Crítica | Big Finish Mensal #16: Storm Warning

estrelas 4

Equipe: 8º Doutor, Charlotte “Charley” Pollard
Espaço: TARDIS e Dirigível Rígido R101
Tempo: 4 e 5 de outubro de 1930

Depois da regeneração e de seu reencontro com o Mestre em Doctor Who – O Senhor do Tempo (1996), o 8º Doutor tem uma linha do tempo praticamente desconhecida pela maior parte dos whovians, com exceção de sua morte e regeneração forçada em War Doctor no minisode The Night of the Doctor (2013).

Todavia, mesmo longe das telas, o 8º Doutor tem uma gigantesca jornada no Universo Expandido de Doctor Who, com dezenas de áudios, romances, contos e quadrinhos contando suas histórias. No caso dos áudios, Storm Warning é uma marca precisa. O arco foi a primeira produção neste tipo de mídia em que tivemos a participação do 8º Doutor. Iniciava-se então uma longa jornada que se estenderia tanto pela linha principal da Big Finish quanto pelas séries individuais do 8º Doutor nos áudios.

Escrito por Alan Barnes, Storm Warning nos traz uma série de acontecimentos que se tornariam padrão para esta encarnação do Doutor, como a forma de conhecer companions, falar sozinho ou ser constantemente irônico, por exemplo. A história começa com a TARDIS enguiçada e o Doutor procurando o manual da nave, coisa que, segundo diz, não fazia há séculos. Esta busca o faz encontrar alguns livros (Frankenstein, O Assassinato de Roger Ackroyd, Guerra e Paz e O Mágico de Oz), obras sobre as quais ele faz um comentário jocoso e continua a procura. Após acreditar que havia tudo sob controle e lançar-se pelo vórtex temporal, o Doutor encontra a primeira anomalia da aventura, um Vortisaur. Em seguida, ele se vê a bordo de um Dirigível Rígido, com uma carga mais do que especial…

Prelúdio de Storm Warning desenhado por Lee Sullivan na Doctor Who Magazine #300.

Prelúdio de Storm Warning desenhado por Lee Sullivan na Doctor Who Magazine #300.

Os inimigos do Doutor nesta aventura são Rathbone (um sul africano membro da British Secret Service) e os Uncreators. Medo, culpa, defesa e tentativas de salvamento são ingredientes básicos deste ponto da história, que se debruça quase exclusivamente sobre essa causa e seus derivados imediatos, como a relação do Doutor e os aliados de um e outro lado da moeda.

Mas em paralelo e com a mesma força dramática — embora com menor atenção que a trama dos aliens e do espião –, temos a apresentação de Charlotte Pollard (ou Charley, como será chamada pelo Doutor), uma nova companion. Ela está fugindo de algo e é acolhida pelo Doutor, tornando-se sua aliada durante toda a ação que acontece no Dirigível e, ao final, o motivo que trará um grandioso dilema para o Doutor.

A história do Dirigível R101 aconteceu de verdade, mas ela aparece aqui com algumas modificações como os nomes das pessoas que estavam a bordo e o número de mortos, que foram modificados. A questão é que o Doutor sabia da existência desse acidente e, para ele, todos os tripulantes do Dirigível morreriam. Dessa forma, ele deveria se separar de Charley e seguir viagem após a resolução do problema ao fim de Storm Warning, mas não é isso que acontece. O Doutor inicia então a sua jornada com Charley da forma mais ilegal possível, quebrando a mais densa regra, a de jamais interferir em pontos fixos na fábrica do tempo e impedir a morte de uma pessoa que deveria morrer — bom, nós sabemos que no futuro ele voltaria a quebrar essa mesma regra, mas mesmo assim, é sempre um grande problema e ele sabe disso.

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Capa original.

Exceto pela estranheza com as vozes dos aliens no episódio 3 (o mais fraco do arco), Storm Warning funciona muitíssimo bem, tanto na construção do roteiro, quanto na produção da Big Finish e na atuação gloriosa de Paul McGann como Doutor, acompanhado de perto pelo elenco de apoio. Como complemento, a trilha sonora de Alistair Lock tem um ótimo efeito de contexto, suavizando ou intensificando algumas passagens do roteiro dependendo do efeito pretendido e aplicado pelo diretor Gary Russell.

A história tem um final cauteloso, marcado pela ameaça do “destino” em cima do Doutor após salvar Charley da morte e com um sempre funcional efeito-fofura em Doctor Who, com a presença de um Triskele (raça de golfinhos humanoides, imaginem, só!) que receberia carona na TARDIS até em casa. Que ótima maneira de começar uma jornada no universo expandido dos áudios!

Big Finish Mensal #16: Storm Warning (Reino Unido, jan, 2001)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Alan Barnes
Elenco: Paul McGann, India Fisher, Gareth Thomas, Nicholas Pegg, Barnaby Edwards, Hylton Collins, Helen Goldwyn
Tempo: 120 min. (em 4 episódios)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.