Crítica | “Beyond The Red Mirror” – Blind Guardian

estrelas 3

Entre tantas ramificações do Metal, um em específico ganhou uma imensa base de fãs. Esse é o power metal. Um estilo cheio de vocais agudos, guitarras melódicas e super rápidas e temas cheios de fantasia. E uma das bandas que representou muito bem esse estilo com certeza foi o Blind Guardian. Muito longe de soar repetitivo (como o estilo tem ficado com o tempo), a banda do Guardião Cego consegue trazer uma experiência musical bem maior que a média de bandas do estilo, com um vocal diferenciado e impecável, guitarras melódicas mais pesadas e inserção de um aspecto sinfônico e folk que se destaca frente a outras bandas.

O power metal talvez seja a ramificação do Metal que mais vem sofrendo do mal do “mais do mesmo”. Com o passar do tempo, parece que ninguém mais soube inovar dentro do gênero, fazendo canções cada vez mais parecidas entre si. É aí que o Blind Guardian se destaca, trazendo sempre a mesma essência, mas com arranjos mais inspirados que a maioria. No entanto, Beyond The Red Mirror, seu novo e décimo disco, é um dos que menos apresenta surpresas, sendo nada mais que um álbum que varia entre o bom e o regular (aparentemente a banda não sabe fazer nada menor que isso).

O disco abre com um coral típico de ópera, que logo encontra guitarras, efeitos e a excelente voz de Hansi Kursch. Essa é The Ninth Wave, faixa inicial que dura por 9 longos e tediosos minutos onde não se vê quase nenhuma ousadia musical, soando como um clichê do metal sinfônico. Talvez até se salve pela boa letra folk, bem costumeira da banda.

Twilight Of The Gods, no entanto, traz o power metal inspirado do grupo, com guitarras velozes, refrão sensacional e um vocal que já empolga pelo alcance das notas atingidas nos dois primeiros versos (“How’ve They Dared To Be/ Such Misguided Creatures”). Phophecies, que vem logo em seguida, flerta com o clássico Nightfall In Middle Earth, com um coral de vocais no refrão e um solo lindíssimo do guitarrista André Olbrich. At The Edge Of Time é um sinfônico bem executado e arranjado. Ainda que não demonstre nada surpreendente, possui seu valor dentro da história do “Espelho Vermelho”.

Ashes Of Eternity tenta provocar com riffs mais pesados, mas com exceção dos ótimos solos de guitarra, não possui clímax nem nada que faça valer a pena ser ouvida muitas vezes. Distant Memories possui um clima melódico medieval que quase passa despercebido de tão meloso e comum, provavelmente uma das mais fracas. Holy Grail talvez seja a mais pesada, com uma excelente execução do baterista Frederik Ehmke, a faixa se destaca por seu vigor, força e várias interessantes referências cristãs na letra. The Throne faz ótimas variações melódicas, possui um solo inspiradíssimo e diferente, mas assim como outras faixas, sofre da longa duração.

Sacred Mind se destaca pela ótima interpretação dos vocais, nos inserindo muito bem na história. Miracle Man é de longe a melhor faixa, ou pelo menos a que mais se destaca. Em meio a uma sequência de peso, chegamos a um momento onde tudo é desplugado. Ficamos apenas com um piano e a voz confortadora de Hansi pra falar sobre milagres, com direito ao melhor momento coral do álbum. O disco fecha com Grand Parade que, assim como a faixa de abertura, possui longos 9 minutos. Assim como grande parte do álbum, se preocupa menos em fazer um clímax ou um refrão empolgante e mais em criar um bom arranjo que possa aliar com a letra e história passada no disco (o que também leva grandes méritos nisso). Talvez 9 minutos sem variações de ritmo cansem facilmente a faixa. Podemos dizer que é uma faca de dois gumes…

Quem conhece o Blind Guardian sabe todo o valor da banda não só para um subgênero, mas para o heavy metal em geral. Beyond The Red Mirror mostra que a banda ainda mantém essa qualidade, apesar de arriscar ou inovar muito pouco no disco. Isso pode soar como um mal caminho, mas a julgar pela confiança que a banda já conseguiu garantir pela sua discografia, ainda podemos confiar.

Beyond The Red Mirror
Artista: Blind Guardian
País: Alemanha
Lançamento: 30 de janeiro de 2015
Gravadora: Nuclear Blast
Estilo: Power Metal, Metal Sinfônico, Heavy Metal

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.