Crítica | Black Lightning – 1X10: Sins of the Father: The Book of Redemption

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Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aqui, as críticas das HQs.

Pat Charles, que escreveu o roteiro deste Sins of the Father: The Book of Redemption, perdeu uma boa oportunidade de trazer para o episódio uma intensa caçada aos experimentos da A.S.A. Em vez disso, o roteirista criou mais um capítulo-ponte ou capítulo-contexto que me pareceu cuidadoso demais para este momento do show. Ou talvez foi mesmo uma irresponsabilidade demasiada da produção, visto que estamos a bem pouco tempo do fim da temporada e a falta de grandes eventos tem emperrado a série. Mesmo que isso não torne o episódio ruim, certamente trouxe algo bastante incômodo para o público. Falta impacto, falta força no roteiro. E essas faltas aparecem justamente em um momento da série onde isso jamais poderia acontecer.

O texto gira em torno de algo sobre o qual o público não dá mais importância, que é a fixação de uma gangue de venda de drogas liderada por Lala (se ele antes estava incompreensível, agora passa a ficar ruim mesmo), em substituição à Green Light, colocada pelo The 100, na época de Lady Eve, nas ruas. A questão é que isso não faz mais sentido em Black Lightning. A agência do governo, os experimentos cheios de potencial, o passado e o presente de Gambi, o treinamento e ações de Tormenta, a descoberta e possível uso dos poderes de Rajada, a ação do Raio Negro na cidade ou mesmo Tobias (que infelizmente desapareceu, e isso é bem ruim, porque o desaparecimento não foi bem arquitetado pelo roteiro — e não, a morte da irmã dele NÃO SERVE como justificativa dramática para tornar esse sumiço bem arquitetado)… são provas de que tem coisa boa demais em jogo. Coisa muito mais interessante do que venda de maconha e cocaína em uma cidade. E cá estamos nós. Em um episódio que traz um de seus principais quadros com esta proposta.

O que nos salva é o bloco onde a Agência mostra suas garras e o Raio Negro, junto de Tormenta (a parceria dos dois tem sido ótima e as lutas em conjunto têm se tornado cada vez melhores) pressionam a organização a mudar de lugar, mexendo, no processo, peças interessantes do tabuleiro do crime. Coisas mais ou menos sugeridas antes (como a vice-diretora) enfim, mostram sua verdadeira face. E o bom desse processo é que com duas filhas com poderes, Raio Negro não será um alvo muito fácil de neutralizar ou dominar via entes queridos. A única “vulnerável” nesse meio é Lynn, mas talvez ela também não seja um algo fácil como se pensa. Independente das possíveis vítimas, este lado é o que verdadeiramente deveria ter tido atenção absoluta do roteiro neste episódio 10.

A cargo de Eric Laneuville, a direção funciona com muita intensidade nas cenas de ação, mas parece presa a um marasmo impenetrável nas cenas mais simples, como a conversa do Jefferson com Jennifer ou na chegada deles à antiga casa da família. Talvez por ter menos espaço para movimento, para posição de câmera ou para criação de um caminho instigante, o diretor tenha mostrado um trabalho apenas parcialmente interessante, apesar de ser um bom diretor. Agora resta a dúvida se os próximos episódios desta reta final da temporada irão mostrar o que realmente precisamos ver ou se vão fazer estágio em um ponto que não impulsiona a série desde o seu quinto episódio. Volto a insistir em algo que falei anteriormente: ou se assume o lado heroico e os mistérios do tipo Arquivo X que combinam tanto com a série, ou estarão jogando fora a oportunidade de fazer Raio Negro terminar com chave de ouro. Vamos ver. E torcer.

Black Lightning – 1X10: Sins of the Father: The Book of Redemption (EUA, 2018)
Direção: Eric Laneuville
Roteiro: Pat Charles
Elenco: Cress Williams, China Anne McClain, Nafessa Williams, Christine Adams, James Remar, Gregg Henry, Dabier, William Catlett, Skye P. Marshall, Jason Louder, Al-Jaleel Knox, Taylor Polidore, Kat Logan
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.