Crítica | Castlevania III: Dracula’s Curse

estrelas 4

Os primórdios da franquia Castlevania foram marcados pelo experimentalismo da Konami. A primeira entrada da série nos trouxe uma aventura em plataforma, seguindo a clássica estrutura de arcades, com o jogo sendo dividido em inúmeras fases. Vampire KillerCastlevania II: Simon’s Quest, por sua vez, adotaram uma abordagem que favorecia a exploração, possibilitando que o jogador percorresse áreas previamente visitadas em uma estrutura que seria melhorada anos depois, com Symphony of the NightCastlevania III: Dracula’s Curse representou o fim dessas tentativas dos desenvolvedores em encontrarem a linguagem da série, visto que presenciamos nesse game o retorno às origens, espelhando-se na mecânica do primeiro game.

Isso não quer dizer, porém, que a série deixou de evoluir. Muito pelo contrário, a Konami agora tinha um foco específico e, a cada jogo, melhoraria aspectos introduzidos no antecessor. Dito isso, é fácil enxergar Dracula’s Curse como uma versão 2.0 do original da franquia e o mais surpreendente dessa evolução é o fato de ambos terem sido lançados para o mesmo console, o saudoso NES.

A história se passa anos antes de Simon Belmont enfrentar Dracula em seu castelo. Trevor Belmont, ancestral do guerreiro que controlamos no primeiro jogo, é convocado, após anos de exílio de sua família, pela Igreja, a fim de acabar com a devastação causada por Dracula pela Europa. Com seu chicote, Trevor percorre inúmeros estágios até chegar na sala do trono e, no meio do caminho, conta com a ajuda de Sypha Belnades, Grant Danasty (cujo nome, que deve ser lido Da-nasty, explica sua ausência na série da Netflix, além do fato dele ser um pirata no meio do continente) e Alucard, com o jogo nos oferecendo a possibilidade de controlar cada um desses – um por vez – ao longo das diferentes fases, mecânica essa que seria explorada mais a fundo em diversos outros games da franquia, mais notavelmente o recente Portrait of Ruin.

Lançado meros três anos após CastlevaniaDracula’s Curse surpreende pelos seus gráficos claramente superiores, com uma paleta de cores mais variada e sprites mais detalhados. Tal evolução já foi observada em seu antecessor, Simon’s Quest, mas, ao contrário desse, o terceiro game da série segue um visual mais similar ao original, dispensando o lado mais sombrio a favor de tons mais fantasiosos, os quais combinam melhor com as melodias presentes no game. A mudança mais drástica a ser observada, ainda na questão gráfica, são os cenários, os quais chamam a atenção pelo grau de detalhes não somente em primeiro plano, como nos fundos que nos acompanham nessa jornada.

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Outro ponto que retorna do primeiro Castlevania é o grau de dificuldade. Sim, o segundo jogo era consideravelmente difícil, mas em razão de sua estrutura críptica, a dificuldade que me refiro aqui é mais ligada aos inimigos, os danos que infligem e o próprio level design, que retorna às raízes da plataforma. Isso, claro, quer dizer que a extrema frustração com alguns níveis faz seu retorno glorioso, especialmente com os chefes finais, mais do que responsáveis por controles quebrados, xingamentos exaltados e rituais vodus com os desenvolvedores do jogo em mente.

Brincadeiras à parte, apesar desse elevado grau de dificuldade, para os padrões atuais, esse é o primeiro game da série que pode ser facilmente aproveitado nos dias atuais. Naturalmente que alguns pontos são indesculpáveis, como a detestável fase na qual precisamos esperar blocos caírem (como Tetris), por minutos (!!!), a fim de alcançar um nível superior do cenário. Não obstante, trata-se de uma obra consideravelmente mais complexa, chegando a contar com diversos finais, os quais incentivam o replay da obra. Além disso, cada personagem jogável conta com habilidades diferentes, algumas das quais influenciariam inúmeros outros games da franquia – vide Alucard e sua transformação em morcego. Aliás, ainda falando do filho de Dracula, é engraçado observar como seu visual se espelhava, ainda, nos clássicos filmes de monstros, com clara referência ao vampiro de Bela Lugosi.

Com tais aspectos em mente, fica fácil enxergar o porquê da Netflix ter escolhido justamente esse jogo para adaptar em sua recente série animadaCastlevania III: Dracula’s Curse representa uma clara melhoria dos aspectos que garantiram o sucesso do primeiro game da franquia. Com visual mais rico, mais melodias marcantes e uma notável maior complexidade em termos de trama e jogabilidade, temos aqui o melhor Castlevania do NES, contando com características que seriam aproveitadas em inúmeros jogos da série, por anos e anos.

Castlevania III: Dracula’s Curse
Desenvolvedora: Konami
Lançamento: 22 de dezembro de 1989
Gênero: Ação, plataforma
Disponível para: Famicon Disk System, NES, Virtual Console

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.