Crítica | Boardwalk Empire 5X07: Friendless Child

estrelas 5,0

Atenção: Contém spoilers do episódio comentado.

Começou a guerra entre Charlie e Nucky pelo domínio de Atlantic City e, similarmente ao que vimos na terceira temporada (e também em Família Soprano), a série utiliza de uma interessante elipse logo no início do episódio. Com uma narração inicial, simulando um anúncio em rádio para a população de Nova York, aprendemos, por imagens entrecortadas, sobre a violência entre esses dois grupos. A tensão é criada automaticamente e não desaponta, dando início a um eletrizante episódio, já à beira do término de Boardwalk Empire.

Nos vemos, então, diante de um Enoch já cansado desse conflito, com pouca paciência para os “jogos de xadrez” de Maranzano. Deixando de lado sua famosa paciência e abraçando a impulsividade, Thompson faz o movimento definitivo, que definirá o desfecho de sua história: o rapto de Bugsy. Há quem possa argumentar que foi uma escolha impetuosa e mal-pensada por parte de Nucky e de fato foi, mas vale ressalvar: a esse ponto ele já não pensava direito e a direção de Allen Coulter deixa isso claro logo nos minutos iniciais – cada palavra proferida por Buscemi tem um ar de impaciência, cansaço e resignação. Ele está irritado e não há dúvidas quanto a isso.

Tudo começa a andar, então, com o contra-ataque de Luciano: o sequestro de Will, que nos leva ao definitivo ponto alto do episódio: a troca de “prisioneiros”. A expectativa a este ponto já foi solidamente construída e, considerando o tom da temporada – e, é claro, a própria História – sabemos o risco que os três Thompson estão correndo. Charlie ganha e forma a “Cosa Nostra”, unificando as famílias de Nova York, disso já sabíamos, mas como Nucky irá cair é a questão. Coulter, então deixa essa dúvida em primeiro plano a partir do momento que a fatídica cena tem início. Cada passo de Enoch, cada virada de costas até seu ajoelhar é perfeitamente arquitetado. O risco é evidente e ele cresce a cada segundo. E a possibilidade de termos um episódio final sem o protagonista (ao menos ele mais velho) foi mais forte do que nunca.

Mas toda a tensão foi liberada em um suspiro de alívio que perfeitamente se encaixou com a proposta da temporada. Tudo aquilo – desde os dias limpando a areia quando criança no hotel até seus tempos como tesoureiro – foi feito pela família e sem ela não há propósito. Nucky escolhe Eli e Will, se desfazendo de todo o seu império (que garante o nome à série). Buscemi nos convence a cada plano, construindo uma das mais dramáticas cenas de toda a série, uma verdadeira construção (ou seria desconstrução?) desse querido personagem.

Friendless Child, porém, não para por aí. A precisão de seu roteiro nos traz ainda próximo ao clímax dos flashbacks presentes desde o início da temporada. Um jovem Nucky precisa decidir o que fazer em relação a Gillian. Ao mesmo tempo ele se torna, enfim, o xerife da cidade e passa a realizar trabalhos ocultos para o Comodoro. Sabemos a história de Gillian, que acaba dando luz à Jimmy Darmody, mas é fascinante observar o dilema de Thompson, que, claramente, ainda não é o retrato da frieza fechada que observamos em seus anos posteriores. Acima disso tudo, temos uma notável coesão com a carta de Gillian pedindo ajuda. O que Enoch irá fazer? Fica a dúvida, um potente cliffhanger para o próximo episódio.

Boardwalk Empire, em seu penúltimo episódio, nos garante uma profundidade emocional que rapidamente nos leva de volta aos anos iniciais da série. As ações dos Darmody nas duas primeiras temporadas ganham um tom ainda mais dramático agora que sabemos mais de suas histórias, já criando a imediata vontade de re-assisstir essa ótima produção da HBO. Com apenas mais um capítulo pela frente, Nucky volta seu olhar para a família, nos dando esperanças de um possível final feliz.

Boardwalk Empire 5X08: Friendless Child
Showrunner:
Terence Winter
Direção: Allen Coulter
Roteiro: Cristine Chambers, Riccardo DiLoreto, Howard Korder
Elenco: Steve Buscemi, Ben Rosenfield, Vincent Piazza, Kelly Macdonald, Shea Whigham, Paul Sparks, Gretchen Mol, Marc Pickering, John Ellison Conlee
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.