Crítica | Caverna do Dragão: A Caixa

estrelas 3

_ Ah, entendi! Tem “alguma coisa” na caixa, e “nada” na caixa. O “nada” é valioso, mas o “alguma coisa” é horrível. Se abrirmos no lugar certo, acharemos “nada”, o que é bom; mas se abrirmos no lugar errado acharemos “alguma coisa” horrível. Ah! Eu adoro esse baixinho!

Eric

Mais um episódio conduzido pela dupla John Gibbs e Jeffrey Scott.

No início do episódio, vemos Eric de cueca e seu uniforme pendurado em um varal improvisado pelo grupo. Todos reclamam do mal cheiro do garoto, que teve o infortúnio de confundir um gambá com um “frango listrado”, o que lhe obrigou a lavar toda sua roupa. Presto tenta fazer alguma coisa, mas o máximo que consegue é materializar uma máscara de gás, que acaba sendo usada pelo próprio Eric. É quando acontece um terremoto. Uma cratera se abre perto do grupo, Hank cai nela, e minutos depois, quando todos já estão lá embaixo, Bobby encontra a famosa caixa que dá título ao episódio. A caixa de Zandora.

A inspiração para a maga Zandora é óbvia, vem da primeira mulher criada por Zeus, Pandora, a curiosa que abriu a caixa de todas as virtudes e males, deixando apenas a esperança presa. Observem que a premissa cai muito bem ao episódio, e o roteiro faz uma aproximação interessante entre a realidade mitológica grega e a realidade mitológica de D&D. Em A Caixa, a esperança está presa, de fato. É lá dentro do baú que temos guardadas as portas para os diversos mundos, e nessa perspectiva, a exploração de temas e lugares fantásticos se abre para o infinito.

Jeffrey Scott conseguiu um resultado interessante na abordagem dos mundos dentro da caixa. Não é o melhor da temporada em criação de “realidades internas” (a melhor criação nesse sentido foi feita dentro da Torre dos Cavaleiros Celestiais em À Procura do Esqueleto Guerreiro), mas mesmo assim, a grande sala com o relógio (forte inspiração em Salvador Dalí) e a própria saída para o mundo real dos garotos – quem não se emocionou quando viu isso? – são maravilhosos momentos criativos, tanto no enredo quanto na direção.

O senso de responsabilidade do grupo aumenta a cada episódio, mesmo que não haja uma sequência fixa dos acontecimentos. Hank ganha o destaque oficial como líder do grupo e Erik fica cada vez mais engraçado e ranzinza, embora muitas vezes ele pareça ser o único adolescente com comportamento que faz jus à idade. Até Bobby parece mais maduro que ele.

Essas novas aventuras do grupo parecem mais densas que as dos primeiros episódios (vale lembrar que em A Caixa, estamos no finalzinho da Primeira Temporada da série), cheias de elementos mitológicos externos e com o retorno de outras personagens do Reino, como os “sapos brigões”, por exemplo. O grande ápice do episódio é mesmo o momento que vai da entrada do grupo na caixa até a saída deles, fugindo do Vingador, que os acompanha. Não é um episódio ruim, longe disso, mas dificilmente constaria entre os dez melhores do show.

Até o próximo capítulo!

Caverna do Dragão: A Caixa (Dungeons & Dragons: The Box) – EUA, 1983
Episódio 11 – 1ª Temporada

Direção: John Gibbs
Roteiro: Jeffrey Scott
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.