Crítica | Beleza Americana

estrelas 4Os americanos são muito bons em vender o “american way of life” ou o estilo de vida deles. Emprego estável, uma linda casa no subúrbio, carro na garagem, família e felicidade. Basicamente o sonho da grande maioria certo? Mas, e se você acorda um dia e descobre que não era exatamente isso o que queria para a sua vida?

Foi mais ou menos o que aconteceu com Lester Burnham. Marido, pai, casa linda, emprego estável e ainda assim, Lester se sentia miserável. O emprego não lhe dava satisfação e sua esposa e filha simplesmente o ignorava. Nada fazia muito sentido, até ele conhecer Angela, amiga da sua filha, por quem acaba nutrindo uma atração inexplicável. A partir daí, começam as mudanças. Lester larga o emprego, começa a malhar e passa a enfrentar as imposições da esposa, que confusa, perde um pouco o prumo. Jane é a única que permanece a mesma frente as loucuras dos pais. Porém, as loucuras são o que fato os farão ficarem mais sãos. E tudo deu início por conta de uma mera atração.

Lá em 1999 quando estreou, Beleza Americana tomou o mundo da sétima arte de assalto e até hoje, 15 anos depois, continua incrivelmente atemporal.

O personagem de Kevin Spacey é de uma genialidade ímpar e sua atuação o que move verdadeiramente essa produção. Ele não precisa de grandes arroubos para atuar, tendo como principais ferramentas seu olhar e a voz. O bastante para conduzir o espectador e fazê-lo embarcar na trama. O elenco é cheio de grandes atores como Anette Benning e Chris Cooper, que contribuem brilhantemente para o filme, mas nenhum se destaca tanto quanto Spacey.

Com direção de Sam Mendes, o filme possui uma infinidade de detalhes e simbolismos que a princípio podem passar despercebido pelo espectador. A casa onde as famílias moram, refletem naquilo que elas almejam ser: perfeitas e simétricas. Dentro da casa de Lester, todos os móveis estão posicionados simetricamente, tem cores frias e possuem uma função específica e em dado momento, fica claro que são mais importantes para sua esposa do que ele próprio. Já a garagem, onde vira seu refúgio, é um local mais bagunçado, colorido e aberto a novidades. O que reflete diretamente na relação do casal, onde Carolyn tem muito mais espaço e muito mais poder do que Lester.  Tampouco o quarto de Jane tem alguma semelhança com a personalidade dela, o que acaba tornando o filme incrivelmente fascinante, pois fala das aparências, de projetar uma imagem de algo que você não é. E os Burnham estão longe de ser uma família feliz e unida.

No entanto, a grama do vizinho não é mais verde já que os Fitts vivem envoltos nessa disciplina militar imposta pelo pai, mas, não há comunicação. Ricky age de forma robótica e sistemática, para ficar longe do radar do pai e transmitir a imagem do bom filho, responsável, quando na verdade, trafica drogas.

Mesmo com essa temática mais séria, os diálogos são pontuados por muito sarcasmo e ironia. As discussões de Carolyn e Lester, ainda que cheia de ressentimentos, tem um resultado cômico, como as constantes negações de Ricky para o pai que no fundo, são puro deboche.

Contudo, a melhor imagem de sucesso projetada é a da Angela. Garota popular, cheerleader, confiante e sedutora, que no final, acaba sendo totalmente o oposto. Doce ilusão.

Beleza Americana (American Beauty – USA 1999)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Alan Ball
Elenco: Kevin Spacey, Anette Benning, Chris Cooper, Tora Birch, Mena Suvari, Wes Bentley, Peter Galagher, Allison Janney, Scott Bakula, Sam Robards, Barry Del Sherman
Duração: 122 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.