Crítica | Capitã Marvel e a Tropa Carol (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

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estrelas 4

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Kelly Sue DeConnick se despede de seu tempo à frente da publicação solo da Capitã Marvel com uma minissérie tie-in de Guerras Secretas que reimagina a heroína como a líder do Esquadrão Banshee, formado unicamente por pilotos mulheres em uma região do Mundo Bélico que lembra os serials americanos das décadas de 30 e 40, com uma pitada de Rocketeer aqui e de Indiana Jones ali. E a premissa é uma que repete em alguns tie-ins: a desconfiança de que há algo estranho esse mundo em que vivem e no que Deus Destino representa. Isso é visto em minisséries como Força-V, A Saga de Korvac e Guardiões de Luganenhum e, aqui, é o ponto focal da narrativa.

Sem perder tempo algum, DeConnick e sua co-roteirista Kelly Thompson, logo estabelecem a liderança de Carol Danvers, que tem os mesmos poderes e substancialmente o mesmo uniforme de sua série regular, e a desconfiança, por parte dos membros de seu esquadrão, sobre questões em tese transcendentais como “o que há além do céu?”. Não demora e própria Carol, depois de encontrar a Thor de sua região, que foi também membro de seu esquadrão, passa a indagar sobre o céu e as estrelas, já que o conceito e forma de estrela existe – e está em seu uniforme -, mas não há nenhuma no céu. Somando-se a isso, ela e seu esquadrão são obrigadas a cumprir ordens cegamente que as levam a destruir um navio que teria um carregamento de perigosos Ultrons. Carol, em uma decisão de milissegundo, salva o único humano que vê no navio, que se revela como sendo Rhodes (o Máquina de Combate no Universo Marvel comum).

Todas essas indagações catalisam as ações de Carol e de seu grupo, que bolam um plano para ultrapassar o limite do conhecido e chegar ao temido “vácuo”.  O paralelo com os navegadores e cientistas do século XIV e XV é inevitável, algo amplificado pela devoção religiosa cega de todos aos ditames de Deus Destino. Além disso, o texto é impregnado de atos de heroísmo clássicos, como sacrifícios pelo bem maior, além de enorme respeito e camaradagem entre o grupo sob o comando de Carol. O resultado é uma leitura agradável de uma história inspiradora, ainda que não particularmente complexa. É como assistir uma clássica Sessão da Tarde: a experiência deixará o leitor com um sorriso no rosto.

A arte ficou sob a responsabilidade de David Lopez nos três primeiros números e ele imprime um estilo que combina perfeitamente com o tom da narrativa das roteiristas. Há leveza em seus traços e uma aura “antiquada” em tudo que vemos, dos aviões ao uniformes. E suas cores – que ele mesmo faz nos dois primeiros números – em tons pastel, emudecendo o uniforme clássico da Capitã Marvel e tornando todo o conjunto muito harmônico, ajudam nessa impressão de serial dos anos 30 ou 40. Quando Laura Braga e Paolo Pantalena pegam para desenhar o último número, um pouco desse ar nostálgico se dissipa, mas os dois artistas, apesar de terem estilos próprios, emularam suficientemente bem os traços de Lopez para permitir uma transição sem maiores problemas.

Capitão Marvel e a Tropa Carol é uma diversão descompromissada que merece ser lida por seus próprios méritos e por ser, também, a despedida de DeConnick da Capitã Marvel. Uma Sessão da Tarde digna e um pouco acridoce.

Capitã Marvel e a Tropa Carol (Captain Marvel and the Carol Corps, EUA – 2015)
Contendo: Captain Marvel and the Carol Corps (2015) #1 a #4
Roteiro: Kelly Sue DeConnick, Kelly Thompson
Arte: David Lopez (#1 a #3), Laura Braga (#4), Paolo Pantalena (#4)
Cores: David Lopez (#1 e #2), Lee Loughridge (#3)
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a novembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: novembro de 2016
Páginas: 90

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.