Crítica | Big Hero 6 #1 a 5 (2008)

estrelas 2,5

O Big Hero 6 é um grupo de super-heróis japoneses criado por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau (conhecidos coletivamente como Man of Action) em 1998. Sua primeira aparição foi na minissérie própria de origem intitulada Solaris & Big Hero 6 e o grupo era composto dos conhecidos Solaris e Samurais de Prata, além dos heróis criados para a série Hiro, um garoto gênio, Baymax, um robô guarda-costas construído por Hiro, GoGo Tomago, uma jovem que se transforma em uma bola cinética e Honey Lemon, outra jovem que retira o que imagina de uma bolsa que leva a tira-colo. Apesar da minissérie original ser para lá de fraca, o grupo teve aparições esparsas em títulos de outros heróis Marvel, como Tropa Alfa, Thunderbolts, Defensores e Homem-Aranha, mas nada particularmente interessante.

Sua volta a um título próprio só se deu 10 anos após a minissérie original, em 2008, com roteiro de ninguém menos do que Chris Claremont. No entanto, nem mesmo Claremont foi capaz de fazer algo significativo com o grupo.

big hero 6 tpbQuando a história começa, novamente lemos a narração de Hiro, emulando o material original de Scott Lobdell e esse traço persiste até o fim, mas de forma bem menos invasiva. O Big Hero 6, agora, na verdade, nem justifica esse nome, pois só há quatro membros efetivos (Hiro, Baymax, GoGo Tomago e Honey Lemon) e um novo recruta, um chef de nome Wasabi No-Ginger (sim, isso mesmo!) que tem o poder de invocar mentalmente instrumentos cortantes energéticos das mais variadas dimensões e propósitos. No entanto, um misterioso ataque de três super-vilões (Whiplash, Gunsmith e Brute) à escola de Hiro põe em movimento o grupo que os derrota, somente para descobrir que eles são apenas três civis que “receberam”, sem saber, tais poderes. Depois que Hiro é contactado por Furi Wamu (que tem mais do que o nome parecido com Nick Fury), os membros do grupo são mandados para Nova Iorque (onde mais?) para lidar com a ameaça misteriosa, onde finalmente o sexto membro se junta a eles, um jovem chamado Fred que tem o poder de um lagarto que lembra muito o Godzilla (em homenagem óbvia).

A história simplesmente não conecta, não tem lógica e é carregada de elementos expositivos e de fillers que a prolongam desnecessariamente. Só para o leitor ter uma ideia, a minissérie tem apenas cinco números, mas um deles, quase em sua integralidade, é tomado por um jogo de futebol americano na escola na qual os jovens heróis estão infiltrados. Há um propósito narrativo para o jogo, claro, mas Claremont poderia ter obtido o mesmo efeito em apenas duas ou três páginas. No final das contas, o roteiro está muito mais preocupado – assim como o da minissérie original – em ser uma homenagem aos mangás do que efetivamente contar uma história engajante, que mantenha uma mínima lógica interna. Houve ao menos a acertada escolha de centrar a história no grupo e não fazê-lo figurar como “ajudantes” de outros heróis mais conhecidos.

A arte de David Nakayama atualiza as aparências dos heróis, fazendo algo muito bem-vindo no processo: Baymax, na minissérie original, podia transmutar-se de guarda-costas em “dragão” e, agora, ele efetivamente toma a aparência de um poderoso mecha. Decisão muito acertada especialmente em razão de Fred, que, quando invoca seus poderes, tem a imagem de um enorme lagarto projetada por detrás dele, em uma ótima forma de se evitar efetivamente transformá-lo em um monstro. GoGo Tomago e Honey Lemon – e particularmente essa última – são desenhadas como garotas-fetiche, com corpos esculturais todo o tempo a mostra. Nada contra a qualidade do desenho em si, mas parece-me uma pegada antiquada, machista, maniqueísta, sem muito propósito narrativo.

A segunda minissérie solo de Big Hero 6 consegue ser razoavelmente melhor do que a original. Uma pena considerando-se que é possível entrever material interessante para ser explorado. Claremont se mostra cansado e repetitivo e Nakayama, ainda que tenha uma arte bonita, não é particularmente memorável ou ao ponto de realmente compensar a fraqueza do texto.

Big Hero 6 #1 a 5 (Idem, EUA – 2008)
Roteiro: Chris Claremont
Arte: David Nakayama
Arte final: Terry Pallot
Cores: Emily Warren
Letras: Ed Dukeshire
Editora (nos EUA): Marvel Comics (Setembro de 2008  a janeiro de 2009)
Editora (no Brasil): não publicado no Brasil até publicação da presente crítica
Páginas: 110

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.