Crítica | Brainiac: Primeira Aparição (Action Comics #242)

Antes de ser um androide ou ciborgue, o que só seria “retconado” em 1964 (Superman #167), Brainiac era, apenas, mais um vilão careca do Superman, só que alienígena e de pele verde, com um símio albino de estimação afetuosamente chamado Koko em seu ombro, uma obsessão por colecionar cidades miniaturizadas e uma certa mania de batizar todas as suas armas com os prefixos “ultra” e “hiper”. Ou seja, mais uma criação para lá de genérica típica dessa era de transição entre a Era de Ouro e a de Prata dos quadrinhos, mas que, ao longo dos anos, acabou tornando-se – merecidamente – um dos mais importantes vilões da galeria de vilões do Azulão.

O roteiro, escrito por Otto Binder, é extremamente simples, pueril até. Lois Lane e Clark Kent, convidados para o voo inaugural do primeiro foguete tripulado dos EUA (estamos falando de uma HQ lançada no início da efetiva corrida espacial entre americanos e soviéticos, considerando que o mítico Sputnik estava orbitando a Terra desde 1957), são atacados por um disco voador roxo capitaneado por Brainiac. Kent, mesmo nos confins do espaço, dá um jeito de desaparecer (depois que a narração relembra ao leitor, no 242º número da revista que, há 20 anos, apresentara o Superman, que Clark Kent é a identidade secreta do herói…) fugindo “covardemente” com um traje espacial, para permitir a chegada de seu alter-ego super-poderoso. Mas nada que Superman faça consegue atingir a nave ou o vilão, em razão de seus “ultra” isso e “hiper” aquilo.

Com isso, Brainiac parte para miniaturizar Paris, Roma e outras cidades da Terra, teletransportando-as para sua coleção de garrafas. Não há nenhuma tentativa de explicação de absolutamente nada, nem mesmo do plano sem pé nem cabeça do Superman que deixa Metrópolis ser miniaturizada com ele dentro para, então, resolver o problema. É ainda curioso notar como a resolução se dá não com um duelo entre os dois super-alienígenas (apesar do título da história ser “O Super-Duelo no Espaço“), mas sim com Brainiac, por vontade própria, entrando em animação suspensa juntamente com seu macaquinho e Superman tranquilamente aliando-se a Kim-Da, da cidade kriptoniana engarrafada de Kandor, para reverter o processo.

Kandor, porém, capital kriptoniana que o Superman não fazia ideia que fora “roubada” de seu planeta natal, permanece miniaturizada e serviria, a partir daí, como linha narrativa para um sem-número de arcos do personagem, incluindo a recente graphic novel Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, de Frank Miller e Brian Azzarello. Ou seja, de uma vez só e despretensiosamente, Otto Binder legaria um dos mais importantes vilões da mitologia do Superman e um dos mais repetidos artifícios narrativos usados em suas histórias.

A arte, que ficou ao encargo de Al Plastino, um dos desenhistas que ajudaram a sedimentar a imagem do Superman e de seu universo (ele criou Kara Zor-El, a Supergirl, além da primeira aparição da Legião dos Super-Heróis), é funcional apenas, já que não há muito espaço para ele trabalhar sequências de ação. Não só a profusão de texto de Binder que, como era comum na época, explicava cada ação que vemos, como a falta de desenvolvimento dos novos personagens, impedem o artista de efetivamente criar. Além disso, apesar da capa em que vemos um Brainiac musculoso e com diodos na careca, figura essa que se tornaria clássica, no interior só vemos um “marciano” careca padrão sem os mencionados diodos (que só seriam usados dentro de uma história em 1961, na Action Comics #275) e um figurino substancialmente diferente e bem menos imponente. É como comprar gato por lebre, ou como ler Dan Brown crente que é Dan Simmons.

A primeira aparição de Brainiac, se vista de forma estanque, deixa muito a desejar, mesmo considerando-se o padrão da época. Mas é inegável o que Binder e Plastino acrescentaram à mitologia do Superman em rápidas 13 páginas.

Brainiac: Primeira Aparição (Action Comics #242)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Editora original: DC Comics
Data original de publicação: julho de 1958
Páginas: 13

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.