Crítica | Castlevania Chronicles

estrelas 2,5

Os primórdios da franquia Castlevania foram marcados por dois elementos: o experimentalismo e remakes do game original. Enquanto a Konami tentava, constantemente, reinventar a sua fórmula, ela parecia não muito disposta a abandonar as origens da série, sempre retornando ao jogo de 1986 – seja através de releituras completas, como Super Castlevania IV ou meras reformulações, como é o caso de Castlevania Chronicles. Não que essa entrada, lançada originalmente para o falecido Sharp X68000 (console exclusivo do Japão), não traga algumas boas-vindas mudanças, mas ela está longe de representar a evolução testemunhada no jogo anterior da série, do Super Nintendo.

Novamente retornamos à pele de Simon Belmont, protagonista do primeiríssimo game, cuja batalha contra Drácula é, de novo, reencenada aqui. Logo de imediato já podemos enxergar um elemento positivo nessa escolha da Konami em recontar a mesma história repetidas vezes: não temos de ligar a forte suspensão de descrença, já que seria muito mais difícil de acreditar que Simon enfrentou o vampiro quatro ou cinco vezes. Para aqueles que acompanharam a evolução da série, porém, não há como não enxergar essa entrada como um regresso, um desapontamento, visto que havia muito espaço para crescimento tanto em termos de jogabilidade quanto de enredo, como o posterior Rondo of Blood nos mostraria.

castlevania-chronicles-1-plano-critico

Antes de entrarmos nos aspectos técnicos do jogo em si, é preciso ter em mente que o que conhecemos como Castlevania Chronicles, lançado no ocidente na era do primeiro Playstation, é uma espécie de edição especial do game do Sharp X68000, trazendo dois modos: o original, que mantém a experiência praticamente igual à do outro console e o modo arrange, que traz novos sprites (inclusive para Simon) e músicas remixadas. Infelizmente não posso dar um veredito sobre qual deles é melhor, isso terão de decidir baseado no que falarei a seguir sobre cada um desses modos de jogo.

original se assemelha mais aos primórdios da franquia, trazendo o clássico Simon, de aparência mais bruta, sem grandes floreios e com uma trilha que respeita mais a harmonia geralmente apresentada nos títulos da série. Arrange, por sua vez, muda o visual do protagonista por completo, o colocando com cabelos vermelhos e trajes que mais se assemelham ao que veríamos nos games pós-Symphony of the Night. Esse é o Simon que aparece na capa do jogo para Playstation, nos traços da excepcional Ayami Kojima, com sua arte que retrata os personagens de forma andrógina, aspecto que acabara fazendo parte da identidade visual da franquia. O que prejudica esse modo de jogo é a sua trilha esquizofrênica, que mais parece um remix eletrônico feito para uma festa do que algo tirado de um game de Castlevania.

castlevania-chronicles-original-plano-critico

Fora isso, a experiência dos dois modos permanece, em geral, idêntica, herdando algumas das melhorias introduzidas em Super Castlevania IV, como a possibilidade de atacar com o chicote na diagonal. Infelizmente, aspectos como a fluidez e o level design não são herdados de seu antecessor, como se voltássemos, verdadeiramente, aos primórdios da franquia, especialmente quando devemos encarar alguma escada. Esse ponto faz de Castlevania Chronicles não muito mais que uma típica forma de roubar dinheiro dos fãs da franquia, já que, por si só, ele não apresenta nenhuma melhoria de fato, além dos gráficos, que trazem sprites muito bem detalhados e belos cenários. O resto todo remete ao game original, junto com todos os defeitos desse, incluindo a dificuldade oscilante, especialmente nos chefes ou nas fases que, de uma hora para a outra, podem se tornar verdadeiros suplícios.

Castlevania Chronicles, portanto, é um daqueles jogos que parecem ser algo totalmente novo, mas quando o jogamos, percebemos que ele é mais do mesmo, uma mera repetição do que já jogamos antes, não trazendo nenhuma evolução dentro da franquia em termos de jogabilidade. Trata-se de uma obra cujos únicos valores são seus gráficos e a possibilidade de ser encarado como a porta de entrada para novos jogadores que desejam conhecer a estrutura clássica de Castlevania. Aqueles que acompanharam a evolução da série, contudo, não encontrarão muito mais que um ponto de estagnação, um tropeço antes de Rondo of Blood.

Castlevania Chronicles
Desenvolvedora:
 Konami
Lançamento: 23 de julho de 1993 (Sharp X68000), 8 de outubro de 2001 (Playstation)
Gênero: Ação, Plataforma
Disponível para: Sharp X68000, Playstation, Playstation Network

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.