Crítica | Capitão Marvel: Origem e Primeiras Aventuras (Marvel Super-Heroes #12 e 13 / Capitão Marvel #1)

Existem vários personagens com o nome Capitão – ou Capitã – Marvel na história da Marvel Comics, mas tudo começou com Mar-Vell, um agente Kree que, no melhor estilo Pocahontas, apaixona-se pela terra que invade, passando a defendê-lo de sua própria raça e, também, de diversas outras ameaças. É Mar-Vell, também, quem sofreu as maiores evoluções, passando de uma espécie de astronauta Kree para um ser superior com consciência cósmica e um dos mais poderosos heróis do panteão da editora.

Mas a história do Capitão Marvel começa bem antes de ele ser criado por Stan Lee e Gene Colan em 1967. Sua fascinante gênese vem da Fawcett Comics que, entre 1940 e 1953, publicou os quadrinhos do Capitão Marvel, aquele de uniforme vermelho, raio amarelo bem grande no peito e capa branca de borda amarela/dourada que se transformava no personagem pronunciando a palavra mágica SHAZAM!, que faz com que o garoto Billy Batson dê lugar ao herói na sua versão adulta. Acontece que, não muito depois de sua criação pela Fawcett, a DC Comics, considerando que o Capitão Marvel era plágio do Superman, ingressou com uma ação de infração de direitos autorais que somente viria a ganhar em 1951, levando a Fawcett a parar de usar o personagem em 1953 e dando início a um lento processo que, 1994, facilitaria a compra de uma pela outra, consolidando-se o portfólio em nome da DC Comics. Os detalhes da ação não são relevantes para a presente crítica, bastando dizer que a Fawcett lutou muito, pois seu Capitão Marvel conseguiu a proeza de se tornar mais popular que o Superman durante os anos 40 e a própria DC aproveitou ideias da publicação para, por exemplo, fazer seu Superman voar, para criar o Superboy com base na Família Marvel e, também, para criar Lex Luthor, com base no Dr. Sivana.

De toda forma, com o desuso do Capitão Marvel original, a marca Capitão Marvel, então registrada pela Fawcett, acabou tornando-se disponível para registro por terceiros e, sem pestanejar, a Marvel Comics a obteve, lançando, em 1967, em sua publicação teste Marvel Super-Heroes, sua própria versão do Capitão Marvel, neste começo muito diferente do da Fawcett. A versão mais famosa do Capitão – evolução deste mesmo personagem – só viria a aparecer tempos depois, com clara inspiração na “troca de corpos” do personagem original, só que, desta vez, por meio de braceletes (os nega-bands) que faziam com que o Capitão, que estava na Zona Negativa, trocasse de corpos com o eterno sidekick Rick Jones, sempre que um deles os batia. Mas estou me adiantando…

Quando a Marvel Super-Heroes #12 começa, o roteiro de Stan Lee constrói uma narrativa mais complexa do que o normal para uma história de origem à época. No lugar de apenas estabelecer Mar-Vell como um invasor Kree na Terra, com uma missão de espionagem bélica, ele cria uma história de ciúmes e vingança a partir do superior do herói, o coronel Yon-Rogg, líder da expedição que deseja ter Una, a cientista do grupo e amante de Mar-Vell para si. Para atingir seu objetivo, ele manda o subordinado sozinho para a missão, algo incomum e completamente fora das regras. Essa situação fica evidente tanto para nós leitores, quanto para Mar-Vell e Una que têm que lidar com a situação da melhor maneira possível.

Tendo que tomar uma “poção” que o permite respirar na atmosfera terrestre por 60 minutos quando ele não está com seu capacete, exigindo novas doses a cada fim de período, Mar-Vell, não demora, enfrenta um destacamento militar que está fazendo testes de mísseis no local. Mas Mar-Vell não tem poderes além dos que a gravidade diferente da Terra os proporciona, mas ele chega paramentado com seu uniforme militar verde e branco que o permite voar (ou melhor, pular alto) por intermédio de jatos, além de sua arma de raios universais – ou uni-raio – que literalmente serve para qualquer coisa.

Na edição seguinte, já co-escrita por Roy Thomas, Mar-Vell sofre um atentado por Yon-Rogg do qual escapa, mas em que um humano convenientemente muito parecido com ele, acaba morrendo. Assumindo a identidade do falecido – Walter Lawson – que, por acaso, é um especialista em sistema de direcionamento de mísseis que estava chegando assumir um cargo justamente na base militar, Mar-Vell consegue se infiltrar por lá, conhecendo quase que de imediato a chefe de segurança da base Carol Danvers que, não muito tempo depois, tornar-se-ia a Ms. Marvel e, bem mais para a frente, a Capitã Marvel.

Mais uma vez tentando assassinar Mar-Vell, Yon-Rogg ativa o sentina robótico Kree, que estava em estado latente na base, e ele prontamente começa a destruir tudo à sua frente. A pancadaria, então, estende-se pelo número na publicação solo do Capitão Marvel, que leva seu nome.

Apesar da complexidade inicial do texto de Lee e, de certa forma, também o de Thomas, a história, depois que a rivalidade entre Yon-Rogg e Mar-Vell é introduzida, é bastante objetiva, quase pueril, com muitos balões de texto sendo utilizados para narrar o que está acontecendo, bem no estilo verborrágico que sempre marcou os textos de Lee. A progressão narrativa, com isso, sofre um pouco, com Gene Colan pouco podendo fazer para trabalhar a ação sem ter que encaixar balões de texto em praticamente todos os lugares disponíveis.

Em outras palavras, de uma história interessante e com potencial, essa primeira aparição do Capitão Marvel logo descamba para algo genérico e pouco empolgante, algo que Colan, mais tarde, se ressentiria muito e, de certa forma, chegaria a dizer que nem co-criador era do personagem. Um exagero, certamente, até porque a evolução do Capitão foi rápida e vertiginosa, tornando-se um dos mais icônicos personagens da editora nos anos 70, juntamente com sua dramática alteração de uniforme.

Capitão Marvel: Origem e Primeiras Aventuras (EUA – 1967/8)
Contendo: Marvel Super-Heroes #12 e 13, Capitão Marvel #1
Roteiro: Stan Lee, Roy Thomas
Arte: Gene Colan
Arte-final: Frank Giacoia, Paul  Reinman, Vince Colletta
Letras: Artie Simek, Sam Rosen
Cores: Stan Goldberg
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: dezembro de 1967, março de 1968 e maio de 1968
Páginas: 23 por edição

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.