Crítica | Caverna do Dragão: O Jardim de Zinn

estrelas 4

Mais uma vez assinando um episódio da série, Jeffrey Scott entrega um roteiro não livre de falhas, mas bastante interessante e de forte apelo fraterno e familiar. Explorando a interação do grupo e mostrando como as relações entre as pessoas podem ser complicadas tanto no mundo real quanto no Reino, temos aqui duas histórias opostas: a primeira, dos irmãos Sheila e Bobby, que se amam; a segunda, dos irmãos Zinn e Solarz/Sir Lawrence, que se odeiam.

O episódio começa com Eric e Bobby perseguindo um réptil alado para o almoço, mas o animal consegue escapar dos garotos. Como todos estão famintos, Diana resolve tentar fisgar alguma coisa em um lago próximo, mas traz à superfície uma espécie de dragão-tartaruga (?), que acaba ferindo Bobby na pequena luta que se segue. A mordida venenosa desfalece o garoto. Com a aparição do Mestre dos Magos, o grupo recebe uma orientação clara: ir ao jardim de Zinn e lá encontrar um Dragão Amarelo, de cujo pé sairá o antídoto para o Bárbaro. A partir daí, as tramas internas se desenvolvem, e o episódio nos garante momentos de muita tensão e divertimento.

O que mais nos chama a atenção é a história com duas frentes narrativas, uma com Bobby, Sheila e Uni na casa do monstro Solarz e outra com Eric, Diana, Hank e Presto a caminho do Jardim de Zinn. O roteirista consegue um desenvolvimento muito bom dos acontecimentos, pelo menos até o final do episódio, onde há um erro crasso de continuidade temporal: em questão de poucas horas – e sabemos que são poucas horas, porque os “fantasmas perseguidores” conseguem interceptar o grupo com o remédio ainda no meio do caminho –, a Rainha logra reunir toda sua corte e estruturar um grande casamento. A partir desse ponto, as coisas se tornam um pouco atropeladas, mas mesmo assim, podemos falar de um desfecho satisfatório para o episódio.

No entanto, creio que todo fã da série jamais se esquecerá da luta entre os falsos Mestres dos Magos. O espectador percebe o imbróglio desde o começo, e logo em seguida, suspeita que os dois sejam falsos, mas a luta é tão interessante e aparece com tanta surpresa na trama, que realmente nos deixa de olhos arregalados – lembro-me bem da minha reação pasma quando vi esse episódio pela primeira vez… Interessante observarmos que esses Mestres aparecem justamente na bifurcação do Vale da Fumaça, depois da Floresta Escura, onde logo em seguida os jovens perdidos serão capturados e levados para o túnel da minhoca (ou das minhocas) e passam pela absolutamente inútil “prova da minhoca”.

O Jardim de Zinn é um episódio memorável pelos elementos-surpresa que traz. Embalado pela ótima música de Johnny Douglas, vemos a história de dois casais de irmãos completamente diferentes se arrastarem em meio a encantos e transformações. Aliás, essas transformações aparecem bastante nessa primeira temporada, basta lembrarmos de A Bela e a Fera do Pântano, onde Eric se transforma naquele “sapão” feioso; depois, o excelente Prisão Sem Muros, onde temos um mago anão transformado em um uma criatura do pântano; em seguida, À Procura do Esqueleto Guerreiro, onde Eric (ele de novo!) se transforma num burro. Nesse atual episódio, temos uma brincadeira do maroto Mestre dos Magos, que transforma… adivinhem quem… em um macaco de nariz azul. Esse é um daqueles capítulos em que todos terminamos sorrindo.

Até o próximo capítulo!

Caverna do Dragão: O Jardim de Zinn (Dungeons & Dragons: The Garden of Zinn) – EUA, 1983
Episódio 10 – 1ª Temporada

Direção: John Gibbs
Roteiro: Jeffrey Scott
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.