Crítica | Carrie, A Estranha (2002)

estrelas 1,5

Conhecem aquele tipo de filme que, após seu término, não lhe deixa vontade de comentar sobre nada já que o próprio não oferece nada de bom a ser comentado? Pois então, é deste mal que sofre esta refilmagem de Carrie, A Estranha, clássico dos anos 70 que trouxe uma nova cara ao gênero ao misturar uma história sobrenatural e repleta de simbolismos com temas que ainda permanecem atuais, tais como o bullyng, o fanatismo religioso e a fascinação pelo sexo.

Este remake sofreu duras críticas por parte do público, especialmente dos fãs da obra original de Stephen King, já que o roteirista Bryan Fuller manteve-se pouco fiel à narrativa vista (ou lida) no intrigante livro de King. O problema da vez, entretanto, se encontra mais embaixo. O filme sofre do mal que uma boa parte das refilmagens acaba encontrando pelo caminho: tenta se diferenciar do original trazendo uma roupagem mais atualizada, porém pouco consegue atingir o nível de tensão construindo pelo mestre Brian De Palma no original. E não apenas isto, a refilmagem acaba sendo vítima de uma séria precariedade técnica, uma vez que o filme foi lançado diretamente para a televisão. Não que haja problemas em filmes realizados desta forma, muitos diretores já conseguiram fazer muito com o pouco. Infelizmente, este não é o caso.

O diretor David Carson até consegue manter algum interesse graças à narrativa entrecortada que constrói, oscilando entre os depoimentos após o massacre no baile do colégio (onde todos já sabemos o que aconteceu) e os acontecimentos que se seguiram na vida de Carrie até o fatídico dia. Porém o roteiro de Fuller pouco ajuda neste sentido, uma vez que sua extrema previsibilidade deixa pouco espaço para surpresas.  Momentos marcantes do original são revisitados aqui de maneira preguiçosa e finalizados por meio de soluções fáceis, e uma boa parte dos diálogos acabam constrangendo o próprio espectador devido a falta de lógica escancarada.

Contando ainda com efeitos especiais de qualidade abaixo do esperado e um elenco pouco à vontade em seus respectivos papéis (Angela Bettis na pele de Carrie causa uma forte sensação de estranheza, mas não no bom sentido), esta refilmagem de Carrie, A Estranha é apenas mais uma daquelas repaginadas de algum clássico digna de ser esquecida assim que seus créditos finais sobem na tela. Fique com o original mesmo.

Carrie, A Estranha (Carrie, Canadá/EUA, 2002)
Direção: David Carson
Roteiro: Bryan Fuller, baseado em livro de Stephen King
Elenco: Angela Bettis, Patricia Clarkson, Rena Sofer, Emilie De Ravin
Duração: 132 min.

 

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.