Crítica | Broforce

Imagine Rambo, T-1000, Snake Plissken, Ellen Ripley, Robocop, Blade, Beatrix Kiddo e John McClane interagindo em um mesmo universo e participando de uma equipe. Um verdadeiro sonho para qualquer fã de filmes de ação, certo? Se é praticamente impossível a realização desse encontro no cinema, Broforce, da Free Lives Games, junta esse time de personagens, todos com “bro” no nome, proporcionando um jogo nostálgico, extremamente divertido e que homenageia brilhantemente os filmes de ação.

Portanto, como toda história de ação oitentista, Broforce é bastante maniqueísta, patriota e exagerado. O objetivo aqui é um só: livrar o mundo do mal através do poder estadunidense, resultando em um enredo simples. Porém, o que parece uma história vazia, torna-se paródia e esse é o acerto de Broforce. O jogo é deliciosamente exagerado, seja pela ação frenética, frases de feito ou pelos cenários que se destroem com um mero tiro.

Aliás, a escolha do design em 8 bits é acertada por referenciar os jogos antigos e permitir esses exageros, uma vez que seria muito mais difícil construir tanta destruição em um ambiente realista. Além disso, o realismo vetaria a paródia e vale ressaltar a intenção do jogo em rir de tantos exageros e não exaltá-los. Portanto, temos aqui uma narração carregada de testosterona, adversários extremamente burros e uma exaltação aos Estados Unidos de doer os olhos, trazendo até Broheart (entenda por William Wallace) levando a bandeira americana.

“Freedoooooooom!”

Porém, você, leitor com um senso crítico maior, pode estar se perguntando qual a graça de jogar algo que exalta a política imperialista americana? Sobre isso, confesso que pensava a mesma coisa, enquanto jogava, apesar de me divertir sob o comando de alguns dos meus personagens preferidos, como o Predador.  A questão é que o jogo admite o quão errada é aquela exaltação à violência, promovendo uma fase final que possui uma inteligentíssima crítica a tanta guerra.

Após passar pela América do Sul, Ásia e África, inclusive, combatendo aliens (sim, o jogo ainda proporciona isso) o desafio final do jogador é dentro dos Estados Unidos, onde nos deparamos com um país tomado pela violência. Obviamente, não preciso repetir os exageros do jogo, portanto, o universo criado traz zumbis, magos e demônios em um local repleto de sangue. Ali, fica evidente como a cultura armamentista e imperialista americana gerou uma nação com sede de morte.

Uma mulher de biquíni com uma AK-47. O exagero para criticar.

Inclusive, para passar por cada fase, os personagens precisam derrotar uma espécie de diabinho e, no final, vemos que o verdadeiro diabo estava nos Estados Unidos o tempo todo, sendo ele o últimos boss. Assim, Broforce não só homenageia o cinema de ação americano, como também tece uma inteligente crítica a eles, como a cena no fim dos créditos sugere. Com isso, um enredo aparentemente maniqueísta ganha camadas, mas sem abrir mão da diversão gratuita. Aliás, para os jogadores que não ligam para a história ou críticas, o jogo proporciona um eficiente modo multiplayer e fases criadas pela própria comunidade.

Quer um vilão mais maniqueísta que esse?

Já a jogabilidade mostra-se dinâmica, uma vez que a constante mutação dos cenários gerada por sua destruição resulta em adversidades diferentes a serem superadas, algo que outros jogos de plataforma não conseguem evitar, por exemplo. Além disso, por trocar o personagem toda vez que ele perde uma vida ou adquire uma nova, o jogo não enjoa, proporcionando estilos de combate diferentes a todo momento. Portanto, Brade (obviamente, os desenvolvedores não podiam colocar Blade) possui seus poderes especiais e espada veloz, já Snake Broskin aparece com sua furtividade e engenhocas vistas em Fuga de Nova York, enquanto Bro Max utiliza o mesmo bumerangue de aço que conhecemos de Mad Max 2. Aliás, Broforce encanta pela diversidade de heróis (os que citei são apenas metade dos disponíveis), deixando sempre um gostinho de quero mais quando trocamos de personagem.

Não há cenário que aguente tanta destruição.

Broforce possui um enredo simples, mas com críticas ácidas ao culto à violência, sem abrir mão da diversão. Para os fãs do cinema de ação, o jogo é um verdadeiro bálsamo. Já para quem gosta de jogos de plataforma, o game é uma alternativa divertida. Broforce é tão descolado quanto os personagens que homenageia.

Broforce
Desenvolvedora: Free Lives Games
Lançamento: 15 de outubro de 2015
Gênero: Jogo eletrônico de plataforma
Disponível para: PlayStation 4, Microsoft Windows, Mac OS Classic, Linux

FERNANDO CAMPOS . . . Depois que fui apresentado para a família Corleone não consegui me desapegar da cinefilia. Caso goste de "O Poderoso Chefão" já é um belo início para nos darmos bem. Estudo jornalismo, mas amo mesmo escrever críticas cinematográficas. Vejo no cinema muito mais que uma arte, mas uma forma ensinar, inspirar, e o mais importante, emocionar. Por isso escrevo, para tentar incentivar às pessoas que busquem se aprofundar nesse universo tão rico. Não tenho preconceito com nenhum gênero, só com o Michael Bay mesmo.