Crítica | Blanka (2015)

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estrelas 3

Blanka (2015), filme dirigido e escrito por Kohki Hasei, é uma obra sobre o cotidiano de uma garota (a personagem-título) e um cego que se torna seu amigo, nas ruas de Manila, Filipinas, lembrando-nos, de certo modo, outra realidade das ruas dessa mesma cidade mostrada em Ma’ Rosa (2016), com a diferença de que o contexto no filme de Hasei é lírico, de caráter mais humanitário e familiar, investindo na relação entre Blanka e o velho Peter.

Blanka é uma garota abandonada, que vive nas ruas realizando furtos e tentando achar o que comer todos os dias. Ao ouvir um homem falar, maldosamente, que queria comprar uma mulher bonita que aparecera na TV, ela entende que esta é uma possibilidade existente e fica determinada em comprar uma mãe para si.

A sutileza que com o roteiro apresenta a personagem nos faz ter um claro reconhecimento da infância dela e de seus sonhos. Ao mesmo tempo, somos marcados de tristeza e um pouco de raiva (ou incômodo moral, tanto faz) quando a vemos furtar carteiras dos turistas ou pessoas comuns, pegar o dinheiro e jogar a carteira fora. O filme não justifica ou condena essas ações, apenas relata, quase como em um documentário, o cotidiano de Blanka, que sabemos ser o mesmo de centenas de milhares de crianças ao redor do mundo, e esta não é uma realidade muito diferente da que temos para muitas crianças no Brasil.

A partir deste conflito moral que se confunde com o emotivo, pois simpatizamos muito com a garota, Kohki Hasei faz uma crônica de sobrevivência em meio à miséria. A jornada que Blanka irá fazer ao lado do amigo Peter é um ponto de partida para que o mundo dela (e dele) mude, para que novas realidades, também de crianças abandonadas, apareçam e que alternativas nada louváveis e muito comuns nesse Universo também apareçam.

Quando a música entra em cena, ou melhor, quando a música que já se fazia presente através do violão do cego, inclui Blanka no repertório, o filme ganha uma sutileza e uma beleza tremendas. É de se lamentar bastante que o diretor não tenha explorado mais de uma canção no filme e que não tenha dado assim tanta atenção para o fato de que a atriz Cydel Gabutero, que já nos conquistara através de sua inocência e simpatia, dobrou esse sentimento quando começou a cantar. O filme ganha asas a partir daí, mas o voo é curto e termina de uma maneira que também representa acontecimentos frequentes na vida de pessoas que dependem de outras: o quesito da maldade humana.

A inclusão dos garotos, ao final, quebra o ritmo e desvia a trama para um caminho pouco interessante e sem necessidade alguma. O primeiro momento em que eles surgem já havia sido o bastante para criar no espectador uma noção de que o braço do abandono e dos crimes cometidos por crianças de rua são uma realidade mais frequente do que se imagina. Todavia, o roteiro avança com essa linha dramática, coloca algumas outras realidades (ou “o destino” desses abandonados) e perde força nos meandros e consequências desse final, apesar de manter o nível de proximidade emocional com o público.

Blanka é uma bela crônica sobre relações humanas, sobre amizade e sobre uma rara luz no fim do túnel para aqueles que estão entregues à miséria nas grandes cidades.

Blanka (Itália, Filipinas, Japão, 2015)
Direção: Kohki Hasei
Roteiro: Kohki Hasei
Elenco: Jomar Bisuyo, Raymond Camacho, Cydel Gabutero, Peter Millari, Ruby Ruiz
Duração: 75 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.