Crítica | “Beatles For Sale” – The Beatles

estrelas 3

Há exatamente 50 anos atrás, um certo grupo britânico dominava o mundo, era o auge da popular beatlemania. Após o lançamento de três álbuns em um curto período de tempo, os Beatles já agradavam público e crítica, tamanha era a popularidade que o grupo resolveu lançar seu quarto álbum, o disco que os coloca a venda já no próprio nome: Beatles For Sale. O álbum pode não estar entre os favoritos da maioria dos fãs, mas possui uma certa relevância, principalmente por se tratar de um quarto álbum, quando muitas bandas consolidam suas carreiras. Após o aclamado A Hard Day’s Night, a banda dá alguns passos para trás e volta a fazer covers, mas ainda se arrisca em suas próprias composições. Entre erros e acertos, Beatles For Sale se mantém claro e conciso dentro da discografia da banda.

Bem, existe uma garantia, a banda entra no disco sem pretensões de uma obra cult e esse é o grande ponto a favor do grupo: ter feito canções “pop” de maneira simples, mas bem arranjadas e melódicas, sem precisar de grandes filosofias ou firulas instrumentais. As primeiras faixas do álbum provam isso, No Reply e I’m A Loser são composições bem inspiradas de John Lennon, tanto em letra quanto em arranjo. Entretanto, algumas vezes a banda pode deixar a desejar, como em Baby’s in Black e Honey Don’t, faixas que possuem a melhor das intenções, mas soam bastante repetitivas.

O single Eight Days A Week, criado por John e Paul, se tornou um dos grandes hinos da banda. Aliás, Paul acerta em cheio em todas as suas composições no álbum, seja na tranquila balada I’ll Follow The Sun – um exemplo perfeito de fusão de romantismo com simplicidade –  ou na melódica What You’re Doing, todas conseguem refletir bem o melhor lado dos Beatles, ressaltado anteriormente.

Os covers estão por toda parte, desde a excelente versão de Rock And Roll Music de Chuck Berry até a incrível Words Of Love de Buddy Holly. Apesar de muitos deles serem bem interpretados, em alguns momentos são os piores pontos do disco e se afastam da personalidade principal da banda. Um exemplo é a horrível Mr. Moonlight, provavelmente uma das piores coisas que os Beatles já cantaram, uma pseudo tentativa de fazer música cult, se afastando bastante do estilo tradicional da banda.

Beatles For Sale tem um bom resultado, pega muitas influências que aqueles jovens de Liverpool seguiam, grande parte dela está no blues – um exemplo é o Medley de Kansas City e Hey Hey Hey Hey – destacado também em outros covers e composições originais. O disco segue a linha de qualidade que permitiu a evolução da banda, um passo necessário para a chegada de álbuns como Rubber Soul ou Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band. Os Beatles se colocaram a venda no título desse álbum e, a julgar pelos reflexos da banda na história da música, muita gente os comprou.

Beatles For Sale
Artista: The Beatles
País: Inglaterra
Lançamento: 4 de dezembro de 1964
Gravadora: Parlophone
Estilo: 
Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.