Crítica | Busca Implacável

estrelas 3,5John Matrix é um ex-soldado das forças especiais que se aposentou para ficar com sua filha. Quando ela é sequestrada, Matrix usa de todas as suas técnicas para resgatá-la.

Opa, não é esse filme que tenho que criticar…

Troquem John Matrix (de Comando para Matar, vivido pelo ex-Governator) por Bryan Mills, vivido por Liam Neeson, troque ex-soldado por ex-espião e aumente um pouco a idade da filha e voilà, temos Busca Implacável. Esse filme, na verdade, é uma pequena fita de ação franco-anglo-americano falado totalmente em inglês, dirigido pelo francês Pierre Morel e produzido pelo também francês Luc Besson. Ele estreou fora dos Estados Unidos antes de nos Estados Unidos, foi um sucesso e, meses depois, foi lançado nos EUA e também se tornou um sucesso por lá. É algo raro.

Mas dá para ver porque foi um sucesso.

Liam Neeson está excelente nesse papel que, na verdade, não exigiria muito de nenhum ator. No entanto, Neeson, como bom ator que é, empresta uma seriedade e discrição ao papel de Mills que ele brilha toda vez que aparece (basicamente o filme todo). Mills é um Matrix misturado com McLane. Bate, arrebenta, corre, atira, joga, chuta, quebra ossos e nada, absolutamente nada acontece com ele. Ele é uma máquina de matar os albaneses que sequestram sua filha Kim (Maggie Grace)  em plena Paris quando ela vai para lá contra a vontade dele, com uma amiga.

Durante o sequestro, Kim liga para o pai para pedir ajuda e, em uma cena já antológica, ele diz para ela, deixar o telefone ligado debaixo da cama, permitir sua captura e gritar o mais alto possível tudo que ela conseguir ver das características dos bandidos. Em seguida, quando o bandido pega o telefone, Mills, sem se fazer de rogado, trata de ameaçar o bandido, dizendo que, se ele soltar Kim agora, tudo ficará bem. Caso contrário, Mills o caçará, achará e matará. Dificilmente algum ator de ação moderno falaria essa frase clichê de forma tão convincente quanto Neeson.

A partir, daí, claro, é pura pancadaria, com Mills destroçando um círculo de exploração sexual em Paris com direito a muitos tiros, facadas e perseguições.

Busca Implacável é diversão do tipo “deixe-seu-cérebro-na-porta”, no exato estilo dos anos 80 de tantos filmes memoráveis como Comando para Matar, Cobra, Rambo e Delta Force, com a grande vantagem de ser mais polido e bem acabado, com direção e cortes seguros de Pierre Morel, além de uma atuação bem superior aos durões famosos, mas, hoje, geriátricos. É um filme que não tem a menor pretensão de ser mais do que é e, por isso mesmo, acaba cumprindo muito bem sua função.

Busca Implacável (Taken, França/Inglaterra/Estados Unidos, 2008)
Direção: Pierre Morel
Roteiro: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Lelan Orser, Famke Janssen, Jon Gries, David Warshofsky, Holly Valance, Katie Cassidy, Xander Berkeley, Olivier Rabourdin, Gérard Watkins, Marc Amyot, Arben Bairaktarai, Raivoje Bukvic, Mathieu Busson, Michel Flash, Nicolas Giraud, Rubens Hyka, Camille Japy, Valentin Kalaj
Duração: 93 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.