Crítica | ¡Centinela, Alerta!

¡Centinela, Alerta! é uma produção espanhola cuja direção é geralmente atribuída unicamente ao francês Jean Grémillon. No entanto, a coisa não é tão simples assim.

Esse filme, na verdade, faz parte de uma enorme lista de 18 obras que Buñuel concordou em ajudar a produzir depois que teve seu nome incluído na “lista negra” espanhola, com o lançamento de Terra Sem Pão em 1933. A verdade é que, depois de seu “documentário surrealista”, Buñuel teve que se mudar para Paris e lá recebeu convite do estúdio espanhol Filmófono para trabalhar em obras de fácil consumo para o público em geral. Meio que sem alternativa, mas também vendo nisso uma oportunidade de se enfronhar nos meandros técnicos da arte de “fazer cinema”, Buñuel mergulhou de cabeça nos projetos, mas permanecendo sem créditos de direção, de forma que sua reputação como surrealista se mantivesse intacta.

Buñuel participou dessas 18 produções fazendo diversos papéis: diretor, roteirista, diretor de fotografia, cenógrafo e outros. No entanto, os estudiosos da vida do diretor acreditam que ele teve participações decisivas em todos eles, alguns chegando a afirmar que todos foram dirigidos única e exclusivamente por Buñuel. Há divergências nesse raciocínio, mas há, também, uma ideia em comum: ¡Centinela, Alerta! foi mesmo dirigido só por Buñuel.

É que Jean Grémillon, pelo que contam os historiadores de cinema, ficou doente durante a produção dessa obra e o trabalho todo literalmente caiu no colo de Buñuel, que acabou transformando o filme em um grande sucesso e, ao mesmo tempo, marcando o fim da carreira espanhola do diretor já que, a partir daquele ano, ele iria coordenar a campanha de propaganda republicana durante a Guerra Civil Espanhola e, depois, partiria para os Estados Unidos, onde sua carreira frearia bruscamente por um longo período.

O leitor mais atento reparará que, até agora, falei muito mais do contexto histórico e profissional que cerca ¡Centinela, Alerta! do que do filme propriamente dito. E a razão é muito simples: ¡Centinela, Alerta! é um filme menor, desimportante mesmo desse grande diretor. Ele não tem os aspectos curiosos e surreais de suas três primeiras e marcantes obras e carrega um forte ranço hollywoodiano, algo que, claro, foi feito propositalmente, já que, como dito, era uma obra dirigida às massas.

A história é bastante simplista. Candelas (Ana María Custodio) é uma moça que acaba sendo seduzida por Arturo (José María Linares-Rivas). O resultado disso é a gravidez seguida do abandono de Candelas por Arturo. Meses depois, já com o bebê no colo, ela sai para procurar por Arturo e acaba caindo nas graças de dois ex-soldados, um deles apaixonado por ela (Angelillo, vivido por Pablo Alvarez Rubio). Acontece que ela ainda deseja reencontrar Arturo e, claro, ele reaparece, apenas para iniciar uma confusão.

A trama funciona bem até certo ponto quando o triângulo amoroso é resolvido. Em seguida, porém, o que vemos é Angelillo partir para uma espécie de tour musical que transforma o filme de uma comédia romântica para um musical romântico. Nada contra os gêneros, mas o problema é a falta de identidade que essas guinadas na trama acabam trazendo. Rubio consegue cantar muito bem e mantem o espectador atento ao que ele faz e, se o filme realmente tivesse as características de um musical clássico, poder-se-ia dizer que ele é aceitável. No entanto, os números musicais ficam perdidos em uma narrativa que em determinado momento tenta emular a comédia de Buster Keaton e, noutro, tenta trafegar pelos grandes musicais hollywoodianos.

Se há um filme de Buñuel que não tem nenhuma característica buñuelesca, este é ¡Centinela, Alerta!. Não seria um problema se ele, juntamente com isso, não fosse uma obra tão sem identidade.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.