastante, nós podemos dividir os filmes “ruins” em dois grupos muito distintos: aqueles que tentam, efetivamente, acertar, mas acabam deslizando em algum ou muitos pontos pelo caminho e aqueles que nasceram para não serem levados a sério, obras cuja própria premissa já é o suficiente para causar boas risadas no espectador. Naturalmente, esse é o caso de Baywatch: S.O.S Malibu, adaptação cinematográfica da lendária série estrelada por David Hasselhoff e, claro, Pamela Anderson. Evidente que o fato de uma obra se assumir como uma empreitada mais descontraída não a absolve de todos os seus “crimes”, mas, ao fazer isso, podemos aproveitá-la sem criar grandes expectativas.

A trama gira em torno de um grupo de salva-vidas liderado por Mitch (Dwayne Johnson), que, após receber três novos membros, incluindo o nadador olímpico que caíra em desgraça, Matt Brody (Zac Efron), começa a investigar um esquema de tráfico de drogas que acontece ali na praia. Pouco esperavam, contudo, que tudo isso fazia parte de um plano maior, envolvendo políticos e outras pessoas de importância, o que acaba colocando em xeque a carreira de Mitch, que, ainda assim, não hesita em descobrir uma forma de expor toda a operação, levando os responsáveis à justiça.

O próprio conceito de salva-vidas atuando como detetives/agentes secretos já é o suficiente para captarmos o tom de brincadeira presente em toda a obra. O roteiro de Damian Shannon e Mark Swift não esconde esses absurdos da trama, herdados, claro, da série original. Muito pelo contrário, ele os perverte, transformando-os em piadas, junto de características marcantes do Baywatch original, como a clássica corrida em câmera lenta, que chega a ser assumida em diálogos. Apesar disso, Shannon e Swift, perigosamente, adotam um tom maior de seriedade em determinados pontos, o que estraga completamente o inusitado que deveria preencher toda a narrativa.

Em razão disso, o longa-metragem acaba indo pelos caminhos genéricos dos filmes de ação atuais, não se diferenciando muito de um Velozes e Furiosos, por exemplo – basta trocarmos os carros pela praia e equipamentos de salva-vidas e voilà! Dito isso, a trama principal acaba seguindo por caminhos mais sérios do que o esperado, sem oferecer qualquer tipo de surpresa, visto que tudo é completamente previsível. Evidente que as gags se fazem presentes durante toda a projeção, mas, em certos trechos, soam perdidas ou forçadas demais, já que a atmosfera ao redor não abre espaço para que elas se espalhem como deveriam.

Mesmo tornando-se perigosamente genérico, o filme consegue se distanciar da grande maioria das obras de ação da atualidade por não oferecer sequências exageradamente longas. A obra consegue captar bem a atmosfera de séries policiais dos anos 80 nesse sentido – não chega a ser nada magnífico, mas, ao menos, nos distancia de infindáveis trechos com mil e um cortes, todos parecidos entre si. Ainda que exagere na dose em certas ocasiões, o longa nunca chega ao ponto de nos fazer querer sair da sala, como ocorre em tantos filmes por aí.

Baywatch, contudo, conta com dois grandes trunfos a seu favor: Dwayne Johnson e Zac Efron (algo que, há dez anos, eu jamais esperaria dizer!). É inegável que o ex-The Rock é um ator limitado, assim como muitos astros de filmes de ação que vemos por aí, mas ele conta com algo bastante raro de se ver: um carisma praticamente infinito. Johnson consegue fazer qualquer sequência da obra, qualquer piadinha funcionar. É como um apresentador cativando a audiência e mesmo situações para lá de cliché acabam tornando-se orgânicas à trama em razão dele. Efron, por sua vez, interpreta o típico rapaz cheio de si que passa por uma jornada de redenção. Nada muito chamativo, mas sua química com o personagem de The Rock é inegável, proporcionando-nos ótimos momentos, muitos dos quais fazem referência ao seu passado de High School Musical.

Dito isso, Baywatch: S.O.S Malibu está longe de ser uma obra-prima, ou até mesmo o revival perfeito da série original (não que essa chegasse perto de ser uma maravilha), mas, definitivamente, é um filme que diverte. Embora quase caia na seriedade excessiva em determinados pontos, o longa de Seth Gordon é uma aventura descompromissada, que, naturalmente, pede ao espectador que deixe seu cérebro fora da sala de cinema, para que, enfim, aproveite essa comédia que nunca se propôs a ser algo inesquecível, apenas divertido.

Baywatch: S.O.S Malibu (Baywatch) — EUA, 2017
Direção: Seth Gordon
Roteiro: Damian Shannon, Mark Swift
Elenco: Dwayne Johnson, Zac Efron, Alexandra Daddario, Priyanka Chopra,  Kelly Rohrbach, Ilfenesh Hadera, Jon Bass, Yahya Abdul-Mateen II
Duração: 116 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.