Crítica | Black Sails – 4X06: XXXIV

estrelas 4,5

Obs: Leia, aqui, as críticas das demais temporadas. Há spoilers.

A dúvida que certamente ficou na mente de todos ao final do episódio anterior foi como os showrunners conseguiriam fazer ainda cinco outros episódios considerando que, nos minutos finais, vemos uma frota de 12 navios espanhóis aproximando-se de Nassau com ordens de dizimar o local. Somente os próprios Jonathan E. Steinberg e Robert Levine, co-escrevendo o roteiro do episódio seguinte, é que poderiam resolver essa questão de forma apropriada.

E de que maneira eles conseguiram isso? Chocando-nos não com uma, mas com duas mortes de personagens importantíssimos: Eleanor Guthrie, uma das poucas personagens que acompanhamos na série desde o primeiro episódio e Madi, que entrou na temporada anterior como a decidida filha da líder dos ex-escravos e amor de Long John Silver. Assim, sem cerimônia, Steinberg e Levine, eliminam dois personagens-chave em uma sequência angustiante de luta entre um soldado espanhol e Eleanor que a todo tempo nos dá esperança que tudo acabará bem. Diferente da surpreendente e revoltante morte de Miranda Hamilton, aqui vivemos cada segundo torturante por que a direção precisa de Steve Boyum, com uma câmera que nos coloca no meio da ação de forma semelhante à luta de Anne Bonny em XXXII, nos faz passar. Mas, no fim, só a morte aguarda Eleanor, que ainda consegue arrastar-se para fora, sem forças para salvar Madi, que morre queimada, ainda que inconsciente.

Se existe um problema neste mais recente capítulo é que seu clímax – as mortes – não o encerra. Não que eu esperasse algo tão abrupto quanto o visto no caso de Miranda, mas que pelo menos elas não marcassem basicamente o meio do episódio, com ainda um longo dénouement a partir do que vimos. Creio, porém, que não havia escolha para os showrunners. Com apenas mais quatro episódios pela frente, eles não podiam se dar ao luxo de simplesmente manter as consequências das mortes em suspenso, lidando com elas apenas no episódio seguinte. Era necessário que mais uma vez o tabuleiro fosse rearrumado para que a série pudesse caminhar ao seu final.

Afinal, com Nassau destruída e com os piratas em fuga, era importante que algo os unisse além da raiva dos espanhóis que permitiu que Flint lutasse lado-a-lado com os britânicos por alguns momentos. As mortes de Eleanor e Madi serão as molas catalisadoras do esforço final de guerra que provavelmente unirá mais completamente os ex-escravos e os piratas contra a Civilização. É a modo de vida deles que está em jogo, é o Novo Mundo – rebelde, indomável – que está na mira dos dois impérios também em guerra entre si, mas algo mais pessoal era necessário. Thomas Hamilton foi a gota d’água para Flint se voltar contra sua Terra Natal. Miranda, por sua vez, foi a força que ele precisava para não simplesmente desistir. E, agora, Eleanor e Madi marcam uma possibilidade de união como nunca antes vista. Dois símbolos capazes de até mesmo colocar Max novamente em conluio com Jack Rackham para trazer a frota do avô de Eleanor para a briga.

Agora é perfeitamente possível delinear os acontecimentos que serão abordados nos episódios finais. Com muita certeza, a dupla de showrunners manipulará a progressão temporal, como de costume, para permitir movimentações náuticas mais convenientes para a história, mas o fato é que muito provavelmente teremos Flint não apenas de volta ao posto de capitão, mas também como o líder de uma armada composta por tudo aquilo que as coroas britânica e espanhola mais temem: ideais de revolução.

É impossível não sentir a adrenalina sobre o que está por vir. É impossível deixar de imaginar as possibilidades narrativas para o certamente trágico fim dos personagens remanescentes. É impossível não torcer, não sofrer, não desesperar-se pelas perdas de todos os personagens (até mesmo de Woodes Rogers!). Por fim, é inacreditável ver uma série como essa sem desejar que ela nunca acabe, mesmo que secretamente desejando que ela acabe – como acabará – no seu ápice e não morra no marasmo como muitas por aí. Black Sails é televisão de primeira ordem que não pode ser ignorada.

Black Sails – 4X06: XXXIV (EUA, 05 de março de 2017)
Criação e showrunners: Jonathan E. Steinberg, Robert Levine
Direção: Steve Boyum
Roteiro: Jonathan E. Steinberg, Robert Levine
Elenco: Toby Stephens, Hannah New, Luke Arnold, Jessica Parker Kennedy, Tom Hopper, Toby Schmitz, Clara Paget, Hakeem Kae-Kazim, Sean Cameron Michael, Louise Barnes, Rupert Penry-Jones, Meganne Young, Nick Boraine, Tadhg Murphy, Angelique Pretorius, Anna-Louise Plowman, Andrian Mazive, Moshidi Motshegwa, Jason Cope, Jenna Saras, Ray Stevenson, Luke Roberts, Zethu Dlomo, David Wilmot, Chris Larkin
Duração: 56 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.