Crítica | Brinquedo Assassino 2

estrelas 3

Voltemos a 1990. Dois anos após o lançamento do primeiro filme sobre o nosso amiguinho Good Guy Chucky. O sucesso do longa de origem havia sido grande. Os lucros de bilheteria foram significativos, réplicas em tamanho original do boneco Chucky já estavam nas lojas e a imagem do boneco assassino ainda estava fresca na mente de todos. Momento propício para lançar a sequência de Brinquedo Assassino.

Se você está lendo a esse texto, suponho que já leu o anterior e já assistiu a, pelo menos, o primeiro filme da série. Seguirei, portanto, relembrando alguns incidentes em Brinquedo Assassino que influenciam os eventos seguintes em Brinquedo Assassino 2. Após a série de tragédias que seguiram na família Barclay causada por um boneco de borracha, Andy Barclay foi adotado por uma nova família, enquanto sua mãe, desacreditada ao atribuir a matança ao boneco Chucky, segue internada em um hospital psiquiátrico.

Ao fim do primeiro longa, todos nós pudemos ver a morte de Chucky. Sim, o boneco morreu. O que acontece é que o roteirista, guiado pela empolgação/sucesso/possibilidade de lucrar ainda mais com a franquia, resolve trazê-lo à vida da forma mais non sense possível. Chucky, então carbonizado no primeiro filme, é restaurado e está novinho em folha. Como não poderia ser diferente, o boneco volta a partir em busca de Andy para concluir o que não havia conseguido há dois anos: incorporar o corpo de Andy e voltar a ser um ser humano.

O problema da continuação de Brinquedo Assassino nasce com a base em que o longa funda o seu argumento. O primeiro filme deixa bastante claro que, passado muito tempo no corpo de boneco, Charles Lee Ray não teria outra opção senão aceitar o corpo do Good Guy como seu, já que, assim, o boneco estaria completamente humano por dentro. O segundo filme opta por ignorar esse fato, bem como ignorar que o boneco já havia morrido, em detrimento a dar continuidade a uma história concluida. Feito o estrago, é chegado o momento de seguir adiante e olhar o resultado disso tudo.

Ainda que se mantenha Alex Vincent como o interprete de Andy Barclay, a nova constituição de atores não é tão expressiva quando a do filme de origem. Com a exceção de algumas boas cenas de ação, Brinquedo Assassino 2 não exibe nada de novo em relação ao primeiro longa. A continuação apenas confirma o padrão que se seguiria nos filmes protagonizados pelo Chucky: não importa quantas vezes vocês matarem o boneco. Ele volta. Sempre voltará. E sairá matando todo mundo que encontrar pela frente.

O interessante disso tudo é que, apesar dessas inúmeras falhas de linearidade, Brinquedo Assassino 2 não é um filme necessariamente ruim. É divertido de assistir e é mais cômico ainda perceber como um filme pode se sair bem quando não se leva a sério. Brad Dourif é, sem dúvida, um importante elemento na confirmação disso. Já não é possível imaginar um Chucky sem a voz do ator.

Brinquedo Assassino 2 (Child’s Play – EUA, 1990)
Direção: John Lafia.
Roteiro: Don Mancini.
Elenco: Alex Vincent, Jenny Agutter, Gerrit Graham, Christine Elise e a voz de Brad Dourif.
Duração: 84 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.