Crítica | Capitão Marvel, Vol. 5 #16 [Primeira Aparição: Phyla-Vell]

estrelas 2,5

Bem que tento, mas realmente não consigo me adaptar com quadrinhos desenhados e pintados com computador. Não vi, até hoje, nenhum exemplo de quadrinhos em que essa tecnologia tenha sido usada de maneira apropriada, por mais bem intencionados que sejam os artistas.

Em Capitão Marvel, vol. 5 #16, a arte de Paul Azaceta e as cores de Chris Sotomayor são particularmente ruins devido ao uso do computador, com páginas literalmente fora de foco e detalhes inexistentes. Todos os personagens se parecem. Até os Skrulls são parecidos com os Kree, que, por sua vez, se parecem com os Shi’ar e por aí vai. E isso sem contar com os movimentos congelados e a transição de quadros burocrática.

cap marvel cover

Capa bem representativa da loucura de Genis-Vell.

Em termos de história, pelo menos, Peter David tenta inovar e faz algo até ousado. Lidando com a crescente loucura do filho clonado do Capitão Marvel original, Genis-Vell, que literalmente fez com que Rick Jones se suicidasse no Microverso e reuniu os representantes de todo os grandes povos intergalácticos para literalmente assassiná-los e, com isso, levar paz ao universo, o roteirista nos apresenta a uma espiral de crescente sandice representada inclusive pelo nome do arco: Crazy Like a Fox. Dessa espiral, Genis jamais sairia de verdade, o que literalmente mostra muitos cojones para se quebrar um herói dessa maneira, especialmente em se tratando de um que carrega o legado do extremamente respeitado Mar-Vell, detentor original dos nega bands e da consciência cósmica.

Quem chega para atrapalhar seus planos megalômanos e completamente equivocados são os titãs de, claro, Titã, a lua de Saturno onde Mar-vell foi clonado. A presença de Starfox, seu “tio” e de Elysius, sua “mãe”, faz a cabecinha do já perturbado Capitão Marvel ficar ainda mais complicada. Para começar, ele não acredita que aquela é mesmo sua mãe (e, para dizer a verdade, o desenho me fez pensar primeiro na Madame Hidra) e literalmente não exita em atirar nela, o que não adianta muito.

Além disso, sentindo falta de Rick Jones, Genis ainda resolve simplesmente “revivê-lo”, devolvendo vida ao eterno parceiro de todos os heróis Marvel quando ele está no centro da pira onde seu corpo começa a ser queimado. Nada mais tenebroso, não é meso? Mas são esses aspectos um pouco sádicos, um pouco loucos e completamente melancólicos e até depressivos que fazem dessa uma boa história que poderia ser muito melhor se a já mencionada arte fosse minimamente suportável.

Com o Capitão Marvel se dirigindo, ao final, diretamente para Titã, vemos a triunfal e surpreendente entrada de Phyla-Vell, paramentada com o uniforme original do Capitão Marvel e os nega bands dos Kree nos punhos (imagem de destaque dessa crítica). A surpresa vem do fato que Elysius nunca antes mencionara uma irmã para Genis, mas, a conversa de mãe e filha mostram que, com a condição atual de Genis, Phyla é quem passará a ser a nova Capitã Marvel.

Um pouco mais sobre Phyla-Vell

Antes dos eventos mencionados acima, Genis-Vell simplesmente destruiu e reconstruiu todo o universo (em uma versão simplificada do que realmente aconteceu, claro) e, nessa reconstrução, Elysius decidiu clonar uma nova filha, já que o experimento com Genis havia sido muito bem sucedido. Sei que é difícil aceitar esse raciocínio, mas não há muita explicação detalhada para o surgimento de Phyla-Vell, clone do Capitão Marvel original com Elysius que, no final das contas, dá muito mais certo do que seu irmão louco Genis.

Apesar de ela ser apresentada com Capitã Marvel ao final da publicação em que ela aparece, esse título, na verdade, nunca é realmente dela, já que Genis, depois, recuperado em parte de sua sandice, não permite que ela fique com o nome.

Sua biografia em quadrinhos nunca é realmente desenvolvida. No entanto, em um aspecto ela se destaca dos demais heróis cósmicos da Marvel. Phyla é lésbica e apaixonada pela Serpente da Lua, filha de Drax, o Destruidor. Esse romance ganha outros contornos durante as sagas Aniquilação e Aniquilação: Conquista, quando as duas ganham grande destaque na luta contra o Aniquilador e a Falange. No entanto, é em Aniquilação que Phylla consegue tomar do Aniquilador os braceletes quânticos do finado Quasar original, fazendo com que ela, ao portá-los, se transforme em uma nova versão de Quasar, com poderes híbridos tanto de Quasar quanto do Capitão Marvel (os braceletes de Quasar “absorvem” os nega bands que ela usa).

Mais tarde, ao final de Aniquilação: Conquista, Phyla, como Quasar, se junta ao Guardiões da Galáxia e vive diversas aventuras com o grupo. Em sua batalha contra Maelstrom, ela depois perde os braceletes quânticos e, literalmente fazendo um pacto com o diabo, torna-se um avatar de Oblivion e passa a operar com o nome Mártir, além de ganhar uma personalidade bem diferente, muito mais sombria.

Capitão Marvel, vol. 5 #16 (Captain Marvel, vol. 5 #16, EUA – janeiro de 2004)
Roteiro: Peter David
Arte: Paul Azaceta
Cores: Chris Sotomayor
Editora: Marvel Comics
Páginas: 22

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.