Crítica | Caçadores de Emoção (1991)

point

estrelas 4

Ah, os anos 90. Que época gloriosa para se ser fã do cinema de ação e um frequente visitador de locadoras de VHS e da Sessão da Tarde da Rede Globo. Que época gloriosa também para se ser Keanu Reeves: além de estrelar os ótimos Velocidade Máxima e encontrar o papel de sua carreira em Matrix, o ator protagonizou um dos mais icônicos e importantes longas do cinema de ação bromance: Caçadores de Emoção.

A trama nos apresenta ao agente do FBI novato Johnny Utah (Reeves, e sim esse é mesmo o nome do personagem), que é transferido para uma operação que visa capturar uma gangue de assaltantes conhecida como “Os Ex-Presidentes” – já que o grupo opera utilizando máscaras de presidentes americanos. Utah se alia ao veterano Angelo Pappas (Gary Busey) para investigar um grupo de surfistas que estaria conectado (ou até mesmo seria) os Ex Presidentes. Com o agente infiltrado e rapidamente se tornando uma figura de confiança do líder, Bodhi (Patrick Swayze), a lealdade do policial será testada.

Espere, você imediatamente pensou no primeiro Velozes e Furiosos? Não é coincidência alguma, já que o primogênito filme da franquia com Vin Diesel é uma cópia descarada de Caçadores de Emoção, em praticamente todas as reviravoltas e até mesmo na cena final. O que Velozes não tem, por um lado, é a qualidade do filme de Kathryn Bigelow, que consegue contar uma história banal de uma maneira honesta e absurdamente empolgante.

A condução da mulher que um dia viria a dirigir Guerra ao Terror e A Hora Mais Escura é impecável. Não só pelas complicadas cenas envolvendo surf e mares, mas por todo o espetáculo que o longa traz: são perseguições a pé, intensas sequências de assalto e duas inacreditáveis cenas de skydiving que, mesmo sendo feitas nos anos 90, são capazes de deixar qualquer um estupefato pelo realismo e empolgação de tais cenas; uma delas é a “sedução” final de Utah por Bodih, quando este o convence de que viver no limite é a filosofia ideal, e a outra é um confronto assombroso em plena queda livre.

Nisso, também devemos agradecer a Keanu Reeves. Nunca um grande ator que merecemos, mas sim o que precisamos, o ator faz de Utah um sujeito esquentado que aparentemente leva tudo a sério, e a artificialidade de sua performance é um dos grandes catalisadores da diversão: é quase uma paródia de si mesmo, vide momentos icônicos como aquele em que – após deixar um criminoso fugir – solta um grito de fúria enquanto descarrega o pente da pistola para cima. Já Swayze pode ser considerado um intérprete mais competente, mas seus exageros funcionam da mesma forma que os de Reeves: é uma variação hippie, esotérica e radical; quase como se o The Dude de O Grande Lebowski subisse numa prancha de surf

Algo que não funciona é a obrigatória presença de uma subtram amorosa, que envolve Utah e Tyler, uma garota da gangue de Bodhi que – quem diria- também é namorada do líder.

Uma viagem de volta aos tempos simples que era o cinema de ação dos anos 90. Caçadores de Emoção é empolgante, divertido, povoado por figuras catunescas e cenas de ação de tirar o fôlego. Isso, senhoras e senhores, é tudo o que um bom filme do gênero precisa ser.

Caçadores de Emoção (Point Break, 1991 – EUA)

Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: W. Peter Iliff
Elenco: Keanu Reeves, Patrick Swayze, Gary Busey, Lori Petty, John C. McGinley, James Le Gros, John Philbin, Bojesse Christopher
Duração: 122 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.