Crítica | Cavaleiro da Lua: Recomeço (Vol.6 – #1 a 6)

Cavaleiro da Lua: Recomeço (Vol. 6 #1-6)

estrelas 4

cavaleirodaluaSe Brian Michael Bendis recebe inúmeras críticas por seus roteiros nas grandes sagas da Marvel nas últimas décadas, as mesmas não podem ser dadas quando o autor resolve escrever algo mais bairrista e com os pés no chão. Depois da aclamada passagem pela Cozinha do Inferno com o artista Alex Maleev, a dupla repete a dose e traz uma ótima história para o pouco conhecido Cavaleiro da Lua.

Para quem não está familiarizado com o personagem, a própria HQ trata de mostrar suas origens por meio do enredo do seriado de TV produzido pelo protagonista da história, Marc Spector. É o herói contando seu próprio passado, apenas para situar o leitor de sua origem super-heróica. Em suma, o que é importante saber é que Spector não possui super-poderes: é como Bruce Wayne, rico, cheio de gadgets e mestre em artes marciais. Ah, e sofre de transtorno dissociativo de personalidade, um “pequeno” detalhe explorado nessas seis edições compiladas no presente material.

Tendo Los Angeles como cenário e um possível novo Rei do Crime nessa localidade como vilão, seguimos a jornada do Cavaleiro na busca clichê de impedir as atividades criminosas e declarar aquela cidade como sua. Ainda mais sendo um Vingador, Spector se vê na obrigação moral de defender seu território e nessa empreitada conta com ajudas especialíssimas de Wolverine, Homem-Aranha e Capitão América. Qualquer palavra a mais aqui pode estragar tais participações que dão o tom de humor de todo o arco. E o Mercenário também dá o ar de sua graça de um jeito nunca visto antes.

A comicidade é um dos pontos fortes dessas seis primeiras edições. Apostando em um humor absurdo, retratado principalmente pelas expressões faciais dadas por Maleev aos coadjuvantes, o roteiro sabe não ser galhofa como Deadpool ao mesmo tempo que não leva o protagonista muito a sério, por mais que o clima seja soturno em uma Los Angeles escura e que o Cavaleiro seja vulnerável no trato com supostos mafiosos. O símbolo disso é a cabeça de Ultron que cai nas mãos de Spector, mostrando o tamanho da responsabilidade que aparece na vida de um mero produtor de televisão com múltiplas personalidades.

Lembrando os tempos de Demolidor, Bendis utiliza a droga MGH e Maya López, a Echo, que ajuda o vigilante durante as seis primeiras edições. A Vingadora surda acaba tendo bom entrosamento e é bem aproveitada no enredo. Com dois personagens tão vulneráveis e tão pouco conhecidos, em cenários sujos e perigosos, o provável peso que viria acaba ficando de lado em favor do principal foco e mérito da HQ: brincar com a mente do Cavaleiro da Lua e o distinguir de qualquer herói urbano da Marvel.

Sem muita ambição, “Recomeço” é o início de uma obra que mistura sangue, prostituição e máfia sem deixar descambar para um conto mais sério que o seu próprio herói. É uma leitura leve e divertida que pode servir como boa introdução à um fascinante mascarado de pouca fama, inclusive entre seus colegas vigilantes.

Cavaleiro da Lua vol. 6 #1-6
No Brasil:
Cavaleiro da Lua #1 Recomeço
Roteiro:
Brian Michael Bendis
Desenhos:
Alex Maleev
Cores:
Matthew Wilson
Editora:
Marvel Comics
Páginas:
148

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.