Crítica | Castlevania (1986)

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estrelas 3,5

Castlevania, sendo hoje uma das mais aclamadas franquias dos video-games, teve seu humilde começo no Famicon Disk System, ganhando sua versão para o console da Nintendo, NES (o clássico “Nintendinho”), apenas um ano depois. Inspirado nos clássicos filmes de monstros da Universal, como Drácula, Frankenstein, A Múmia, o game, desenvolvido pela Konami, foi um sucesso e é tido como um dos melhores jogos do NES. Mas será que essa primeira entrada da série se sustenta nos dias atuais? Ou terá sido eclipsada pelos seus sucessores? Venham comigo nessa viagem no tempo e analisemos o game que fez História.

Estamos falando de um jogo de 1986, portanto esperar uma grande trama desenvolvida seria, no mínimo, um anacronismo. O game tem início com Simon Belmont (cujo nome descobrimos nos créditos finais) olhando para o castelo de Drácula e atravessando seus portões. Iniciamos, então, a jornada pelos dezoito estágios de Castlevania, controlando um pequeno sprite que utiliza um chicote e algumas sub-armas, uma de cada vez, lutando contra icônicos monstros da literatura e cinema, ao som de melodias compostas por Kinuyo Yamashita e Satoe Terashima.

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O primeiro elemento que devemos tirar do caminho é o estilo da jogabilidade. O jogo é um arcade por excelência, com fases bem limitadas, não permitindo que revisitemos cenários anteriores. Essa não é uma aventura aos moldes de Symphony of the Night, que introduziu as mecânicas de Metroid na franquia. Dito isso, podemos enxergar com clareza como essa primeira entrada da série pavimentou o caminho a ser seguido por todos os seus sucessores, já introduzindo algumas fundamentais características que seriam mantidas até os dias atuais, algo impressionante, considerando que o game fez trinta anos recentemente.

Castlevania segue uma estrutura bastante simples, os diversos estágios formam diferentes fases e, ao fim de cada uma, enfrentamos determinado chefe, com grau de dificuldade crescente em um padrão bastante linear e intuitivo. Falamos, contudo, dos padrões de dificuldade de outra era e o game pode ser bastante frustrante para os jogadores da atualidade e, de fato, a Konami erra a mão em alguns pontos específicos, como os três últimos chefes (em especial a Morte), que certamente fizeram muitos jogares os controles na parede. O agravante é que o game não possui qualquer forma de salvar o progresso, nem mesmo via password, portanto o jogador deve ir do início ao fim de uma vez só. Trata-se, porém, de um game consideravelmente curto, podendo ser “zerado” em menos de uma hora.

Temos de considerar, também, os aspectos que tornam esse um jogo bastante datado, como necessidade de pressionar o botão direcional antes de pular, caso contrário Simon irá apenas saltar para cima e não para a frente. Pode parecer um detalhe menor, mas é algo que certamente custará muitas vidas aos jogadores. Além disso, as escadas, que se mantém por vários games da franquia, são um grande estorvo em termos de jogabilidade, não combinando com o estilo plataforma da série – para piorar, elas também causam inúmeras mortes acidentais, já que devemos percorrê-las na íntegra, não podendo saltar para o meio delas.

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Em termos de gráficos, para os padrões do “Nintendinho”, o game se sai muito bem, trazendo bastante variedade em termos de criaturas e ambientes, além de animar cada um deles de forma diferenciada. Apesar de não contarem com um terço dos detalhes de seus sucessores para Super Nintendo ou Game Boy Advance, o visual desse primeiro se sustenta plenamente – soa datado, sim, mas nada que atrapalhe a jogabilidade. Além disso, a trilha composta por Kinuyo Yamashita e Satoe Terashima nos faz apreciar cada estágio, já começando a primeira fase com o clássico Vampire Killer, que se tornaria um dos temas da franquia.

E seguro dizer, portanto, que o Castlevania original, é um game datado e não poderíamos esperar muito mais que isso por se tratar de uma obra lançada há mais de trinta anos. Ainda assim, sua jogabilidade e belo design de cenários faz desse um game que se sustenta, possibilitando que consigamos nos entreter com suas fases mesmo tanto tempo após o seu lançamento. Essa primeira entrada da franquia está longe de ocupar as primeiras posições no ranking da série, mas certamente pavimentou o caminho a ser seguido por todos os seus sucessores, introduzindo vários dos icônicos elementos que definiriam, nos anos posteriores, a identidade de Castlevania.

Castlevania
Desenvolvedora: Konami
Lançamento: 26 de setembro de 1986
Gênero: Ação, plataforma
Disponível para: Famicon Disk System, NES, Game Boy Advance, Virtual Console

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.