Crítica | Black Lightning – 1X12 e 13: The Resurrection and the Light: The Book of Pain / Shadow of Death: The Book of War

Black_Lightning_1x13_Plano Crítico série

The Book of Pain  e  The Book of War

Temporada

Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquias críticas das HQs.

O arco final desta 1ª Temporada de Black Lightning foi muito daquilo que a série nos prometeu desde a sua estreia, status de qualidade que nos faz lamentar que este padrão não tenha sido utilizado no miolo da temporada. Apesar de ter sido um bom primeiro ano, o resultado final se colocou alguns degraus abaixo da promessa. Em se tratando de CW, porém, a situação é até bastante positiva. E mais ainda quando vemos um encerramento em círculo completo, amarrando as principais pontas oferecidas ao longo da saga, desde The Resurrection.

Escrito por Oz Scott (The Book of Pain) e Charles Holland (The Book of War), este arco de episódios encerra a temporada de uma maneira pouco ortodoxa, praticamente “desviando” a nossa atenção do foco principal dos 13 episódios e nos colocando em um cenário onde Tobias e Os 100 ainda permanecem como uma ameaça; onde a droga Green Light ainda é uma ameaça para os jovens da cidade; e onde existe uma ameça para o Raio Negro… e também para Tormenta e Rajada, visto que Jennifer, enfim, assumiu as consequências de ter um super-poder, mesmo que indesejado. O caminho de aprendizado da personagem pode ter deixado alguns descontentes, mas convenhamos que “amadurecimento pela dor” como um impulso para decisão de usar poderes não é absolutamente nenhuma novidade no mundo dos super-heróis. É um clichê importado dos quadrinhos. Eu ainda defendo que esse tipo de abordagem foi positiva para Jennifer, mas consigo entender os que desgostaram da postura dela nesse processo.

Quando Khalil (Jordan Calloway) reapareceu de dreads, eu imaginei ter reconhecido “quem ele deveria ser”; mas como o vilão que ele se torna é um brutamontes e consideravelmente mais velho, nos quadrinhos, eu achei que era apenas uma hipótese louca. Não era. Khalil é meso o Painkiller. E isso é muito bom. Meu único lamento é que o roteiro não tenha aproveitado todas as inúmeras oportunidades ao longo da temporada para desenvolver o caráter do personagem. Painkiller é um vilão interessante, mas com uma postura bem mais ameaçadora que a de Khalil. Aqui existem apenas nuances daquilo que o jovem pode se tornar, contudo, se os roteiristas da Segunda Temporada não dormirem no ponto, vão ter uma grande carta na manga. Já a surpresa mais impossível de todas veio com a transformação de Lala (e não é que conseguiram fazer o arco dele valer a pena?) no vilão Tatuado, originalmente, Tattooed Man. Confesso que não desconfiei um único momento disso, porque o Tatuado é um vilão original do Lanterna Verde, então imaginem a minha enorme e positiva surpresa ao ouvir Tobias nomear o personagem.

Embora haja uma dose considerável de ação nos dois episódios do arco, o primeiro funciona mais como um revelador de possibilidades, com a reaparição de Khalil e dos tormentos para a família Pierce; enquanto o segundo, como uma estabilização de linha narrativa dessa primeira temporada, que não a conclui de fato. E aí é que eu tenho alguns problemas quanto ao enredo central. Mesmo tendo gostado do Finale, o fato de ver toda essa jornada “apenas” para tirar de cena a ASA e as ações clandestinas de Martin Proctor me deu a impressão de desperdício de tempo do próprio drama da série. Nem que fosse apenas para afastar Tobias e suscitar um novo momento para o Raio Negro, o roteiro deveria dar a sensação mais forte de andamento da história. Aqui, o que realmente tivemos foi a retirada de um experimento com cobaias que, a bem da verdade, nem resolvido foi. O processo foi finalizado, mas ainda temos consequências disso pela frente. Então o que me fez ver o planejamento da temporada com algo bem menos interessante do que poderia ter sido, foi o não aproveitamento dos episódios para desenvolver melhor outros personagens. Se a intenção era intensificar o cenário de crime em Freeland, então que tivéssemos indivíduos realmente bem construídos para a segunda temporada.

Porém, considerado esse problema, podemos ver que o roteiro de Charles Holland e a direção final de Salim Akil conseguiram deixar as peças em lugares que prometem um ótimo jogo, fazendo-nos questionar sobre como as cobaias entrarão na Segunda Temporada (estamos olhando para a primeira formação dos Renegados ou o quê?); como a caçada a Raio Negro deve terminar — eu realmente espero que não demorem a Segunda Temporada inteira nessa missão –; e como será a interação de RN, Tormenta e Rajada nesse novo ambiente hostil. E lembremos ainda que Grace Choi deve voltar como interesse amoroso de Anissa, o que nos faz esboçar aquele sorriso de cumplicidade só de lembrarmos quem ela realmente é e o tanto que coisa boa que pode trazer para a série. A 1ª Temporada de Raio Negro foi boa, mesmo com os seus tropeços. Agora os produtores têm a faca e o queijo na mão para fazer um excelente Ano Dois. Não dá para esperar menos que isso. #ForçaCW

ENQUETE

O QUE TEM NA MALETA ABERTA POR TOBIAS?

a) Kryptonita
b) Anel do Lanterna Verde
c) Hortaliças Radioativas
d) Sorte do Palmeiras
e) Cipó do Monstro do Pântano
f) 42
g) Material Genético do Caçador de Marte
h) Um Tentáculo de Cthulhu
i) Coisas da Hera Venenosa
j) Pote de Suco Verde do Homem Florônico
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Black Lightning – 1X12 e 13: The Resurrection and the Light: The Book of Pain / Shadow of Death: The Book of War (EUA, 2018)
Direção: Oz Scott / Salim Akil
Roteiro: Jan Nash, Adam Giaudrone / Charles Holland
Elenco: Cress Williams, China Anne McClain, Nafessa Williams, Christine Adams, Marvin ‘Krondon’ Jones III, James Remar, Gregg Henry, Jordan Calloway, William Catlett, Skye P. Marshall, Charlbi Dean Kriek, Morgan Brown, Alphonso A’Qen-Aten Jackson, Richard Marrero
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.