Crítica | Bidu – Caminhos

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estrelas 4A cada nova Graphic MSP lançada à expectativa cresce mais e mais. Afinal, com artistas tão bons a frente desse trabalho, não poderia ser diferente.

Bidu – Caminhos dos mineiros Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho abre o 2º ciclo desse projeto de forma magistral, pois com total liberdade criativa, eles decidiram voltar um pouco no passado para contar a história de como o Franjinha conheceu Bidu, o seu melhor amigo.

O garoto, até então longe de ser um inventor, era apenas um menino traquinas que junto com Titi e Jeremias, gostava de implicar com uma certa menina baixinha e dentuça. Para colocar um de seus planos em prática, ele precisa de um cachorro.

Longe dali, um cão azul e solitário, vaga pelas ruas do bairro procurando sobreviver. Beberica água de um balde sem ser convidado e rouba comida para levar até seu esconderijo no terreno baldio. Lá, ele é o rei, soberano. De cima de seu castelo, um carro velho e abandonado, ele tem uma belíssima visão. Porém, seu destino vai demorar um pouco para cruzar com o do Franjinha. Enquanto isso, ele terá que passar por algumas provações, fazer alguns amigos e descobrir enfim, o que ele quer realmente.

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Elementos essenciais para narra a trama: as cores e os balões. E o Bugu é claro.

A arte sutil, com cores suaves e marcantes, serve como ponte que transporta o leitor para dentro dessa fábula. Cada quadro foi feito com o maior esmero, o que inclui também as expressões, onomatopeias e os balões usados para narrar à história. Balões esses que foram desenhados a mão e de uma forma simples e objetiva, nos conduz através dos percalços do Bidu. Não existe um ilustrador e um roteirista, ambos os criadores se dividem nas tarefas e fazem e refazem a mesma cena até que ambos estejam satisfeitos. Parte da arte foi feita a mão, como mencionado antes, e outra parte foi finalizada por computador. As cenas em que chove forte são de cair o queixo.

O enredo é sensível e encantador de uma forma sem igual, apelando de certo modo para o sentimento de amor incondicional que somente aqueles que possuem um animal de estimação em casa podem se relacionar. O sofrimento do Bidu não vem do fato dele morar nas ruas, mas sim, da solidão, de não saber como é ser amado. E ao se encontrar com Duque e Rufius, ele passa a entender um pouco melhor esse sentimento.

Qual o sentido em ser soberano de um lugar, se você não tem com quem dividi-lo?

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A chuva e a solidão, tão bem retratadas pela dupla mineira.

Dasmasceno e Garrocho acertaram em cheio com a escolha do personagem. Bidu foi o primeiro personagem a ser desenhado por Mauricio de Sousa e publicado por um periódico, tornando-se assim o símbolo do Mauricio de Sousa Produções, e aparecendo na abertura das animações da turminha em uma clara alusão ao leão da MGM. Agora, o cãozinho azul é também o símbolo da Graphic MSP.

Bidu se tornou não apenas o melhor amigo do Franjinha, mas um verdadeiro intelectual que comanda seu próprio talk show com a Dona Pedra, além da ajuda de Manfredo, Duque, Rufius, Zé Esquecido e claro, o Bugu.

Bidu – Caminhos é um verdadeiro encanto e não pode faltar na coleção de ninguém.

Bidu – Caminhos (Brasil, 2014)
Panini Books e Maurício de Sousa Editora
Roteiro e Arte:  Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
82 páginas

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.