Crítica | “Blues Pills” – Blues Pills

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estrelas 4

Na atualidade, uma coisa que já cansei de escutar é: “hoje em dia não se faz mais música como antigamente” ou “não existem mais bandas como antes”. Tais afirmações são bem erradas, a única coisa que se pode afirmar com certeza é que a mídia e a visibilidade das bandas diminuiu bastante desde a década de 90. Não, não é só a mídia que tem culpa, mas todos nós que financiamos o crescimento de uma indústria da música que é, sim, muito burra. A quantidade de bandas e artistas excelentes e de mesmo nível que os clássicos é grande, mas você não vai encontrar eles escutando qualquer rádio, qualquer programa de TV ou acessando qualquer site. A internet está aí para aumentar nosso conhecimento, o número de artistas que divulgam seus trabalhos por ela é imenso, basta só você os encontrar.

CoverUma dessas bandas vem recebendo um certo reconhecimento e começa a ganhar certa popularidade: Blues Pills. A banda é originária da Suécia, já estava sendo elogiada por seus EPs, agora acaba de lançar o seu primeiro e homônimo álbum. Um som bem característico de bandas clássicas como Led Zeppelin e Deep Purple, misturando com elementos do rock psicodélico e do soul, principalmente pela sua incrível vocalista, Elin Larsson, que lembra bastante cantoras como Aretha Franklin, Janis Joplin e, até mesmo, Adele. Um cardápio delicioso, não acha?

High Class Woman é o cartão de visitas do disco, lembra bastante os tempos clássicos do blues rock, Elin mostra todo o potencial da sua voz e solos psicodélicos na metade da canção fazem o recheio do bolo. Ain’t No Change pega elementos do country e mistura com o blues (onipresente em todo o disco) fazendo um tipo de canção impossível de não cantar. Jupiter segue as características marcantes das duas primeiras, destaque para os riffs de guitarra bem distintos nessa faixa.

Black Smoke possui uma letra um pouco sombria e combina com o bom arranjo, o solo de guitarra feito pelo guitarrista Dorian Sorriaux é do naipe de grandes instrumentistas, só corrobora com a afirmação da banda estar no nível de grandes nomes da música. River e No Hope Left For Me pode enganar quem pensa que são apenas canções acústicas, ambas ganham um certo peso em sua metade, enquanto a voz de Elin, sobretudo nessas faixas, se assemelha bastante à de Adele. Devil Man pega o clima mais rock’n roll do álbum,  toda banda merece aplausos, mas, em especial, o baterista Jonas Moses Askerlund que tem seu destaque na faixa.

Gypsy – cigano em inglês – tem o arranjo necessário para uma canção com esse nome, uma melodia bem dançante com forte pegada blues rock. Litte Sun é a escolha perfeita pra fechar o disco, um clima bastante agradável, melodia calma que permite a Elin cantar bem afinada e garantir a excelente opinião sobre sua voz. Além de tudo, como a moça sabe interpretar uma música! Poucos artistas conseguem isso, a cantora sabe trazer o sentimentalismo necessário para cada canção, principalmente a que termina o álbum.

Blues Pills prova que é possível fazer na atualidade um som tão clássico quanto o de antigamente e, ainda assim, soar como algo novo. Uma coisa boa é que a banda tem um certo apelo pop, tanto pelas suas canções mais calmas que podem ficar bem populares, quanto pela sua vocalista que parece bem carismática. Veremos as cenas dos próximos capítulos, Blues Pills pode não conquistar o mundo como o Led Zeppelin, mas com certeza vai conquistar aqueles que estiverem disponíveis a escutá-los.

Blues Pills
Artista: Blues Pills
País: Suécia
Lançamento: 25 de julho de 2014
Gravadora: Nuclear Blast
Estilo: Blues rock, blues, rock psicodélico

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.