Crítica | Caravana da Coragem 2: A Batalha de Endor

estrelas 1

Espaço: Lua-floresta de Endor
Tempo: 3 anos e meio após a Batalha de Yavin (3 d.BY)

Provavelmente na incansável tentativa de fazer algo pior que a primeira incursão da Lucasfilm na televisão – o malfadado Star Wars Holiday Special – George Lucas volta mais uma vez para a lua-floresta de Endor e para seus Ewoks, que debutaram em O Retorno de Jedi, em uma continuação de Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok, que não é, por incrível que pareça, uma desgraça total. Ainda que Caravana da Coragem 2: A Batalha de Endor (deveria ser A Batalha por Endor) não alcance o nível de horror do especial setentista, o telefilme co-dirigido e co-escrito por Jim e Ken Wheat, vê-se que a Lucasfilm não poupou esforços para chegar lá.

Primeiro, a linha narrativa do primeiro telefilme com os fofos Ewoks é apagada. Todos considerados inúteis são mortos logos no início. Isso inclui vários Ewoks e toda a família de Cindel (Aubree Miller), a mesma família que é objeto de valoroso resgate no primeiro Caravana da Coragem. Somente a menininha loirinha sobrevive à chacina perpetrada por guerreiros que moram em um castelo distante. Ela e Wicket (Warwick Davis), claro, pois essa dupla não poderia faltar, não é mesmo? A eles se junta o estranho e irritante Teek (Niki Botelho), que mais parece o filhote albino de Alf – O ETeimoso que, por sua vez, leva a dupla para Noa Briqualon (Wilford Brimley), humano que, ninguém sabia, vive na lua depois que sua nave lá caiu (Endor deve ser uma espécie de Triângulo das Bermudas do Universo Star Wars). Primeiro ranzinza e depois obviamente amoroso, Noa ajuda o diminuto grupo na tal “batalha por Endor” contra os guerreiros assassinos que querem o poder da célula de energia da nave dos pais de Cindel, célula essa que convenientemente também é a chave para Noa se mandar dali.

Se o primeiro filme tinha algum charme, ele desaparece quase que por completo na continuação. Falta objetivo, falta senso de perigo e de propósito. Tudo funciona roboticamente em um roteiro pouco inspirado e bobo demais por parte dos Wheat, que também não trabalham bem como diretores. Eles fazem apenas o básico, ainda mais “no automático” do que John Kory em Uma Aventura Ewok. Além disso, sem outros humanos para diluir o foco, podemos perceber o quão fraca é a atriz mirim no papel de Cindel. É literalmente de trincar os dentes agora que ela ganha mais tempo de tela, ao ponto de nem Warwick Davis, na pele de Wicket, aliviar o problema.

Mas A Batalha de Endor tem a mesma vantagem de seu antecessor: um time realmente criativo cuidando dos efeitos especiais. Nada próximo ao nível da Trilogia Original, claro, pois estamos falando de um telefilme, mas o esmero nas pinturas matte de fundo e no stop-motion faz-se novamente presente. É um dos últimos bastiões dessas técnicas usadas em larga escala, pois os efeitos em computação gráfica já se aproximavam, para o mal ou para o bem.

No final das contas, A Batalha de Endor não deveria ter acontecido. Um filme solo dos Ewoks já havia sido mais do que suficiente. Pelo menos não houve um terceiro, ao menos não até agora…

Obs: Assim como comentei na crítica do telefilme anterior, A Batalha de Endor é canônico no Universo Star Wars, ou ao menos era até 31 de dezembro de 2014, quando a Disney, agora detentora das propriedades, apagou décadas de universo expandido para recomeçar tudo do zero. Ainda não houve um pronunciamento claro e objetivo da Disney sobre a canonicidade desse e do outro telefilme, mas, pelo que tem circulado por aí, a pequena Cindel e suas aventuras com Wicket não passarão de uma memória boa (ou não) de infância.

Caravana da Coragem 2: A Batalha de Endor (Ewoks: The Battle for Endor, EUA – 1985)
Direção: Jim Wheat, Ken Wheat
Roteiro: Jim Wheat, Ken Wheat (baseado em história de George Lucas)
Elenco: Aubree Miller, Eric Walker, Paul Gleason, Warwick Davis, Wilford Brimley, Siân Phillips, Carel Struycken, Niki Botelho, Marianne Horine, Daniel Frishman, Tony Cox, Pam Grizz
Duração: 94 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.