Crítica | Brooklyn 9-9 / Brooklyn Nine-Nine – 2ª Temporada

estrelas 3

Bem mais cedo do que se esperava, Brooklyn 9-9 apresentou sinais de esgotamento criativo, o que é uma triste surpresa constatar, já que os criadores da série, Daniel J. Goor e Michael Schur, são muito bons em criar e executar elementos cômicos eficientes durante um bom tempo, vide Parks and Recreation.

O principal problema aqui foi a ausência de uma linha sólida de acontecimentos que unisse os episódios; um ingrediente obrigatório para temporadas com o desnecessário número de 23 episódios. Sem isto em cena, o caminho para o estágio intragável das séries procedimentais é aberto, e lá se vai a possibilidade de vermos uma boa comédia.

Com uma equipe talentosa e bons personagens para criar arcos dramáticos satisfatórios, era de se esperar que a 2ª Temporada de Brooklyn 9-9 fosse melhorar em relação à já muito boa 1ª Temporada, mas não foi isso que aconteceu. Sem atentar para um plano geral que desse sentido ao show (algo que os roteiristas tentaram contornar às pressas e sem sucesso na reta final) e com repetições de fórmulas já utilizadas no ano anterior, a série passou uma temporada de poucos pontos positivos — embora o bastante para permanecer boa e divertida, mas já na fase de perigo –, com a maioria dos capítulos fechados em si, sem nem ao menos apresentar coisas que proporcionassem ao público melhor conhecimento da equipe protagonista.

De uma forma bem sutil, presenciamos tentativas de exploração mais sólida dos personagens, como o namoro de Rosa com Marcus, a breve relação entre Boyle e Gina e o casamento dos pais deles, mas, à exceção do primeiro item, nenhum outro teve real impacto no desenvolvimento dos personagens ou da série. Nem mesmo a mudança narrativa que os episódios finais trouxeram, com o romance “Ross-Rachel” envolvendo Peralta e Santiago serviram para preencher esse vazio em que a temporada caiu, tanto em sua linha geral quanto em suas partes isoladas.

Este impacto só não foi mortal porque os atores envolvidos no projeto realmente fizeram um bom trabalho, assim como alguns diretores que conseguiram sair um pouco da prisão dos enredos fechados e estabelecer coisas que pudessem servir para outros diretores e roteiristas dos capítulos seguintes. Três deles merecem destaque nesse aspecto: Eric Appel, por Halloween II; Max Winkler, por The Pontiac Bandit Returns e Michael McDonald, por Jake and Sophia. E ao contrário do roteiro do episódio final da temporada, Johnny and Dora, que sofre no início mas consegue um bom resultado final, a direção de Dean Holland é uma ótima constante, com um andamento ágil, objetivo e com boas migalhas que talvez sejam recolhidas a contento na próxima temporada.

A despeito do trabalho desleixado dos produtores na sequência de eventos designados para esta temporada, Brooklyn 9-9 ainda é um show bastante divertido de se assistir. Andy Samberg ainda é o porto seguro do elenco, mas Terry Crews e Chelsea Peretti conseguiram ótimos momentos este ano, talvez por terem tido um pouco mais de espaço do que no ano anterior. E ainda sobre o elenco, vale citar a atriz Kyra Sedgwick, que entrou como nêmesis do Capitão Holt, teve poucos bons momentos e, infelizmente, terminou forçada demais, quase como um grito (e apelo) dos roteiristas que não tinham mais o que fazer com tanto episódio pela frente. A boa notícia é que ela conseguiu ser o núcleo de uma possível guinada no andamento do programa. A má notícia é que a série já foi renovada para uma 3ª Temporada com 22 episódios. Mas o próximo ano promete. E estaremos lá para ver.

Brooklyn 9-9 / Brooklyn Nine-Nine – 2ª Temporada (EUA, 2014 – 2015)
Direção: Diversos
Roteiro: Daniel J. Goor, Michael Schur e equipe
Elenco: Andy Samberg, Stephanie Beatriz, Terry Crews, Melissa Fumero, Joe Lo Truglio, Chelsea Peretti, Andre Braugher, Dirk Blocker, Joel McKinnon Miller, Peter Janov, Kyra Sedgwick
Duração: 22 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.