Crítica | Branca de Neve e o Caçador

7
Posted 1 de junho de 2012 by in Críticas
2012_snow_white_and_the_huntsman_charlize_theron_ravenna2

Rating

Nota
 
 
 
 
 

3.5/ 5

Título Original: Snow White and the Huntsman
 
Ano de Produção: 2012
 
País de Produção: EUA, Reino Unido
 
Direção: Rupert Sanders
 
Roteiro: John Lee Hancock, Evan Daugherty, Hossein Amini
 
Elenco: Kristen Stewart, Charlize Theron, Chris Hemsworth, Sam Clafin, Sam Spruell, Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones, Brian Gleeson, Johnny Harris, Noah Huntley
 
Duração: 127min.
 
Subcategoria: ,
 

Uma releitura mais ativa e menos emocional

by Gabriel Neves
Full Article

O conto já é mais do que conhecido. É a princesa amedrontada, ingênua, inocente e extremamente bela que é injustiçada por alguma bruxa má. Com uma válvula de escape que as separa durante a história, a princesa vive sua vida tranquilamente enquanto a bruxa tenta enfeitiçá-la a qualquer modo. Até que as duas finalmente se encontram e a princesa é posta em uma situação trágica, apenas sendo desfeita por ação de algum príncipe encantado que, além de conseguir o amor e a saúde da princesa, derrota a terrível bruxa. Simples história que funciona bem para Cinderela, Bela Adormecida, A Pequena Sereia e, o clássico, Branca de Neve e os Sete Anões. Este último ganhou sua fama após virar um clássico infantil dos estúdios Walt Disney, após a participação da infância de várias pessoas desde o VHS até o Blu-Ray, após inúmeras releituras que ganhou na mídia. Branca de Neve já é uma personagem que atrai o público feminino em peso por ser uma princesa famosa. E é assim, sendo um sucesso em videogames, no teatro, na literatura e no cinema infantil que Branca de Neve se torna agora uma releitura da ação três vezes este ano. Primeiramente, com a série de TV Once Upon a Time. Depois, com o filme de Tarsem Singh, Espelho, Espelho Meu. E agora com a refilmagem épica Branca de Neve e o Caçador, com estreia mundial hoje.

Voltamos para uma ambientação medieval, nas terras do rei Magnus (Noah Huntley). Após a morte de sua esposa, o rei entra em uma profunda depressão que acaba lhe levando para uma guerra contra um exército fantasma. Após derrotar o tal exército, ele encontra uma bela prisioneira chamada Ravenna (Charlize Theron). Encantando com a beleza, o monarca se casa rapidamente com a moça, que se mostra uma feiticeira maligna e o mata na noite de núpcias. Assim Ravenna assume o posto de rainha e inicia um mandato de caos e destruição em todos os reinos. O tempo passa e o reino e a jovialidade da rainha permanecem iguais. Mas a filha do rei que foi mantida prisioneira por todo esse tempo acaba crescendo e se tornando uma bela mulher. De pele branca como a neve, lábios vermelhos como uma rosa e cabelos negros como o breu, seu nome é Branca de Neve (Kristen Stewart). Ela, por tamanha beleza, é a grande ameaça para a rainha, já que pode desfazer o feitiço que a mantém jovem e bela. Para se manter segura, a rainha planeja matar Branca de Neve, mas o jovem foge para a floresta antes que possa ser morta. Longe de seus poderes, a rainha manda então um caçador de nome Eric (Chris Hemsworth) para conseguir trazer o coração da moça e adquirir uma vida imortal. O que ela não esperava é a revolta do caçador ao descobrir o que há por trás dos planos da feiticeira.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? Clássico como pergunta numa releitura que se ajusta aos moldes de filmes épicos. Todo o trabalho para reconstrução dos feudos na parte dos efeitos visuais está muito bem feita. É bom comparar as duas disposições principais do filme. De um lado vemos o reino que foi dominado e consumido pela rainha Ravenna. Tudo é sombrio, a fotografia é cinzenta e prega por um jogo de sombras, onde esconde mais do que mostra. Como intenção, isso fica muito bom para separar partes. Toda hora que a madrasta de Branca de Neve aparece – ou que sua influência está próxima – vemos a escuridão consumir a tela que antes possuía tons mais claros. Por outro lado, o que contrasta estes momentos são apenas 20 minutos da fita que se passam num lado diferente da floresta. A fotografia de Greig Fraser ganha, à medida que avança, mais cor. Começando numa caverna escura, seguindo para um cinza morto, um cinza mais claro e um amarelo que faz qualquer outra cor aparecer na tela – com predominância do verde nas cenas seguintes -, inicia-se a entrada no Santuário, um local sagrado cheio de criaturas mitológicas. Mais uma vez, os efeitos acertam na criação de suas criaturas, que incluem um cervo branco, pássaros coloridos e pequeninas fadas. O maior acerto dos efeitos visuais, porém, se dá na entrada de Branca de Neve na floresta. A moça, ao respirar um gás tóxico, começa a ter alucinações que são um primor, se mesclam perfeitamente com a fotografia e causam ilusões bem-vindas à produção.

Ao mesmo tempo em que a ambientação segue uma linha medieval comparada com cenários de Senhor dos Anéis ou Game of Thrones, o roteiro tenta ganhar um tom entre a ação e o drama, jogando muito pouco para o romance e para a comédia. O romance é muito mal-explorado pela fita e não ganha cores nem confiança nos olhos do espectador. Toda a parte amorosa é feita com pressa para um filme de duas horas, a química não existe entre nenhum dos casais. A comédia fica na paródia de outras releituras, com mais peso entre os sete anões. A brincadeira que eles fazem com o clássico assobio de “eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…” atrai risadinhas. Poucas, já que ninguém se esquece da ação do filme. É um filme sombrio que aposta no drama e na ação, e isso fica perceptível na primeira parte, muitíssimo bem feita. Perto do desfecho, as coisas desandam. As ligações entre as cenas e as justificativas de certas ações entram em contraste com aquilo que foi apresentado no início, como se o filme quisesse logo acabar após ter explorado bem seu desenvolvimento. Percebe-se isso após a fogueira entre Branca de Neve, os sete anões e o caçador, onde uma música é cantada com lentidão e cheia de lirismo, preenchendo a cena mórbida que se segue.

No que perde para explorar o roteiro na parte da heroína, a parte da vilã se enche. Enquanto fica difícil criar empatia pela Branca de Neve heroína e lutadora, a rainha malvada surge com justificativas e uma performance de tirar o fôlego. É a humanização do monstro sendo feita por outro monstro – a grandiosa e bela Charlize Theron. O passado de Ravenna aparece em alguns flashbacks para o público e é possível ter pena da rainha, quase torcer para que o final dela não seja tão terrível. A aparição da atriz numa face desfigurada pela magia e pela raiva é tenebrosa, chega a dar arrepios. Perceba o que os efeitos sonoros fizeram quando Charlize está em cena. Enquanto a voz ambiente é cheia de sons no fundo, a voz da rainha ecoa nas salas. A fala é feita pausadamente, com uma entonação que dá medo. E enquanto fala, Charlize faz movimentos sinuosos o bastante para caracterizar sua personagem completamente. A rainha de Theron é perfeita do início ao fim do filme, já que ganha cores com seu sofrimento e atinge o público com suas motivações feministas. Enquanto isso temos Kristen Stewart num trabalho seu gratificante, mas longe de ser seu melhor. Quem já viu sua performance pequena em Na Natureza Selvagem, The Runaways ou em Corações Perdidos sabe que a atriz é mais do que a Bella de Crepúsculo. Mas ela não mostra isso aqui. Sua ferocidade atinge o público em certas cenas e ela consegue se mostrar boa em algumas passagens. Em outras, porém, é a mesma face de dor sem qualquer movimentação que contorna sua personagem na saga vampiresca. Chris Hemsworth traz uma boa presença de humor ao longa e confirma que é um bom ator, por mais que seu caçador forte e furioso lembre um pouco da caracterização que foi feita no filme Thor.

O figurino já se une com a versão original. A rainha com sua coroa pontuda, com vestidos longos com cores frias ganhando espaço. Bom observar a semelhança com os corvos (sejam em cor, sejam em textura) nos vestidos de Theron. A princesa com um vestido de mangas bufantes, só que aqui ganhando uma versão mais esfarrapada para poder se passar por uma lutadora. As vestes já dizem pra que Branca de Neve e o Caçador veio: para ser uma versão aventuresca do conto clássico dos Irmãos Grimm, adaptado como a primeira animação produzida nos EUA, a primeira animação produzida em cores e a primeira a ser produzida por Walt Disney. A Branca de Neve da animação tem cabelos negros, pele branca e lábios vermelhos igual a Kristen Stewart, mas nunca saberia segurar uma espada do mesmo jeito ou usar uma armadura como a jovem do filme. Ganhando pontos no quesito ação, essa nova releitura de 2012 perde no quesito emoção. O romance que surge tanto entre a princesa e o príncipe quanto entre a princesa e o caçador não funciona na prática, deixando espaço para o filme se focar na rainha malvada. No fim das contas, espelho, espelho meu, existe mesmo alguém tão bela quanto Charlize Theron?



Comentários

comentários


About the Author

Gabriel Neves

Amante da arte antes de qualquer coisa, principalmente da sétima. 18 anos, estudante de Audiovisual, um ator e um crítico que se achou no cinema há pouco tempo, entre as sessões de A Troca e Bastardos Inglórios.

7 Comments


  1.  
    Dani

    Achei um filme bom, prende a atenção porém acho que o final ficou em aberto demais com quem a princesa “ficaria” e outra nós que assistimos vimos que ela so voltou a si depois do beijo do caçador, mas eles do filme deixaram a desejar nem questionando como ela resurge sem nenhuma explicação, eu esperava um pouco mais de romance e outro detalhe o caçador tentou ensiná-la a lutar com um punhal e ela disse que nao conseguiria fazer isso e depois de “ressucitar” parece que ela ganhou força e valentia maior ainda do que a do pai do wiliam kkk, mas foi bom pra mim a nota seria 7,5.




  2.  

    pensava q eu ia me arrepender,assistindo o filme,mais ñ eu amei,vou diser esta em segundo melhor dos q eu assisti,parabens,o filme e maravilhoso…..
    ruanny lima
    bjs,para todos q participaram desse filme…xero




  3.  
    Isa

    Vai ter uma continuação por isso o filme termina meio inacabado. Com certeza a Charlize t
    Theron é muito mais bonita que a Kristen mesmo sendo mais velha. Não gostei da Kristen como Branca de Neve.




  4.  
    Diogo

    Filme chato pra caceta, uns cortes esquisitos, a unica coisa boa nesse filme são os figurinos e a atuação da mulher que faz a rainha….




  5.  

    bom, branca de neve e o casador foi um dos melhores filmes que eu já vi de contos de fada. Alem de fugir um pouco da historia original o figurino e bonito ate os efeitos especiais, e eu tenho uma historia que hia fazer todos vão querer ver, e se fosse filme iria ganhar o osca mas essa historia e perfeita mais esperava um pooooooooquinho mais

    PS: parabéns pelo o filme um grande beijo Kristen e a gata da Chalize Theron uuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhããããããããããããããããããã




  6.  
    Brena

    Eu gostei do filme, mas eu acho que o final ficou meio chato, ela desperta com o beijo do CAÇADOR, e no fim ela se torna rainha, ficando dividida entre o principe e o caçador, não sei se vocês notaram, mas na cena final mostra todos à reverenciando e ela fica com o olhar apreensivo procurando por alguém, até que surge o caçador e eles trocam olhares e ela da aquele sorrizinho e acaba o filme, prefiro pensar que ela tenha ficado com ele, pois o filme mostra ele tentando proteger ela, aaai um amor de caçador, rsrsrsrs.




  7.  
    kayo

    nao gostei deste filme unica coisa q prestava eras a rainha do mal que queria mata a do bem





Leave a Response

(required)