Crítica | Capitã Marvel # 1 (2012)

Não se pode dizer que os desafetos de Capitã Marvel (2012) estejam totalmente errados nos pontos que levantaram para justificar a falta de “noção” da Casa das Ideias em dar a Carol Danvers um novo manto. Um legado é um legado, e para quem acompanhou histórias de uma certa personagem durante anos, pode ser muito estranho deparar-se com a mesma pessoa de novo uniforme, novo nome, com outra origem, outro motivo para lutar e uma nova forma de vida. Mesmo que bem justificada, a mudança causa estranheza, e é preciso muito boa vontade do leitor e muito talento dos envolvidos no projeto para que a coisa realmente caminhe.

A nova revista traz a mudança relutante de Ms. Marvel (Carol Danvers) para Capitã Marvel, um nome que se questiona muito antes de aceitar, por deferência a Mar-Vell, o Capitão alienígena que protagonizou uma das mortes mais insólitas e emocionantes dos quadrinhos, em meados dos anos 80. Com marcas em seu próprio DNA que não lhe permitem esquecer o icônico Capitão, Danvers inicialmente recusa a ideia de um novo manto proposta por Steve Rogers, mas acaba cedendo a uma provocação do supersoldado e após um momento de reflexão, conclui que não é uma má ideia a adoção dessa nova identidade.

Mas ao mesmo tempo que é possível entender os desafetos, fica claro o afã dos leitores nos Estados Unidos que esgotaram a primeira edição dessa revista, além de terem à disposição uma enxurrada de críticas positivas. Algo que difere essa atual Carol Danvers daquela que fora sob o manto de Ms. Marvel é a sua importância total sobre a aventura e o aproveitamento pleno de sua presença nos acontecimentos – bem, é uma revista solo dela, caso isso não acontecesse não haveria outra palavra que não “fracasso” para defini-la –, que protagoniza e interfere nas histórias das quais participa. Por ser uma bela mulher de ego inflado e forte instinto de liderança, cabe até um momento de arrogância e conflito interno da personagem, algo que ela divide com ninguém menos que Peter Parker, uma escolha irretocável da roteirista Kelly Sue DeConnick.

Mas seria fechar os olhos para o óbvio se disséssemos que a edição é livre de problemas. Alguns amigos meus reclamaram bastante da arte, da coloração computadorizada, dos traços mais livres e de relevos em evidência e forte abuso de luzes para realizá-los. Para mim, isso não foi um complicador. A arte de Dexter Soy é interessante, tem uma textura forte, lembra um amálgama de estilos e ainda consegue acertar na paleta de cores e na finalização diferente para cada uma das histórias da edição. O que fica um pouco atrás, mas mesmo assim acima da média, é o roteiro, que segue bem até um ponto e depois se torna nebuloso, adotando a postura do “aglutinar consequências” para conseguir um ponto forte e estabelecer o arco, que nem é tão notável assim, movido mais pela curiosidade do leitor para saber o que será de Danvers após o emocionante funeral, do que por uma reticência da história.

Apesar das ressalvas, Capitã Marvel é uma revista interessante. O leitor não deve esperar nada próximo ao exagero de alguns ensandecidos com a novidade, mas deve esperar algo bom. Fica a dúvida sobre o futuro da revista. A aparição de Steve Rogers e Peter Parker nessa edição foram justificadas pelo caráter introdutório, mas se essas aparições persistirem, a intenção da revista se perde. Mas isso são apenas temores e eu ficaria muito feliz se não os visse concretizados.

Até a próxima edição!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.