Crítica | Doctor Who: Behind You, de Mark Williams

estrelas 3,5

Equipe: 12º Doutor.
Espaço: Palace Theatre / Bishop’s Palace, Londres
Tempo: 24/12/2014 e 24/12/1902

The reveal begins!
Addos e Logos

Após os eventos de Death in Heaven, o Doutor e Clara se separaram por um momento. O Time Lord procurou seguir viagem sozinho, apesar da tristeza, e deixou que Clara tivesse a oportunidade de seguir com sua vida, até onde ele sabia, feliz. É nesse espaço entre Death in Heaven e Last Christmas que a história de Behind You (2014) acontece para o Doutor.

Escrito por Mark Williams e publicado no site da BBC em três partes, como bônus literário de uma aventura de Natal, o conto é ambientado nos bastidores de uma apresentação de pantomima no Palace Theatre, em Londres. O Doutor encontra Ceri, uma substituta de atriz que está às voltas com o espetáculo pantomímico Cinderela. É durante uma das apresentações que algo terrível acontece: alguns atores e alguns espectadores da plateia começam a sofrer mutações na cabeça, tornando-se parte humano, parte animal.

Desesperada, entre amigos que se transformaram em raposa, veado e texugo, Ceri acaba encontrando o Doutor. A ideia do conto a partir daí é de uma parceria engraçada -– o gallifreyano, claro, não gosta de pantomima -– e combina perfeitamente com a personalidade dessa encarnação do Time Lord. Piadas com a arte da representação, citação de uma frase bastante usada pelo 3º Doutor (top of de class!) e a sempre fértil ideia de um “vilão que não é um vilão” são os pontos de destaque da narrativa.

Mas apesar de ser interessante, engraçada e espirituosa, a trama me pareceu reticente demais em alguns pontos, especialmente o segundo bloco. O final também entra para essa lista, mas com um agravante, que é o acontecimento alienígena em um ambiente com diversas outras pessoas sem que uma citação ou breve contexto a respeito delas, suas reações ou consequências do evento sejam dados. Entendo que o foco central da história era a relação entre o Doutor e Ceri, mas subtrair um contexto dramático só por um capricho de dar mais falas finais para a dupla protagonista não tornou o texto mais atraente.

De todo modo, Williams cria uma figuração de espécie alienígena visualmente possível de ser representada em um teatro qualquer, o que dá veracidade à história em sua reta final, mesmo que o desfecho apresente falhas. Vindos do Planeta Proscenia, as duas raças ligadas por um profundo laço mental, os Addos (seres invisíveis de pura energia criativa) e os Logos (humanoides), são os pontos “bonitinhos” do enredo meio bizarro que até então se desenvolvia.

E nessa linha de encanto do leitor, a relevação dos olhos tristes do Time Lord e a carinhosa mensagem de Natal acabam por fechar a história com um bem vindo tom de aconchego e até paz. Por um momento, nos esquecemos do entorno narrativo um tanto falho e focamos apenas naquele velho alienígena que não gosta de pantomima olhar Ceri com tristeza e dizer que é para casa que a maioria das pessoas vão no Natal. Embora tenha um belo significado, a frase, em si, é datada de uma tristeza tremenda, especialmente se considerarmos a busca do Doutor por Gallifrey, ainda em andamento nessa primeira fase de sua trajetória com o 12º corpo.

Doctor Who: Behind You (Reino Unido, 2014)
Publicação: BBC site.
Autor: Mark Wiliams
10 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.