Crítica | “Born To Run” – Bruce Springsteen

estrelas 5,0

Em 1975, Bruce Springsteen criava uma obra de arte da história da música. Um álbum com uma proposta diferente de um The Dark Side of The Moon, sem tratar de temas polêmicos ou abordar um tema distinto, Born To Run fala apenas sobre as coisas simples da vida, dentre romances e outros temas. O ponto alto é como Bruce faz isso: arranjos impecáveis, uma banda excelente – destaque para o grande saxofonista Clarence Clemons – e boas composições. As influências estão em toda parte, desde o blues, passando pelo jazz, até o velho e bom rock’n roll. Bruce usa de suas principais influências para cantar e fazer suas músicas, não vai ser em apenas uma faixa que você vai ter a impressão de que é uma canção de Elvis Presley que está sendo tocada.

O álbum abre com uma melodia doce de gaita de uma das melhores canções feitas pelo cantor, Thunder Road. A faixa conquista em sua originalidade: tem um bom refrão que é usado na medida certa, uma boa letra e um arranjo inovador. As influências do blues e jazz surgem fortes em Tenth Avenue Freeze-Out, passando a bola pra Night, logo em seguida, que tem uma proposta bem diferente da anterior, assumindo um rock’n roll agitado que lembra as canções de Elvis Presley. Backstreets possui a mesma lógica de sua anterior que, apesar de começar com uma linda e calma introdução ao piano, logo embarca em um bom rock’n roll.

Apesar de ser impecável e de possuir apenas canções de altíssimo nível, seu clímax com certeza é na faixa que dá nome ao disco, Born To Run. Não seria exagero dizer que ela possui um dos melhores arranjos já feitos na história do rock. O que se escuta é um desempenho incrível da banda, todos extremamente sincronizados, terminando em um refrão empolgante com Bruce em ótima afinação, mostrando toda a sua capacidade vocal. A música é quase uma Eye of the Tiger quando se trata de transmitir determinação para o ouvinte.

A romântica e dançante She is the One segue o disco com um refrão empolgante e uma sonoridade de blues. Meeting across the street é a música seguinte, assumindo o papel de faixa acústica com apenas piano e saxofone como base rítmica. Jungleland é a melhor escolha pra fechar o álbum. Tem uma duração de 9 minutos que varia entre uma parte mais agitada e uma mais lenta. Quando a canção parece chegar ao fim, ao som de apenas um piano, Bruce retorna e canta mais um trecho com um sentimentalismo raro de se escutar. A voz do cantor aumenta à medida que as notas ficam mais fortes e encerra com um lamento de nível sensacional de afinação, uma das melhores faixas de encerramento já feitas pelo cantor.

Born To Run celebra o rock’n roll e, sobretudo, a boa música. Entra facilmente na lista de clássicos, se juntando a álbuns como White Album dos The Beatles e Pet Sounds dos The Beach Boys. O diferencial do disco fica claro que é a determinação e o cuidado que Bruce tem em cada faixa, cada acorde, verificando muito bem com sua banda onde cada melodia deve se encaixar. O resultado são canções lindas e prazerosas de ouvir, feita por gente que sabe ver o valor divino que tem a música, valor esse que, infelizmente, vários artistas parecem não se importar.

Born To Run
Artista: Bruce Springsteen
País: EUA
Lançamento: 25 de agosto de 1975
Gravadora: Columbia
Estilo: Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.